Lisboa tem tudo – e é de todos

Visitada por Ulisses, conquistada por Afonso Henriques e cantada por um cancioneiro de séculos, Lisboa é também a cidade das colinas e da omnipresente calçada portuguesa, do bife à Café e das sardinhas que alimentam todos os Santos a cada mês de junho, do fado e dos gingões que resistem nos bairros históricos, com falas e intenções feitas de meias palavras.

E tudo, ou quase tudo, sempre com o Tejo por companhia. Eis o cartão postal com as atrações imperdíveis da cidade.

Lisboa Ocidental

Foi nas areias de Belém que começou a ganhar forma a globalização – e a Torre de Belém, pequeno ex-libris alfacinha e ícone lusitano, outrora bem a meio do rio, continua a funcionar como principal porta de acesso da cidade para o mundo e vice-versa, ainda que hoje predominem as romarias de turistas.

Ainda na freguesia de Belém, que em tempos não era Lisboa, há o convento dos Jerónimos, o campeão de visitas que se chama Museu dos Coches, o presidencial Palácio de Belém e os pastéis, que ali adotam para nome a toponímia face a toda a concorrência que os denomina como pastéis de nata.

O bairro dos museus e das corridas

Ainda em Belém, encontra-se o Museu de Etnologia, o Museu do Terramoto (Quake), o Museu de Arte Popular e o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia da Fundação EDP (MAAT) que inclui, ainda, o Museu da Eletricidade. Em contrapartida, os aficionados do futebol e do desporto em geral poderão tentar uma visita ao Estádio do Restelo, casa d’ “Os Belenenses”, e possivelmente o recinto desportivo com um dos enquadramentos cénicos mais atrativos no País. De resto, os aficionados do desporto também poderão sentir-se tentados a aproveitar a planura destes bairros para percorrê-los de bicicleta em toda a frente ribeirinha ou seguir em passo de corrida – e até tentar uma inscrição nas conhecidas Maratonas de Lisboa.

Belém vale bem a visita, mas antes de sair do bairro histórico convirá ver o que há no cartaz das salas de exposição e auditórios do Centro Cultural de Belém – ou CCB. Chegados a este ponto, os visitantes que dispensam as agruras dos lisboetas perante tanta colina podem seguir na direção de Alcântara para visitar o Museu Nacional de Arte Antiga que quase todos conhecem pelas “janelas verdes”, ou os jardins da Tapada das Necessidades.

Já no encalço de Alcântara, e sempre com a agradável companhia do Tejo, é possível descobrir o Lx Factory, que é um misto de espaço de trabalho e diversão, o Museu do Oriente, as Docas e os restaurantes e bares debaixo da Ponte de 25 de Abril, ou mais à frente, e a caminho de Santos, o Clube Naval de Lisboa para os aficionados das modalidades aquáticas.   

Dos melhores jardins da cidade até Monsanto

Em contrapartida, se as preferências recaírem mesmo sobre jardins, agricultura ou flora em geral, então a parte ocidental da cidade é mesmo o local a visitar, mantendo o Parque Florestal de Monsanto como referência.

Quem vem de Belém pode começar com uma entrada no Jardim Botânico Tropical e, subindo a ladeira, haverá de chegar ao Jardim Botânico da Ajuda e, a meio desse caminho, visitar a primorosa Igreja da Memória.

O imperdível Tesouro Nacional, com residência permanente no Palácio Nacional da Ajuda, também vale a caminhada pelo valor histórico, mas também por proporcionar uma admirável vista sobre casario e Rio Tejo. Chegado a esse local, o visitante já sabe que também não está assim tão longe do Complexo Desportivo da Ajuda, que pertence à Universidade de Lisboa, e complementa, com ginásios e outros equipamentos desportivos, o Estádio Universitário que se encontra noutra zona da cidade (este último, a dois passos do Campus de CIÊNCIAS).

Já nas imediações do Parque Florestal de Monsanto e a caminho do Bairro de Santo Amaro, os fãs da incrível vida das plantas poderão descobrir a Tapada da Ajuda, que conta com a Reserva Botânica Natural D. António Xavier Pereira Coutinho, e ainda o Observatório Astronómico de Lisboa que está ligado ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

Quem prefere caminhadas em cenários naturais de maior extensão pode continuar a subir até avistar o arvoredo do já mencionado Monsanto para descobrir a razão de ser do “pulmão de Lisboa”, com sombra abundante, espaços dedicados ao convívio, ao exercício, e um anfiteatro que ciclicamente alberga concertos e outros eventos.

Em contrapartida, quem gosta mesmo de jardins urbanos deverá descer e seguir rumo à Estrela para encontrar o jardim homónimo – e ainda a Basílica que fica em frente. A partir daí, já estará a entrar na zona mais central de Lisboa, que inclui a Baixa e outros bairros históricos.

Baixa, Avenidas Novas, e Oriente

É dos enganos que vem parte do encanto da Capital: cidade insuflada pelo forte sotaque que nenhum nativo admite ter, Lisboa é conhecida pelos nomes de lugares que não vêm no mapa. E é na zona histórica e mais central que as toponímias enganosas são mais costumeiras: A Praça de Comércio que continua a ser apelidada de Terreiro Paço; o Rossio que ninguém conhece como Praça do Pedro IV; o Areeiro que é a Praça Francisco Sá Carneiro; o Largo Trindade Coelho que é conhecido por “Largo do Cauteleiro”; o Chiado, que designa uma área bem maior que o Largo que o homenageia, e em alguns imaginários se estende até ao elegante Príncipe Real, onde se encontra a antiga Escola Politécnica que outrora albergou CIÊNCIAS e hoje tem o Museu de História Natural; ou até o Parque das Nações que alguns teimam em chamar de Expo; já para não falar do Convento do Carmo que já não se imagina sem ser em ruína.

O Chiado dita as modas

Mantendo ainda a aura modernista e a veia artística de outros tempos, o Chiado cede, a poucos metros de distância, o protagonismo “ao Camões”, que é dito assim sem chatear ninguém do mesmo modo que, mais abaixo, Cais do Sodré costuma ser proferido por toda a gente como “Cachodré” e só costuma ser designado corretamente por quem não é de Lisboa. É perto da Praça que tem a estátua do poeta maior da lusofonia que começa a fronteira e o despique entre o boémio Bairro Alto, onde o Fado ainda faz lei para turistas e aficionados, e a Bica, onde toda a gente parece lutar contra a gravidade, devido ao declive em que o casario assenta ao longo da colina. Por outro lado, quem não quiser perder tempo com bairrismos enquanto está por aquelas bandas, não deve esquecer o seguinte: ópera é no São Carlos, enquanto na rua ao lado, o São Luiz providencia teatro e concertos de outras índoles.

Deixando o Chiado enquanto se sobe a ladeira, surge o Jardim de São Pedro de Alcântara e a vista imperdível para a Graça, o Rossio, a Mouraria, o Castelo de São Jorge, Alfama - e outros espaços, onde a cidade realmente começou há mais de 3000 anos, possivelmente, por iniciativa de Fenícios.

Da Baixa a São Bento

Se o objetivo for descer do Chiado rumo à história política do País, então já fará sentido tomar a Calçada do Combro e seguir depois até à Assembleia da República ou à residência Oficial do Primeiro-ministro, em São Bento, e eventualmente deparar, pelo meio, com alguma da alegria que resta da comunidade cabo-verdiana que ali morou muitos anos.

Mais abaixo, junto ao rio, há a zona de diversão noturna, que é conhecida por 24 de Julho e está a poucos minutos de caminho da estação ferroviária do Cais do Sodré. É por esse caminho não muito longe do Rio que se chega também à Praça do Município e, depois, à Praça do Comércio, com o icónico Cais das Colunas e a estátua de D. José I ao centro, e ainda uns quantos gabinetes e departamentos ministeriais a funcionarem no local.

Da Praça Comércio ao vizinho Campo das Cebolas vai o instante necessário que permite conhecer a Casa dos Bicos / Fundação José Saramago – e entrando pelo emaranhado de ruas e vielas que sobe a colina haverá de se encontrar caminho até à Sé de Lisboa.

Em alternativa, se a intenção é conhecer reconstrução de Lisboa após Terramoto de 1955, já fará mais sentido seguir pela quadricular Baixa, onde pontifica a Rua Augusta e, mais à frente, entrar no Rossio que é dominado pelo Teatro Nacional D. Maria II e dá serventia até à Avenida da Liberdade, que é conhecida pelas lojas e marcas mais seletas.

Avenida da Liberdade e Avenidas Novas

Já o Coliseu e o Teatro Politeama, numa paralela à Avenida da Liberdade, são conhecidos pela abrangência dos espetáculos que dão a conhecer. E no lado oposto, também numa paralela à Avenida da Liberdade, revela-se o reabilitado Parque Mayer, que abrange o Teatro Variedades e a sala de espetáculos Capitólio. A meio da Avenida destacam-se Teatro São Jorge e Teatro Tivoli, e no topo, irrompe a Praça Marquês de Pombal, logo seguida do Parque Eduardo VII, que serve de morada anual à Feira do Livro, e alberga a Estufa Fria.

Do Marquês de Pombal às Avenidas Novas, quase nada tem que saber – mas não é o único itinerário para chegar aos bairros mais recentes da cidade. Quem começar o percurso na Praça da Figueira, e passar pelo Martim Moniz a fim de seguir pela Avenida Almirante Reis também haverá de chegar às Avenidas Novas. Talvez o percurso seja maior, mas é seguramente mais cosmopolita, sem deixar de contemplar derivações para a Avenida da República, e depois para o bairro de Alvalade, e o Campo Grande, onde se encontram Aula Magna e Reitoria da Universidade de Lisboa e também o campus de CIÊNCIAS.

É do nosso Campus que se avista o Estádio de Alvalade, que é a casa do Sporting Clube de Portugal, mas para que a maior rivalidade nacional fique contada na plenitude há que seguir a Segunda Circular para chegar ao Estádio da Luz, que é a o estádio do Sport Lisboa e Benfica.

Quem gosta mais de praticar do que ver desporto não precisa de se afastar muito do Campus de CIÊNCIAS e poderá dar um pulo ao Estádio Universitário e respetiva piscina olímpica e variados recintos de jogos para escolher a modalidade a contento. Se o objetivo é não sair das Avenidas Novas, então fará sentido procurar a Fundação Calouste Gulbenkian, que atualmente abrange o Centro de Arte Moderna e tem concertos de música clássica e contemporânea, além do célebre Festival Jazz em Agosto.

Da segunda circular para todo o lado

Se a ideia é sair de Lisboa, então a Segunda Circular poderá ser usada como uma das vias mais rápidas para chegar ao Aeroporto Internacional Humberto Delgado ou, já no final, decidir se envereda pela Autoestrada Nº1 (ou A1), que segue para o Porto, ou a Ponte Vasco de Gama que faz a ligação com a Península de Setúbal e, à semelhança da Ponte 25 de Abril, também dá passagem para quem segue para o Alentejo e o Algarve.

Alfama, Graça e Feira da Ladra

Mas voltemos atrás para acabar no princípio: do bairro de Alfama que serviu de núcleo à cidade ainda ecoam muitos fados – e quando as portas de restaurantes e tascos estão fechadas, é o Museu do Fado que faz as honras à saudade. É subindo Alfama que se chega ao bairro do Castelo e é aí que convém não confundir os dois bairros junto dos autóctones, tal como entre Bica e Bairro Alto, mas com fronteira bem mais difícil de detetar. É no Castelo de São Jorge que surge a mais emblemática vista da cidade e se segue para outra vista auspiciosa no Miradouro do Monte Agudo, já perto da Graça.

A Feira da Ladra e o Panteão Nacional já não estão longe, e os espíritos mais noctívagos não desdenharão uma perninha na discoteca Lux, nas imediações da Estação de Santa Apolónia, que dá ligação para o resto do País. Aí chegado o visitante já sabe que está a entrar na parte oriental da cidade.

O oriente renascido

Na parte oriental, há uma cidade renascida a partir dos anos 90 – com destaque para o Hub Criativo do Beato e as muitas startups que por lá passam. Foi na sequência dessa reabilitação de bairros outrora industriais que nasceu o Lisboa Ao Vivo (LAV), que hoje é uma das principais salas de espetáculos da cidade. Mais próximo do Tejo, é o Parque das Nações que se destaca, com o Pavilhão do Conhecimento e o imperdível Oceanário entre as maiores atrações, e sem esquecer o Pavilhão de Portugal, hoje usado pela Universidade de Lisboa.

No que toca a desporto ou concertos, o antigo Pavilhão Atlântico, agora chamado Meo Arena, é um dos nomes maiores em qualquer cartaz alfacinha. Junto ao Rio, segue um caminho ciclopedonal que leva até ao Parque Papa Francisco, com palco e cobertura para espetáculos, que deve o nome a uma visita do antigo Sumo Pontífice por ocasião das Jornadas da Juventude – e já se encontra fora da cidade.

À Volta de Lisboa

A linha de Cascais vale bem a viagem pelo pitoresco e pela boleia rumo às praias citadinas da Linha do Estoril/Cascais - ou ao complexo desportivo do Jamor (estação da Cruz Quebrada). Quem optar por outras linhas ferroviárias poderá explorar a Serra de Sintra e o Palácio da Pena – a menos de uma hora de viagem para quem vem do centro de Lisboa, note-se.

Na zona de Sintra, que começa na bem lisboeta Estação do Rossio, não faltam praias – mas nessas paragens mar e clima são menos previsíveis. E por isso os fãs de praias menos citadinas já poderão preferir rumar a Sul, no comboio que cruza o rio na emblemática Ponte 25 de Abril, para o pôr o bronzeado em dia ou surfar as ondas da Costa de Caparica, que vai mantendo sã rivalidade com Carcavelos ou até o Guincho (Cascais) no que toca a desportos aquáticos arrojados que estão a dois passos de Lisboa. Ainda na Margem Sul, a Serra da Arrábida e a cidade de Setúbal com as ligações de barco a Troia são destinos a manter sob o radar – mas exigem tempo e dinheiro para explorar. A mesma lógica se aplica a quem quiser seguir até Santarém ou Óbidos para uma escapadinha, a cerca de uma hora de distância para quem tem carro, entre monumentos e ameias de castelos.

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