HortaFCUL

"4 - Educação de Qualidade", "11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis", "13 - Ação Climática", "15 - Proteger a Vida Terrestre"

A HortaFCUL

 

Como surgiu

O projecto HortaFCUL foi criado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) em 2009, dinamizado por um grupo de estudantes interessados na temática da permacultura e de como esta poderá providenciar solução para alguns dos actuais problemas ecológicos, sociais e económicos. Iniciou-se com o envio de uma proposta ao então diretor.

Com o apoio da FCUL e dedicação de alguns voluntários, a HortaFCUL é um jardim alimentício permanente junto do edifício C2, um espaço que liga a agricultura à jardinagem, integra uma dinâmica social em constante mutação, espaço este que é considerado o coração do projecto.

Fotos da hortinha do C2, o berço da HortaFCUL

Objectivos

Este projecto surgiu com o objectivo de sensibilizar e demonstrar práticas mais ecológicas, baseando-se nas éticas, princípios, estratégias, técnicas e ferramentas propostas pela permacultura.​​​​​​​​​

Pretende potenciar os serviços de ecossistemas do campus e, assim, contribuir para a prossecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de Ciências.

Abordagem da HortaFCUL que tenta evidenciar os Serviços de Ecossistemas promovidos e os ODS beneficiados

Para mais informações detalhadas, consulte o Relatório da HortaFCUL.

Capa do Relatório da HortaFCUL

 

Composto e regeneração do solo

Os solos são a matriz que suporta a Vida e, o da cidade está geralmente erodido e poluído, por isso, quando se trata de jardinagem urbana, a regeneração do solo é um dos desafios.

Mais do que plantas, cultivamos solo num ambiente urbano, e estamos a progredir no sentido de transformar a gestão dos "resíduos" alimentares orgânicos da Faculdade num processo circular, num ciclo fechado, contribuindo significativamente para a sustentabilidade ambiental do campus.

Uma das principais ideias subjacentes à nossa ação é não pensar nos resíduos orgânicos como lixo, mas sim como um recurso precioso. Começámos a compostar os resíduos de jardinagem dos nossos espaços desde o início do projeto. Mas sonhámos em alargar esta visão a toda a Faculdade. Para o conseguir, começámos a compostar os detritos provenientes de todas as áreas verdes do campus. Este processo reduz as emissões de carbono e a pegada ecológica do campus, além de diminuir os custos de toda a operação. Adicionalmente, o composto ao ser incorporado nos solos do campus, contribui para a regeneração dos mesmos.

 

Jardinar para a biodiversidade

Convidamo-lo a olhar para a Natureza. Encontre os cantos secretos, os pedaços que sobraram, os pontos aparentemente abandonados de um jardim (o seu ou o vizinho). Poderá ficar surpreendido ao encontrar uma teia de interacções. Se observarmos os sistemas naturais, raramente encontramos plantas a crescer em linhas rectas e uniformemente espaçadas - em vez disso, as policulturas são a forma de a Natureza cultivar. Além disso, para além das plantas, existe uma intrincada teia de vida e de relações entre elas, os animais (especialmente os insectos) e os fungos. Em todas estas relações, há competição, parasitismo e mutualismo em simbiose. A natureza pode parecer um pouco caótica quando comparada com a maioria dos jardins feitos pelo homem. Mas no caos natural existe uma "ordem". Em geral, o que tentamos fazer na permacultura é imitar os padrões naturais e reinventá-los de uma forma que aumente a diversidade de todas as formas de vida e que seja simultaneamente útil e produtiva para os seres humanos.

Mas então, como é que o fazemos?
A ideia é que, mais do que fazer agricultura, estamos a criar ecossistemas. Estes ecossistemas destinam-se a ser paisagens produtivas para as pessoas, mas também para outros seres. Por isso, cultivamos diferentes tipos de plantas (hortaliças, arbustos, árvores) de diferentes formas (valas, canteiros elevados, estufas). Ao aumentar a diversidade vegetal, estamos a aumentar a diversidade de insectos e de fungos. Todas as formas de vida na Terra têm vindo a evoluir em conjunto durante milhões de anos até ao momento atual. Ao cultivar um jardim diversificado em vez de uma monocultura, estamos a cultivar um jardim que é também mais resiliente.

 

Modelo de organização sociocrático

O projecto HortaFCUL é coordenado e gerido por uma equipa de voluntários, intitulados de "Guardiões" da Horta. Estes representam o primeiro círculo de pessoas, responsáveis pelo projeto, sua manutenção e desenvolvimento, através de tomadas de decisão e planificação das atividades.

Existe também um segundo círculo de pessoas que colaboram e ajudam em atividades pontuais do projeto, aos quais chamamos "Amigos da Horta".

O terceiro círculo de pessoas são as que participam nos nossos eventos e workshops, partilhando connosco o gosto e interesse pela permacultura.

O projecto organiza-se segundo um modelo sociocrático não-hierarquizado, com reuniões semanais onde todas as decisões são tomadas em grupo pelos guardiões e onde todas as ideias, críticas e sugestões são vistas com uma mais-valia e uma oportunidade para melhorar as nossas técnicas e metodologias.

Todo o projecto é baseado na vontade dos envolvidos em aprender mais sobre o tema e na sua dedicação voluntária à perpetuação de um projecto original e único às futuras gerações de estudantes da FCUL.

Reunião de guardiões HortaFCUL

 

O que é a Permacultura?

Conceito e definições: a origem da disciplina

O conceito "Permacultura" data dos anos 70, tendo sido pela primeira vez sistematizado pelos australianos Bill Mollison e David Holmgren. Resulta da aglutinação de duas palavras - “permanente” e “cultura” - e é uma abordagem holística focada em soluções para uma Cultura Permanente que, assente numa Ética e através de Princípios, utiliza Estratégias proactivas tendo como recurso Técnicas e Ferramentas inovadoras.

Apesar de bastante concreta, a permacultura tem várias definições dependendo da experiência e criatividade de quem a define. Uma definição dos autores é:

A Permacultura é o planeamento consciente de paisagens que imitam os padrões e relações encontradas na natureza, produzindo abundância de alimentos, estruturas e energia para prover necessidades locais. Reúne diversas ideias, habilidades e modos de vida que precisam ser redescobertos e desenvolvidos de modo a motivar-nos a mudar da condição de consumidores dependentes para de cidadãos produtivos e responsáveis.
(David Holmgren)

Ética e princípios orientadores

No coração da Permacultura estão as suas três éticas que são integradas incondicionalmente nas atividades desenvolvidas e interligadas: Cuidar da terra; Cuidar das pessoas; Partilhar excedentes.

Cuidar da Terra: O nosso planeta é o nosso único recurso. Não só as atividades humanas estão inteiramente dependentes dele, mas também todas as outras formas de vida que nele habitam. A protecção e conservação dos ecossistemas e da biodiversidade serão essenciais para o futuro da nossa espécie. Assim, cuidar da terra é uma ética basilar para um
desenvolvimento sustentável das populações humanas. Para seguir esta ética a HortaFCUL está consciente que todas as suas actividades têm um impacto ecológico. Cabe-nos optar pelas opções em maior equilíbrio com a Natureza.

Cuidar das Pessoas: A permacultura possui também uma importantíssima vertente social, dado que nos organizamos de forma interdependente. Cuidarmos uns dos outros é essencial para uma sociedade justa e equilibrada, com menos desigualdade e competitividade. Ao invés, a permacultura aposta na cooperação, tirando partido da diversidade e sinergia entre elementos, neste caso, pessoas. Aplicamos esta ética na HortaFCUL através do respeito por todos os colaboradores,
reflexão sobre a forma como nos organizamos, comunicamos, tomamos decisões e dividimos responsabilidades.

Partilhar os excedentes: Esta ética refere-se à redistribuição do excedente criado pelas actividades, contribuindo para uma maior equidade inter e intra-específica bem como, inter e intra-geracional. Esta partilha de excedentes pode ser praticada de variadas maneiras, desde a partilha de bens materiais, como alimentos e espaços, como bens não-materiais, como conhecimento, experiência, tempo ou até a boa-disposição e alegria.

Foto da inauguração do primeiro cartaz sobre permacultura

Considerando isto, na HortaFCUL tentamos fechar ciclos, não só partilhando e reutilizando recursos, mas também transformando os desperdícios de uns sistemas em matérias primas de outros.

 

Os espaços com contributos da HortaFCUL

Os guardiões da HortaFCUL têm vindo a expandir a sua área de intervenções e a contribuir direta e indiretamente para vários espaços do campus da FCUL.

Mapa do campus com indicação dos espaços com contributos da HortaFCUL

A Hortinha do C2

A Horta do C2 foi o primeiro espaço criado pelo projecto e desde sempre que tem sido considerada o berço e referência do mesmo. Foi criada em 2009, mas ao longo do tempo tem sofrido sucessivas remodelações e expansões, acompanhando o ritmo de desenvolvimento do projeto.

A Horta possui um pequeno lago, construído em 2010, que confere diversidade ao projecto, permitindo albergar espécies vegetais mais dependentes de água e espécies aquáticas.

Em 2013, a Horta recebeu uma bioconstrução em canas, elevando assim a sua vertente estética, criando um espaço de lazer abrigado e possibilitando o crescimento de espécies trepadoras, como é o caso dos kiwis. Mais tarde, em 2018, refez-se o abrigo com uma solução mais duradoura.

Em 2015, no Ano Internacional dos Solos, a Horta integrou a componente artística ao projeto com a criação de um mural didático feito em graffiti que representa a evolução do planeta e da vida.

Depois de criada uma diversidade de elementos, o desenvolvimento do ecossistema tem sido natural e é hoje uma agrofloresta multifuncional onde os vários estratos vegetais estão em contínuo desenvolvimento, um espaço com cerca de 150m2 de baixa manutenção e de carácter permanente.

Construção do abrigo para estar na hortinha do C2

Banca da Dádiva

Desde 2014, a HortaFCUL mantém uma pequena banca no centro do campus, chamada “Banca da Dádiva”, onde desenvolve e testa o modelo de Economia da Dádiva junto da comunidade FCUL. Esta abordagem alternativa ao modelo da economia de mercado afirma que o consumidor determina o valor de um produto (geralmente, em termos monetários) de
acordo com o que considera justo, tanto em relação à sua própria condição socioeconómica quanto ao trabalho investido na produção de determinado bem. Este modelo é viável apenas quando há um 'contrato' de confiança entre as duas partes (consumidor e produtor), razão pela qual muitos consideram desafiante em termos de implementação. Na Banca da
Dádiva, a HortaFCUL disponibiliza bens que são vistos como excedentes de sua atividade em troca de uma doação para o projeto. O dinheiro angariado na banca é utilizado para financiar as actividades e as iniciativas do projecto Os dois principais produtos disponibilizados à comunidade académica são composto e plantas. Consulte o artigo Banca da Dádiva da HortaFCUL para saber mais sobre este espaço.

Vários momentos da Banca da Dádiva ao longo do tempo

Permalab

Consulte toda a informação deste projeto na página https://ciencias.ulisboa.pt/pt/permalab.

Evolução PermaLab, antes das intervenções em 2016 e em 2023

 

FCULresta

Consulte toda a informação deste projeto na página https://ciencias.ulisboa.pt/pt/fculresta.

Evolução FCULresta, antes das intervenções em 2021 e em 2023

 

BioIlhas

Consulte toda a informação deste projeto na página https://ciencias.ulisboa.pt/pt/bioilhas.

Evolução Bioilha, antes das intervenções em 2023, depois da plantação e passados 3 meses

 

Horta Solar

Consulte toda a informação deste projeto na página https://ciencias.ulisboa.pt/pt/horta-solar.

Foto durante a plantação da horta solar

 

Links importantes:

Emailhortafcul@gmail.com

Facebookhttps://www.facebook.com/hortafcul

Instagramhttps://www.instagram.com/hortafcul

Youtubehttps://www.youtube.com/@TheTeamhorta

 

Membros do projeto: Afonso Ferreira, Ana Catarina Narciso, Ana Morais, André Alves, Anna Grassi, Annika Haag, António Alexandre, António Vaz Pato, Beatriz Vicente, Bernardo Sá-Nogueira, Catarina Alonso, Catarina Pereirinha, Clarisse Hetier, Daniel Lopes, Danyal Habibo, David Avelar, Diogo Mendes, Diogo Ribeiro, Euclides Póvoa, Filipe Silva, Florian Ulm, Francisco Ferreira, Francisco Oliveira, Francisco Silva, Gil Penha-Lopes, Guilherme Weishar, Inês Afonso, Inês Besugo, Inês Costa, Inês Santos, Íris Mota, Ivo Rosa, Jan Frederic, Joana Jerónimo, Joana Pimenta, Joana Rodrigues, João Ramalho, João Sousa, Jobim Convié, Jorge Gonçalves, Júlio Teixeira, Madalena Gaspar, Madalena Horta, Madalena Mariano, Mafalda Chitas, Manuel Botelho, Mar, Marcin Makowski, Maria Cardoso, Maria Cruz, Maria Nuñez, Marina Luque, Marissa Verhoeven, Marta Ferreira, Marta Pernas, Matías MG, Matilde Henriques, Miguel Resendes, Miguel Ribeiro, Miguel Sousa, Nadine Wulf, Nuno Fragoeiro, Pedro Farrancha, Pedro Moreira, Pedro Rosa, Raquel Vicente, Rebecca Mateus, Renata Reynaud, Rosa Val do Rio, Rui Monteiro, Sara dal Corso, Sílvia Bacci, Sofia Moinhos, Tiago Dias, Tiago Silva, Tomás Simões.

 

Para mais informações, contactar sustentabilidade@ciencias.ulisboa.pt.