Eficiência de coletores solares e permutadores de calor

Entrevista a… Francisco Bioucas

“Para além da importância no contexto científico, este trabalho também tem uma forte importância no contexto industrial, pois permite otimizar os gastos de energia domésticos e industriais”

Francisco Bioucas

Francisco Bioucas estudou em Ciências durante a licenciatura e o mestrado, ambos em Química Tecnológica. Desde novembro de 2015 que Francisco está a fazer investigação no Centro de Química Estrutural de Ciências, através do grupo Molecular Thermophysics and Fluid Technology.

Na conferência  1st International Conference on Solar Energy Materials, que decorreu em setembro no Reino Unido, apresentou o trabalho que iniciou no último ano da licenciatura em Ciências e que continua a desenvolver, denominado “Performance of heat transfer fluids with graphene in a pilot solar collector”.  

A apresentação suscitou o interesse dos jornalistas da revista científica Nano Tech Web que publicaram uma notícia sobre o assunto, disponível aqui.

Na entrevista a seguir apresentada, o investigador dá conta da sua experiência e da forma como os ensinamentos de Ciências são importantes no seu percurso enquanto investigador.

Ciências - Em que consiste a investigação que está a desenvolver?

Francisco Bioucas (FB) - O trabalho que realizo é dividido em duas fases. A primeira consiste no desenvolvimento e caraterização das propriedades termofísicas - viscosidade, condutibilidade térmica, capacidade calorífica e densidade -, de novos fluidos de transferência de calor. Os fluidos em estudo são: nanofluidos - dispersão de um nanomaterial num ou mais fluidos como água e etileno glicol por exemplo -, e ionanofluidos - dispersão de um nanomaterial num líquido iónico, que é um sal mas geralmente em estado líquido abaixo dos 100ºC. 

A segunda parte consiste no uso dos novos fluidos em unidades pilotos como coletores solares e permutadores de calor.

O objetivo global do meu trabalho é aumentar a eficiência destes equipamentos através da alteração do fluido de transferência de calor, sem provocar alterações significativas ao seu funcionamento.

Ciências - Como surgiu a oportunidade de apresentar o trabalho na 1st International Conference on Solar Energy Materials?

FB - Um dia recebi um e-mail do professor Carlos Nieto de Castro a dizer que seria interessante submeter um abstract para a conferência e aceitei o desafio.

Ciências - Desde quando está a fazer esta investigação?

FB - Iniciei este trabalho no último ano da licenciatura, em 2013, para a disciplina de projeto tecnológico sob a orientação da professora Maria José Lourenço e da doutora Salomé Vieira, que consistia na otimização dos caudais de um fluido de transferência de calor de um coletor solar. Entretanto fui fazer o meu mestrado para uma empresa de combustíveis, mas em 2015 regressei ao grupo e retomei o trabalho, testando novos fluidos.

Ciências - Que importância considera que este trabalho tem, no contexto científico em que se insere?

FB - Com o trabalho pretende-se provar e demonstrar que uma quantidade pequena de nanopartículas podem aumentar a eficiência do um coletor solar. Os valores preliminares que obtivemos mostram um aumento de 6% em comparação com o fluido base, mas ainda nos falta testar mais concentrações. Para além da importância no contexto científico, este trabalho também tem uma forte importância no contexto industrial, pois permite otimizar os gastos de energia domésticos e industriais. O curso de Química Tecnológica orienta-nos nesta direção, de aproximar a investigação à Indústria, trazer vantagens aos processos atualmente existentes.

Ciências - Algum professor de Ciências está a orientar o projeto?

FB - Sim vários. É um trabalho de equipa entre mim, a doutora Salomé Vieira e os professores Fernando Santos, Maria José Lourenço e Carlos Nieto de Castro. Sem a equipa em questão o trabalho realizado nunca seria concluído, cada um contribui com as suas ideias e conhecimentos. Uma das coisas mais interessantes em investigação é discutir e resolver os problemas associados a uma experiência, que nunca corre como previsto. O professor Miguel Centeno Brito foi também importante uma vez que me emprestouta um piranómetro para a realização do trabalho.

Ciências - Na conferência, que feedback recebeu dos pares?

FB - Penso que os colegas que assistiram a minha apresentação se interessaram pelo tema já que foram feitas várias perguntas, muitas das quais tinham sido já levantadas pelos próprios autores durante a execução do trabalho. Um jornalista de uma revista da área de nanomateriais, a Nano Tech Web, esteve também presente, abordou-me no final e perguntou-me se me podia entrevistar para uma notícia pois era um trabalho com um grande interesse prático e juntava áreas tão relevantes como os nanomateriais e as energias renováveis.

Ciências - Quais os próximos passos?

FB - Os testes que realizámos tiveram uma duração de duas a três horas, pelo que o próximo passo será aumentar este tempo para uma semana ou mais e ver o que acontece. E, se possível, testar os fluidos numa unidade comercial.

Ciências - Já está definida a aplicação prática do projeto?

FB - Penso que sim. No futuro este fluido de transferência de calor que testámos poderá ser efetivamente utilizado em coletores solares. Em particular será de maior interesse nos países do norte da Europa onde a radiação solar é mais reduzida e um pequeno aumento de eficiência do coletor pode traduzir-se numa grande poupança energética ao final do ano. Não tivemos de fazer nenhuma modificação no equipamento, por isso as nanopartículas, o grafeno no caso concreto deste trabalho, irão funcionar como um aditivo ao fluido de transferência de calor existente.

Raquel Salgueira Póvoas, Área de Comunicação e Imagem
info.ciencias@ciencias.ulisboa.pt
LxUs

A equipa LxUs integra alunos das faculdades de Ciências e de Farmácia da ULisboa e é a primeira a representar Portugal no SenSus. Os estudantes desenvolveram biossensores para medição dum fármaco biológico, utilizado para tratar doenças como a artrite reumatoide. Grande parte da equipa é da área da Engenharia Biomédica e Biofísica.

Marissa Verhoeven na HortaFCUL

“O meu estágio foi muito desafiante”, conta Marissa Verhoeven, estudante de Biologia Aplicada na Holanda, após a experiência no projeto de permacultura experimental da HortaFCUL. Na crónica sobre esta experiência partilha os resultados da sua investigação sobre a produção e o uso do vermicomposto, bem como um livro infantil sobre a importância das abelhas.

Paula Simões

Paula Simões ora leciona e orienta alunos, o que geralmente ocupa grande parte das suas manhãs ou tardes, ora ocupa o restante tempo com outras atividades como é exemplo o projeto “Cigarras de Portugal – Insetos Cantores”, no âmbito do qual os cidadãos são desafiados a estarem atentos aos sons das cigarras!

Tiago Guerreiro

O professor de Ciências ULisboa Tiago Guerreiro é um dos novos editores chefes da Association for Computing Machinery (ACM) Transactions on Accessible Computing (TACCESS).

Planta

Grupo de investigadores e responsáveis de instituições de investigação escreveram uma carta aberta de protesto sobre decisão do Tribunal de Justiça Europeu sobre genoma.

Prémio Doutoramento em Ecologia

Francisco Pina Martins, Adrià López-Baucells e Inês Gomes Teixeira são os vencedores do Prémio de Doutoramento em Ecologia 2019. Os trabalhos galardoados serão apresentados durante o 18.º Encontro Nacional de Ecologia, que se realiza em simultâneo com o 15.º Congresso Europeu de Ecologia, entre 29 de julho e 2 de agosto em Ciências ULisboa.

Complexidade da diversidade

"É um erro pensarmos que uma boa equipa de I&DE só deve ser construída com os mais espertos: de facto, é o coletivo, constituído com pessoas que trazem uma gama variável de perspetivas (pontos de vista) para um problema, que obtém os melhores resultados", in no Campus com Helder Coelho.

Chegada à Lua

O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e o Museu da Presidência da República celebram os 50 anos da chegada à Lua.

Campus Ciências ULisboa

Professores de todo o país vão estar reunidos no maior evento de formação acreditada na área do ensino das ciências realizado em Portugal. O VI Encontro Internacional da Casa das Ciências acontece entre os dias 10 e 12 de julho, no campus de Ciências ULisboa.

Logotipo

Tal como sucedeu em edições anteriores, vários professores e investigadores de Ciências ULisboa participam no Ciência 2019 - Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, que decorre em Lisboa até 10 de julho.

Mara Gomes, aluna do 2.º ano do mestrado em Ciências do Mar participou no cruzeiro oceanográfico RV Polarstern em junho passado, sob o lema “Changing Oceans – Changing Future”. “Mara Gomes teve a dupla experiência de participar como cientista e de ensinar os alunos do programa POGO”, conta Vanda Brotas, professora do Departamento de Biologia Vegetal e investigadora do polo de Ciências ULisboa do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE).

Ciências ULisboa

As classificações excelente e muito bom destacaram-se na avaliação feita aos centros de investigação afetos a Ciências ULisboa. Para os próximos quatro anos, Ciências ULisboa pretende continuar a sua aposta na investigação de excelência, agora com um pouco mais de fundos (um acréscimo de mais de quatro milhões de euros).

Falecimento

Ermesenda Fernandes, assistente técnica do Gabinete de Orçamento e Prestação de Contas da Área Financeira da Direção Financeira e Patrimonial de Ciências ULisboa, faleceu esta quarta-feira, dia 19 de junho de 2019. A Faculdade lamenta o triste acontecimento, apresentando as condolências aos seus familiares, amigos e colegas.

Laboratórío em Ciências ULisboa

Leonor Côrte-Real, investigadora do polo de Ciências ULisboa CQE, irá representar Portugal no 6th Young Medicinal Chemist Symposium. A jovem doutorada em Química, especialidade em Química Inorgânica por Ciências ULisboa, foi escolhida pela SPQ para representar Portugal neste simpósio e irá apresentar o trabalho desenvolvido durante a sua tese.

Alunos durante um exercício do FCUL Rally Pro

O evento de Ciências ULisboa que convida os estudantes do ensino secundário a programar já vai na 7.ª edição.

Um estudo publicado na revista "Nature" revela novas evidências sobre a ocupação humana da Sibéria desde há 31 mil anos. Vítor Sousa, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c em Ciências ULisboa, é um dos 54 cientistas envolvidos na investigação.

Maria João Verdasca

Maria João Verdasca iniciou em fevereiro de 2017 o programa doutoral em Biodiversidade, Genética e Evolução. A sua investigação foca-se na modelação espacial de espécies invasoras e no estudo dos seus impactos ecológicos e socioeconómicos. Recentemente foi nomeada ao GBIF Young Researchers Award 2019.

Síndrome do impostor

Uma das formas mais eficazes de lidar com o síndrome do impostor é mesmo falar sobre ele, partilhando entre colegas ou amigos com quem sinta um espaço seguro, os desafios que vai sentindo profissionalmente e perceber que não está sozinho naquilo que sente. Estima-se que 70% das pessoas sofrem deste fenómeno psicológico.

Sala de aula

"Todo e qualquer avanço do saber produz uma nova e profunda ignorância, mais mistérios, o que não é surpreendente, pois o progresso, com os avanços sistemáticos, tende para o desconhecido", in no Campus com Helder Coelho.

Vanézia Rocha

Vanézia Rocha iniciou em setembro de 2018 o mestrado em Biologia dos Recursos Vegetais. Recentemente a jovem cabo-verdiana foi nomeada ao GBIF Young Researchers Award 2019, pelo Conselho Científico das Ciências Naturais e do Ambiente da FCT. Os vencedores serão anunciados antes da 26ª Assembleia Geral do GBIF, que decorrerá na Holanda em outubro de 2019.

Exposição E3

A exposição E3 acompanha os astrónomos britânicos A.S. Eddington, C.R. Davidson e A.C.C. Cromelin e o especialista em relojoaria E.T. Cottingham na sua longa viagem e observações. A 29 de maio de 2019 celebra-se o centenário do eclipse solar total de 1919, observado na ilha do Príncipe e na cidade do Sobral,no Brasil.

João Sousa, investigador no Laboratório de Sistemas Informáticos de Grande Escala, foi distinguido com o prémio DSN 2019 William C. Carter, no âmbito do trabalho desenvolvido na tese de doutoramento "Byzantine state machine replication for the masses", realizada enquanto aluno do Departamento de Informática de Ciências ULisboa.

Pedro Mocho

Pedro Mocho lidera o estudo que identificou uma nova espécie de dinossáurio - Oceanotitan dantasi. Geologia sempre foi a sua paixão. Nos próximos seis anos continuará a estudar a história evolutiva dos dinossáurios saurópodes do Mesozóico Ibérico.

Esqueleto de <i>Oceanotitan dantasi</i> à escala

Uma equipa de paleontólogos identificou uma nova espécie de dinossáurio - Oceanotitan dantasi -, descoberto na Praia de Valmitão, na Lourinhã, em 1996. A identificação da nova espécie confirma a presença de uma grande diversidade de saurópodes no Jurássico Superior de Portugal rivalizando a diversidade já reconhecida nas faunas do Jurássico Superior da América do Norte e de África.

Estudantes a trabalhar

Nuno Silva termina a bolsa Erasmus+ em julho. O programa de mobilidade tem sido na sua opinião uma ótima experiência. Recentemente o aluno de Engenharia Biomédica e Biofísica foi um dos vencedores do Innovation Award da Explore Competition.

Páginas