Física

Entrevista com…Tomás Aquino

Cara do aluno entrevistado
Cedida por TA

Foi com o projeto “Filodinâmica da Gripe A: um Modelo Simples para um Sistema Complexo” que Tomás Aquino, de 23 anos, assistente do Departamento de Física da FCUL, venceu o Programa de Estímulo à Investigação da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).
O aluno "brilhante", com média final de 19 valores, tanto na licenciatura, como no mestrado, destaca a importância dos colegas e professores para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.
No futuro pretende continuar ligado à investigação e, se possível, ensinar, um gosto adquirido com a oportunidade de ser assistente na cadeira de Métodos Numéricos.

FCUL -  Como caracteriza o seu percurso académico e científico?

Tomás Aquino (TA) - Fui para o curso de Física fascinado pela magia da profissão que imaginava desde miúdo ao ver filmes relacionados com a área. Quando crescemos percebemos o que realmente nos interessa e, por isso, segui a área dos Sistemas Complexos e não a das Cosmologias que fazem parte do imaginário das pessoas quando se fala em Física. Fiz tanto a licenciatura como o mestrado em Física na FCUL.

FCUL - Como surgiu a ideia de desenvolver o projeto “Filodinâmica da Gripe A: um Modelo Simples para um Sistema Complexo” e, posteriormente, a decisão de se candidatar ao Programa de Estímulo à Investigação da FCG?

TA - Quando terminei a tese de mestrado, relacionada com células estaminais, surgiu a oportunidade de desenvolver este projeto da Gripe, com colegas que já tinha trabalhado anteriormente no Centro de Física da Matéria Condensada da UL. A professora Ana Nunes lembrou-se então que seria uma ótima oportunidade participar no Progama da FCG. Incentivou-me a concorrer e assim foi.

FCUL - De que forma encarou a distinção feita ao seu trabalho pela FCG?

TA - Foi uma situação engraçada… Não estava em Portugal, estava a visitar família em Dublin. Telefonaram-me e, por acaso, atendi a chamada dos responsáveis da FCG informando-me que tinha sido distinguido pelo meu projeto. Não estava mesmo à espera porque o concurso abriu este ano para toda a área da Física e, portanto, pensei, a concorrência é tanta que não vamos conseguir. Por isso, fiquei muito surpreendido e contente, tal como a minha família que estava comigo quando recebi a notícia.

FCUL - Gostaria de pedir que apresentasse abreviadamente o projeto pelo qual foi distinguido e que irá desenvolver.

TA - A Gripe é um vírus cuja estrutura genética se altera muito e, desta forma, é bastante difícil de ser combatido pelo sistema imunitário. Pretendemos compreender como é que este processo funciona, como é que o vírus da Gripe evolui geneticamente e como evolui a sua propagação. O objetivo é, portanto, descrever e compreender o processo para depois prever o que se passa.

FCUL - Que contributo considera que o seu projeto irá prestar à área científica em que se insere?

TA - Acredito que vá ter efeitos na área da Saúde Pública. Ainda que não seja já nesta fase, espero poder contribuir para evoluções, por exemplo, ao nível da vacinação.

FCUL - O que ambiciona fazer futuramente? Que etapas profissionais pretende alcançar?

TA - Pretendo continuar a fazer investigação e, por ter tido a experiência de dar aulas este ano e o ano passado, gostaria muito de poder ensinar também. É ótimo poder dar aulas porque lidamos com imensa gente diferente e ensina-nos a comunicar com o público, é muito importante e dá-me imenso gozo.

FCUL - E quer ficar em Portugal ou ir para o estrangeiro?

TA - Em agosto vou seguir para doutoramento nos EUA, mais precisamente na Universidade de Notre Dame no Indiana. Em princípio vou trabalhar num projeto relacionado com a malária. Neste momento, digo que quero voltar, mas não sei o que poderá acontecer já que vou lá estar quatro ou cinco anos e muita coisa pode acontecer, muitas oportunidades podem surgir. Mas gosto imenso de Portugal! Ao contrário do que as pessoas dizem, fazemos bom trabalho, temos sol e comidas maravilhosas e ainda nos dão liberdade para fazer o que queremos. Vive-se bem e existe um bom ambiente para trabalhar, se pudesse continuava em Portugal.

FCUL - Tendo em conta o seu percurso académico, pergunto-lhe de que forma a FCUL contribuiu para o seu desenvolvimento profissional e pessoal?

TA - A FCUL contribuiu para o meu desenvolvimento de várias formas, isto porque fiz aqui tanto a licenciatura como o mestrado. Tive colegas fantásticos. Lembro-me do meu colega Jesus, que agora está a fazer doutoramento em Edimburgo na área da Astrofísica, que era uma pessoa com uma intuição fantástica e me ensinou imenso. Foram anos espetaculares, ao lado de pessoas extraordinárias.

Do lado dos professores também tive contacto com pessoas fantásticas como o professor Augusto Barroso, por exemplo, que considero ser uma daquelas pessoas que nasceu a ensinar. A professora Cecília Ferreira, do Departamento de Matemática, também me marcou bastante assim como a professora Ana Nunes, que me tem dado apoio em todos os meus projetos e proporcionado imensas possibilidades para evoluir profissionalmente.

Todos estes marcos na minha passagem pela FCUL contribuíram para o meu desenvolvimento profissional e pessoal.

FCUL - Foi convidado a ser assistente aqui na Faculdade, como é que se sente neste papel?

TA - Esta experiência deu-me imenso gozo. Ao início é muito cansativo porque não estamos habituados ao ritmo, estamos sempre em movimento e a falar. Estar em palco exige que tenhamos muita energia e boa disposição para transmitir a mensagem aos alunos. Esta oportunidade ensinou-me a comunicar uma mensagem de forma clara e direta e, ao mesmo tempo, aprendi com os alunos. O mais importante é o facto de contactarmos com muita gente diferente que tem algo a dizer. Este ano tive 60 alunos e tive que me adaptar a todos eles, faz-nos crescer imenso!

FCUL - Que conselhos deixa aos colegas que tenham um percurso académico idêntico ao seu e pretendam seguir a área da investigação e candidatar-se, por exemplo, a iniciativas como a do Programa de Estímulo à Investigação?

TA - Para alcançar o sucesso é preciso trabalhar, trabalhar muito! Aqui não há segredo. Foi o que sempre fiz desde que cheguei à FCUL. No entanto, gosto de dizer às pessoas que não podem dedicar todo o tempo ao trabalho, é necessário viajar, sair e conhecer pessoas. Eu, por exemplo, fui viajar seis meses quando terminei o mestrado e foi bastante importante para recuperar energias e regressar em força ao trabalho.

Raquel Póvoas, Gabinete de Comunicação, Imagem e Cultura da FCUL
info.ciencias@fc.ul.pt
Emmanuelle Charpentier e a Jennifer Doudna

Este ano, o Prémio Nobel da Química foi atribuído às cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna pelo "desenvolvimento de um método de edição do genoma", denominado CRISPR/Cas9. Leia o artigo da autoria de Lúcia Santos e Madalena Pinto, estudantes de doutoramento no polo da Faculdade do BioISI e Federico Herrera, professor do Departamento de Química e Bioquímica e investigador do BioISI.

Chuva intensa

Um estudo publicado na Nature Communications revela um aumento significativo da quantidade de humidade proveniente das regiões fornecedoras de água precipitável, água transportada até aos continentes pelos chamados rios atmosféricos (ARs).

Logotipo dos Prémios Científicos ULisboa/Caixa Geral de Depósitos 2019

A cerimónia de entrega dos Prémios Científicos ULisboa/CGD 2019 estava prevista para 20 de outubro, na Reitoria da ULisboa, mas face à evolução da pandemia da COVID-19 e na sequência da resolução do Conselho de Ministros emitida recentemente, a cerimónia será adiada para data a anunciar quando as condições de segurança estejam novamente reunidas. Das 30 distinções desta última edição, cinco são para professores e investigadores da Ciências ULisboa.

Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez

O Prémio Nobel da Física 2020 distingue um dos teóricos mais distintos dos últimos 60 anos, o matemático e físico sir Roger Penrose e os astrónomos Reinhardt Genzel e Andrea Ghez, que revelaram a presença de um buraco negro extremamente massivo na região central da Via Láctea. Leia o artigo dos cientistas José Pedro Mimoso e Nelson Nunes, em colaboração com José Afonso e António Amorim.

Imagem abstrata

Ciências ULisboa integra a Rede de Inovação da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), cujo objetivo é promover a ponte entre a investigação produzida em ambiente académico e o contexto industrial e empresarial.

Logotipo Radar Tec Labs

Oitava rubrica Radar Tec Labs, dedicada às atividades do Centro de Inovação da Faculdade. A empresa em destaque é a QPLab.

Campus da Ciências ULisboa

Ciências ULisboa volta a preencher a totalidade das vagas, no âmbito da 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA) ao ensino superior: 1001 candidatos conseguiram colocação nas 13 licenciaturas e nos três mestrados integrados desta faculdade, 449 como 1.ª opção. O número de vagas aumentou na maioria dos cursos, assim como as notas dos últimos alunos colocados nesta 1ª fase.

Cidade

Melhorar o funcionamento e a otimização energética de edifícios e equipamentos, resolvendo algumas das suas limitações, é um dos objetivos do projeto “Self Assessment Towards Optimization of Building Energy (SATO)”, liderado pela Ciências ULisboa e que tem início marcado para o próximo mês de outubro. O projeto integra 16 parceiros europeus da academia e dos sectores público e empresarial e representa a primeira grande colaboração científica entre o LASIGE e o IDL.

Papéis, canetas e braços

Vários alunos da Ciências ULisboa, da Universidade do Algarve (Ualg) e da Faculdade de Medicina Dentária (FMD) da ULisboa apresentaram este verão projetos de iniciação à investigação, desenvolvidos no âmbito da iniciativa “Sê Investigador por Três Semanas!”, promovida pelo Centro de Estatística e Aplicações da Universidade de Lisboa (CEAUL), com o objetivo de cativar os jovens para esta atividade.

cabra-montês

Dezenas de cientistas, técnicos e vigilantes da natureza do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, bem como cidadãos uniram-se em prol do novo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal continental. O objetivo é melhorar até 2021 o conhecimento destas espécies e dessa forma contribuir para o estabelecimento de medidas e ações de conservação.

Imagens de perfil de 19 cientistas

Entre março e julho deste ano, as redes sociais da Faculdade deram a conhecer 19 pessoas e histórias de investigação, no âmbito da iniciativa “O que faço aqui?”, disponível no site da Faculdade.

Pessoa com livros

"Neste momento tão dinâmico em que vivemos será importante pensar sobre aquilo que se pode ou não controlar e ir aprendendo a navegar perante a realidade que se apresenta a cada momento", escreve a psicólogia Andreia Santos.

Alunos e professoras no campus da Faculdade

O novo ano letivo começou esta semana e a Faculdade deu as boas-vindas aos alunos do Advanced Quantitative Methods on Health Care Innovation, cujas aulas online começaram esta terça-feira e se prolongam em Portugal até ao próximo dia 15 de outubro.

Estação de Extração de RNA

“Foi incrível perceber que numa adversidade, o ser humano tem a capacidade de se reinventar e criar novos projetos", diz Daniel Salvador, voluntário no CT Ciências ULisboa, entre maio e julho, licenciado e mestre pela Ciências ULisboa, atualmente estudante do 4.º ano do doutoramento em Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da ULisboa.

Criança em casa acompanhada pela presença de um adulto

Uma equipa de nove estudantes da ULisboa - LxUs -, supervisionados por Hugo Ferreira, professor do Departamento de Física e investigador do Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica da  Ciências ULisboa, ganhou o Translation Potential Runner-Up Award na 5.ª edição do SensUs Student Competition, 2.º lugar na categoria de potencial de translação, um prémio que valoriza a capacidade de criação de um modelo de negócio, viável e com qualidade.

Pormenor da visão artística da observação da "estrela bebé"

Pela primeira vez foi possível observar como é que uma “estrela bebé” adquire massa até chegar à sua massa final. Arcos de campo magnético ligam a “estrela bebé” ao disco circundante e a massa flui. Os resultados desta observação encontram-se publicados na revista Nature. O artigo resulta de uma colaboração no âmbito do GRAVITY, um instrumento desenvolvido por um consórcio internacional e do qual fazem parte cientistas do CENTRA, polo da Ciências ULisboa.

Marta Palma no CT Ciências ULisboa

“A maior aprendizagem é perceber que de facto existem pessoas maravilhosas, com uma enorme generosidade e grande sentido de voluntarismo e muito dinâmicas. E que trabalhando juntos, podemos de facto fazer a diferença”, diz Marta Palma, funcionária do Departamento de Biologia Animal e voluntária no Centro de Testes Ciências ULisboa.

Homem em banco de jardim, observando o rio

Andreia Santos, psicóloga do GApsi Ciências ULisboa, deixa um alerta: "o nível de cansaço sentido pelas pessoas a assistir a conferências, palestras através de um ecrã é superior ao de assistir ao mesmo de forma presencial".

Vanessa Mendonça

“Este prémio simboliza não só o reconhecimento do meu trabalho, mas também de toda a equipa que nele participou”, conta Vanessa Mendonça, segunda classificada pelo Prémio de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias 2020. Vanessa Mendonça concluiu o mestrado e o doutoramento na Faculdade e atualmente é investigadora do MARE.

A SPECO anunciou recentemente os vencedores do Prémio de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias 2020. José Ricardo Paula é o grande vencedor desta edição e irá apresentar o seu trabalho no 19.º Encontro Nacional de Ecologia, este ano associado às cerimónias dos 25 anos da SPECO, e que se realiza em dezembro, em Ponte de Lima.

Centro de Testes

Rita Loewenstein Simões, de 23 anos, é voluntária no Centro de Testes Ciências ULisboa, na estação Mix e Real-Time PCR, desde maio passado. Para esta jovem bióloga, formada na Faculdade, este trabalho tem um significado muito simples: ajudar. E foi exatamente isso que a motivou - saber que todas as horas que disponibilizasse fariam a diferença.

Informação eletrónica de rua: Keep your distance

Ganna Rozhnova trabalha em modelação epidemiológica na UMC Utrecht, na Holanda. A antiga aluna de doutoramento em Física Estatística da Faculdade, continua a colaborar com o BioISI e é a investigadora principal de um projeto da FCiências.ID, financiado no âmbito do Apoio especial a projetos Research 4 COVID-19.

Spinophorosaurus nigerensis

Uma inovação anatómica pode ser a chave na compreensão da evolução dos dinossáurios saurópodes. Os autores deste trabalho - Daniel Vidal, Pedro Mocho, Ainara Aberasturi, José Luis Sanz e Francisco Ortega - acreditam que parte do êxito evolutivo deste grupo de animais está relacionado com alterações na cintura pélvica e que esse fator contribuiu para os converter nos animais de maior porte da Terra.

Centro de Testes

“Em cada turno processamos uma quantidade significativa de amostras e é sempre importante conseguirmos fazê-lo eficientemente, para que os resultados sejam conseguidos num curto espaço de tempo”, diz Catarina Lagoas, voluntária no Centro de Testes Ciências ULisboa.

Teclado para invisuais

“A tecnologia deve poder ser usada por todas as pessoas!”, diz Carlos Duarte, professor do Departamento de Informática, investigador do LASIGE Ciências ULisboa, e recentemente membro do World Wide Web Consortium (W3C) e da Ação COST LEAD-ME -Leading Platform for European Citizens, Industries, Academia and Policymakers in Media Accessibility.

Páginas