Física

Fernando Bragança Gil

Foto do Prof. Doutor Fernando Bragança Gil
Fonte: Arquivo MUHNAC

 

Curta Biografia do Professor Fernando Bragança Gil (1927-2009) 

Fernando Monteiro de Bragança Gil nasce a 12 de Dezembro de 1927, em Évora, onde frequenta a escola primária e o liceu, que completa em 1945. Vem então para Lisboa, inscrevendo-se primeiro no Instituto Superior Técnico e depois na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), tendo terminado em 1952 a licenciatura em Ciências Físico-Químicas.

Inicia a sua actividade profissional como professor na Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde lecciona até 1957, ano em que é contratado como investigador no Laboratório de Radioisótopos da Junta de Investigação do Ultramar. Durante a década de 1957 a 1967, organiza o laboratório do Instituto de Medicina Tropical e produz os seus primeiros trabalhos de investigação sobre a utilização de isótopos radioactivos em problemas de medicina e biologia. De 1959 a 1961, vive em Paris com uma bolsa de estudo da Junta de Investigação do Ultramar. Durante esse curto período, publica, em colaboração com G. Y. Petit, dois artigos no Journal de Physique et le Radium e, em Julho de 1961, defende na Universidade de Paris a tese de doutoramento, intitulada “Contribution à l’étude de la famille du Pa231 par des corrélations angulaires de quelques cascades γ- γ et α-γ”.

Em 1961, no regresso ao país e ao seu laboratório de radioisótopos, passa a integrar a redacção da revista Gazeta de Física e inicia em 1962 uma colaboração no Centro de Estudos de Física, anexo ao Laboratório de Física da Faculdade de Ciências. A partir de 1965, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura (IAC), cria naquele centro uma linha de investigação experimental em Espectroscopia Nuclear, e conclui a sua segunda tese de doutoramento, “Contribuição para o estudo do declínio do Th227”, que defende na Universidade de Lisboa em Julho de 1967.  É então contratado como Primeiro Assistente da Faculdade de Ciências, iniciando a sua colaboração no ano lectivo 1967/1968 com a regência da disciplina de Física Atómica e Introdução à Mecânica Quântica. Em 1970 passa a Professor Auxiliar, em 1971 é contratado como Professor Extraordinário e, a partir de 1973, como Professor Catedrático, posição que ocupa até à sua jubilação em 1997. Ao longo da sua carreira esteve sobretudo ligado à docência das disciplinas de Física Nuclear e de Espectroscopia Nuclear, que ele próprio introduziu no curriculum do curso de Física.

É também nesta área que foca a sua actividade de investigação, enquadrada a partir de 1970 no projecto LF1 do IAC. Concorrendo com sucesso a financiamento do IAC, lidera e desenvolve o grupo de Espectroscopia Nuclear, empenhando-se em publicar nas revistas anglo-saxónicas de prestígio na área da física e na internacionalização do seu grupo. Desta actividade viria a resultar, em 1976, a criação do Centro de Física Nuclear da Universidade de Lisboa, que coordenou até 1986, e que existiu como centro financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia até 2014.  

É sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Física e torna-se em 1975 o seu primeiro Secretário-Geral.

Em paralelo com a Física, e correspondendo ao seu interesse pela História e a Arqueologia, os museus, e em especial os museus de ciência, são a sua outra paixão. Profundo conhecedor da museologia científica, tema que estudou ao longo de toda a vida, promove a criação, em 1985, do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, tornando-se o seu primeiro Director. O programa científico, pedagógico e museológico deste museu, que dirige até 2003, é da sua responsabilidade. Este projecto a que dedica a parte final da sua vida foi em 2011 integrado no MUHNAC - Museu Nacional de História Natural e da Ciência, cuja missão integra o essencial da visão do fundador.

Morre em Lisboa, a 24 de Janeiro de 2009.

Lições:

Física Nuclear
Tratamento Estatístico dos Resultados Experimentais

João Andrade e Silva

Professor Andrade e Silva

Curta Biografia do Professor João Luís Andrade e Silva (1928-2017)

João Luís Andrade e Silva nasceu a 2 de janeiro de 1928, na Figueira da Foz. Frequentou os dois primeiros anos do liceu nesta cidade, vindo depois para Lisboa. Matriculou-se no Liceu Pedro Nunes onde terminou o ensino secundário. Durante o período liceal esteve um ano doente, sofrendo tuberculose óssea.

Iniciou a Licenciatura em Ciências Físico-Químicas em 1947 e conheceu Maria Helena Carvalho de Sousa, sua colega de curso, com quem veio a casar-se em 1953. Enquanto estudante universitário foi diretor da CIÊNCIA - Revista dos Estudantes da Faculdade de Ciências de Lisboa. Já no final do curso, foi um dos estudantes da FCUL que solicitaram ao pensador António Sérgio uma palestra sobre Platão, pedido que deu origem a vários encontros e às reflexões contidas nas famosas “Cartas de Problemática”, publicadas, em brochuras individuais, entre 1952 e 1955, e, só quase meio século depois, sob forma de livro. Desde cedo que Andrade e Silva se sentiu atraído pelos fundamentos das ciências, cujas dimensões históricas e filosóficas integrou na sua forma de pensar, fazer e ensinar física.

Terminou a sua licenciatura em 1950 e, em 1953, abandona o Portugal de Salazar, exilando-se em Paris, para onde vai com Maria Helena, com uma bolsa do Instituto Francês em Portugal, seguida de uma outra atribuída pelo Centre Nationale  de la Recherche Scientifique (CNRS). Orientado por Louis de Broglie, prémio Nobel da Física em 1929, a sua dissertação de doutoramento, intitulada La théorie des systèmes de particules dans l'interprétation causale de la mécanique ondulatoire, foi defendida em 1960. Trabalhou no Institut Poincaré, no grupo de investigação de Louis de Broglie durante quase duas décadas, sendo, em conjunto com Georges Lochak, um dos colaboradores mais próximos do Nobel.

Autor de uma vasta obra científica no domínio da Mecânica Quântica não ortodoxa, versando sobre a teoria da dupla solução de Louis de Broglie, ciclos limites, transições quânticas ou termodinâmica da partícula isolada, muitos dos seus artigos científicos foram publicados nos Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, alguns em coautoria com Louis de Broglie e Georges Lochak. Em coautoria com Louis de Broglie escreveu Etude critique des bases de l'interprétation actuelle de la mécanique ondulatoire (Paris: Gauthier-Villars, 1963), com 9 edições e traduzido em três línguas. Data ainda deste período, o livro de divulgação Quanta, Grains et Champs (1969), escrito em coautoria com Georges Lochak, e com prefácio de Louis de Broglie, cujo sucesso se pode avaliar pelas várias edições de que foi alvo e pelas traduções em inglês, português, espanhol, italiano, alemão e holandês.

Em 1971, durante a “Primavera Marcelista”, e por iniciativa do Ministro da Educação, Veiga Simão, regressou a Portugal integrando o Laboratório de Física, hoje Departamento de Física, da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa, como Professor Catedrático. Lecionou Mecânica Quântica e criou um grupo de investigação na área que foi a base da que hoje já começa a ser conhecida pela Escola de Lisboa. Após a revolução de abril de 1974, iniciou a lecionação da disciplina de História das Ideias em Física, considerando-a fundamental na formação dos estudantes de física e empenhando-se, daí em diante, no desenvolvimento da História e Filosofia das Ciências em Portugal.

Para além da criação de uma escola de investigação em mecânica quântica não ortodoxa, o regresso a Portugal levou-o a interessar-se por questões do ensino das ciências e a participar em atividades de organização e de política científicas. Em 1975 tornou-se Presidente do Instituto de Alta Cultura (IAC), vindo a ser o primeiro presidente do Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC), quando este sucedeu ao IAC. Foi, ainda, Presidente do Conselho Científico da FCUL, iniciando funções em 1982, e Diretor da Biblioteca desta faculdade.

Em 1988 assumiu as funções de diretor da prestigiada revista de cultura científica COLÓQUIO/CIÊNCIAS, publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Jubilou-se em 1998. Morreu, em Lisboa, no dia 10 de novembro de 2017.

 

Lições:
História das Ideias em Física (João Andrade e Silva, FCUL-DF)
Mecânica Quântica (João Andrade e Silva, FCUL-DF)

Apontamentos das aulas:
História das Ideias em Física 1983/84 (apontamentos produzidos por Paulo I. Teixeira)

 

José Pinto Peixoto

Foto do Prof. Doutor José Pinto Peixoto

Nasceu em 9 de novembro de 1922 na aldeia de Miuzela, concelho de Almeida, distrito da Guarda. Filho de professores primários, realiza os seus estudos secundários em Lisboa, no liceu Gil Vicente, com o apoio do Instituto do Professorado Primário. Apesar da separação resultante dessa vinda para Lisboa, manterá sempre uma forte ligação à sua terra de origem. No liceu Gil Vicente destaca-se com um excelente desempenho escolar, interessando-se especialmente pela matemática. Terminado o liceu, ingressa na Faculdade de Ciências de Lisboa, onde termina a licenciatura em Ciências Matemáticas em 1944.

Em 1945 surge-lhe uma oportunidade de trabalho que o obriga a uma mudança da sua área de interesse. A um estágio no Instituto Geofísico Infante D. Luís, segue-se o ingresso no Serviço Meteorológico Nacional (SMN), quando da sua criação em 1946. A sede do SMN localizava-se então em Lisboa, na freguesia de Sta. Isabel, a escassas centenas de metros da Escola Politécnica, permitindo uma estreita colaboração entre as duas instituições, ambas então dirigidas por Herculano Amorim Ferreira, Físico e Professor catedrático da FCUL.
Entre 1946 e 1952, Peixoto dedicou-se completamente ao estudo da Física e da Meteorologia completando, nesse ano de 1952, a licenciatura em Ciências Geofísicas, após o que ingressará nos quadros da Faculdade de Ciências como Assistente Extraordinário. Uma grande parte da sua actividade continuará, no entanto, a realizar-se no SMN, onde assume um papel fundamental na formação de quadros e dá origem à Divisão de Estudos que dirigirá até 1974.
Na Faculdade de Ciências, Peixoto assume rapidamente grandes responsabilidades no ensino da Meteorologia. Amorim Ferreira, diretor do SMN e do Instituto Geofísico, tem pouco tempo para se dedicar ao ensino e transfere progressivamente a regência efectiva das cadeiras para o seu assistente. Peixoto, dotado de uma excelente preparação matemática, dedica-se a essa tarefa com grande entusiasmo, renovando o estilo de ensino praticado.
Em 1954, uma bolsa da Academia das Ciências permite-lhe realizar uma estadia de dois anos nos Estados Unidos da América, onde fará a preparação dos trabalhos que vão constituir a sua tese de doutoramento, a apresentar em 1959 na Universidade de Lisboa, e que constituirá o ponto de partida para uma colaboração com a ciência americana, que será a chave fundamental do seu sucesso futuro.

O Ano Geofísico Internacional de 1958

Entre 1954 e 1956, Peixoto estuda no Massachussets Institute of Technology (MIT) onde se integra na equipa de Victor Starr, então responsável pelos primeiros estudos sistemáticos da circulação global da atmosfera. Starr é um dos grandes nomes da Física da Atmosfera no século XX. Nas décadas de 1950 e 1960 reuniu em torno de si uma escola de cientistas, em que se incluíram Peixoto, Edward Lorenz, Barry Saltzman e Abraham Oort, que viriam a ser responsáveis por importantes contribuições para a Teoria da Circulação Global da Atmosfera.
O MIT é então o centro de um conjunto de projetos de investigação concebidos e dirigidos por Starr, cujo objetivo é a compreensão das características fundamentais da circulação global da atmosfera. A rede global de observação meteorológica é ainda incipiente. Em 1958 a comunidade internacional lança uma grande campanha de observação e exploração do nosso planeta, abrangendo todas as áreas da Geofísica, que irá dar origem ao actual sistema de observação contínua. O grupo do MIT toma em mãos a tarefa de analisar o grande volume de dados que começa a ser disponibilizado. Peixoto encarrega-se do estudo do ciclo da água à escala global, desenvolvendo uma metodologia de análise totalmente baseada em dados de sondagens atmosféricas . O resultado desse estudo é a produção dos primeiros mapas globais do transporte de água pela circulação atmosférica, cuja importância veio a ser reconhecida pelos artigos que foi convidado a publicar nas revistas Scientific American e La Recherche.

Os estudos da circulação global da atmosfera

Na sequência da investigação sobre o ciclo da água, Peixoto vira-se para o estudo de outras variáveis meteorológicas. Starr interessava-se muito pelo problema do balanço do momento angular atmosférico, em especial pela explicação dos mecanismos responsáveis pela ocorrência e manutenção dos máximos da velocidade do vento médio na alta troposfera das latitudes médias - as corrente de jato - descobertas na década de 40. Starr mostra a existência de mecanismos de transferência de energia das pequenas para as grandes escalas, ao contrário do que é observado em escoamentos turbulentos laboratoriais. Em 1962, Starr e Peixoto sugerem que esses mecanismos podem ser relevantes noutros sistemas físicos, em particular na dinâmica de galáxias.
Nas décadas seguintes, Peixoto estabelece uma estreita colaboração com Oort, no Geophysical Fluid Dynamics Laboratory (GFDL), em Princeton, que dará origem a publicação de diversos trabalhos de grande impacto, sobre a circulação atmosférica. Nestes trabalhos faz-se uma análise sistemática e muito cuidadosa dos ciclos globais de momento angular , energia e entropia que se tornam obras de referência desta Área. São também da sua autoria alguns estudos sobre a variabilidade interanual do clima. A frutuosa colaboração e amizade entre Peixoto e Oort durará até a morte do primeiro.
Nas décadas de 60 e 70 são desenvolvidos os actuais modelos de circulação global da atmosfera, que virão transformar-se nas principais ferramentas de previsão do tempo e de investigação da dinâmica da atmosfera e do clima. O desenvolvimento desses modelos exige dados precisos sobre a circulação média observada e ideias claras sobre os mecanismos físicos que devem ser incluídos e os balanços globais que devem ser satisfeitos. O sucesso desses modelos vai dever-se muito ao trabalho de diagnóstico da circulação global iniciado por Starr na década de 50 e continuado por Peixoto, e colaboradores, nas décadas seguintes.

Ensino e investigação em Portugal

Desde a sua primeira estadia no MIT até à morte, Peixoto mantém uma colaboração permanente com a ciência americana, com visitas anuais prolongadas, primeiro ao MIT, mais tarde a Atmospheric Environment Research (AER) e ao GFDL. Nestas universidades, em paralelo com a atividade de investigação, leciona cursos de pós-graduação em Meteorologia.
Em Lisboa, Peixoto toma conta do ensino da Meteorologia e mais tarde da Termodinâmica. Nas suas aulas introduz muito do estilo e da qualidade do ensino pós-graduado com que tinha contactado no MIT. O curso de Meteorologia torna-se uma oportunidade para ensinar muitos tópicos de Física e de Matemática que sempre o interessaram e que não faziam parte dos cursos então lecionados nos primeiros anos da licenciatura. Promove igualmente o ensino da Hidrologia e da Oceanografia Física. Devido ao seu estilo muito próprio, estabelece com a maioria dos seus alunos uma relação próxima e estimula o interesse pelo estudo da atmosfera e do clima.
Em 1969, Peixoto é empossado como vice-Reitor da Universidade de Lisboa, cargo que ocupa até 1973. Os tempos, no entanto, não são favoráveis para as mudanças que a sua experiência como cientista parecia justificar. A partir de 1970, assume a direção do Instituto Geofísico, tentando renovar a influência desta instituição na Geofísica portuguesa. Em 1975, lança, juntamente com Luís Mendes Victor, o Centro de Geofísica, local onde se irá integrar, nas duas décadas seguintes, uma geração de novos geofísicos, cuja formação será profundamente marcada pelo contacto com Peixoto.
A partir de 1980, e até 1996, Peixoto assume a presidência da Classe de Ciências da Academia das Ciências de Lisboa e, em anos alternados, a presidência da Academia. Entretanto, vai dividindo o seu tempo entre a Faculdade de Ciências, o Instituto Geofísico, a Academia e colaborações com outras universidades portuguesas - em especial a Universidade da Beira Interior, que ajudou a criar, a Universidade Nova, de cuja Comissão Instaladora fez parte, e a Universidade do Algarve. Continua a passar nos Estados Unidos da América pelo menos dois meses por ano, onde mantêm projectos de investigação em colaboração com Oort. Esta actividade intensa será mantida até às vésperas da morte inesperada em 6 de Dezembro de 1996. Nesse mesmo mês é publicado no Journal of Climate, o seu último artigo em colaboração, sobre a Climatologia da Humidade Relativa.

A Física do Clima

A partir do início da década de 1980 Peixoto dedicou muito do seu tempo à preparação de uma síntese do trabalho de investigação que realizou ao longo de toda a sua vida. Nessa síntese, pretendia reunir uma grande parte dos resultados obtidos na análise da circulação global da atmosfera e também muitas das notas que tinha vindo a acumular em inúmeros cursos de pós-graduação leccionados nos Estados Unidos e em Portugal. Em 1984 é convidado para publicar um longo artigo de revisão na Reviews of Modern Physics intitulado "Physics of Climate" cujo sucesso dará origem, em 1992 ao livro Physics of Climate , publicado pelo American Institute of Physics. O livro torna-se rapidamente numa obra de referência em Meteorologia e Climatologia, mantendo-se ainda hoje como uma das sínteses mais utilizadas no estudo da circulação atmosférica.
O trabalho de Pinto Peixoto foi por diversas vezes reconhecido. Em 1960 foi-lhe atribuído o Prémio Artur Malheiros (Academia das Ciências); recebeu por duas vezes, em 1989 e 1993, o Prémio Boa Esperança; em 1993 foi agraciado com a Grã Cruz da Ordem de Santiago de Espada. Nesse mesmo ano foi convidado para proferir a Lição em memória de Starr no Massachussets Institute of Technology.
Nas palavras de dois amigos e colaboradores de longa data, Oort (GFDL, Princeton) e Saltzman (Yale University):

"Besides his legacy as a prolific and highly creative scientist, as well as an inspiring teacher for many generations of students in Portugal and the United States, José Peixoto will always be remembered by his great qualities. His warmth, sense of humor, and unpretentiousness endeared him to his many colleagues worldwide, particularly in Portugal, and at MIT, AER, and GFDL, where he spent most of his time abroad. As Edward Lorenz of MIT noted, whenever José entered a room the entire atmosphere would immediately brighten. We will all miss his phenomenal energy, enthusiasm, optimism, insight, and curiosity about the world at large."

À data da sua morte, em 6 de dezembro de 1996, Peixoto deixa publicados mais de 50 artigos em revistas internacionais referenciadas, inúmeros textos e livros de divulgação em português e um dos principais livros de referência sobre o Clima. O seu trabalho na Faculdade de Ciências permitiu desenvolver diversas áreas das Ciências Geofísicas, contribuindo para fazer desta escola um dos locais por excelência para o estudo da Terra.

Fotografia e textos disponíveis em https://casaculturapintopeixoto.org/jppeixoto/page21/biografia.html.

Alguns dos livros de divulgação da autoria do Professor José Pinto Peixoto
     

Capa do livro "O Ciclo da Água em Escala Global""
O CICLO DA ÁGUA EM ESCALA GLOBAL, 1979

Capa do livro "A Radiação Solar e o Ambiente"
A RADIAÇÃO SOLAR E O AMBIENTE, 1981

Capa do livro "O Sistema Climático e as Bases Físicas do Clima"
O SISTEMA CLIMÁTICO E AS BASES FÍSICAS DO CLIMA, 1987

Capa do livro "Influência do Homem no Clima e no Ambiente""
INFLUÊNCIA DO HOMEM NO CLIMA E NO AMBIENTE, 1987

Capa do livro "A Água no Ambiente"
A ÁGUA NO AMBIENTE, 1989

Capa do livro "Sistemas Entropia e Coesão"
SISTEMAS ENTROPIA E COESÃO, 1991 

 

José Vassalo Pereira

Professor José Vassalo Pereira

Curta Biografia do Professor José Vassalo Pereira (1944-2016)

José António Vieira Vassalo Pereira nasce a 14 de março de 1944, em Lisboa. Concluído o curso liceal em 1961 no Liceu Normal Pedro Nunes, prossegue a sua formação académica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, ao mesmo tempo que frequenta o atelier do pintor Guilherme Filipe. Termina a licenciatura em Matemática em 1965, e obtém uma bolsa de estudos para doutoramento do Instituto de Alta Cultura. João Luís Andrade e Silva é o mentor do seu ingresso na Universidade de Paris IV, Sorbonne, e da sua integração no círculo dos colaboradores de Louis de Broglie, prémio Nobel da Física, que será o orientador da sua tese de doutoramento em Física, defendida em 1971.

Regressa a Portugal em 1972 e, enquanto cumpre o serviço militar como oficial da Marinha no Instituto Hidrográfico, inicia a docência na Faculdade de Ciências como Professor Auxiliar especialmente contratado do Departamento de Física, onde também são professores João Luís e Maria Helena Andrade e Silva. Terminado em 1974 o serviço militar, é nomeado Professor Auxiliar. Realiza as provas de agregação em Física em 1978, e, em 1979, com a aplicação do novo Estatuto da Carreira Docente Universitária, é promovido a professor Catedrático do Departamento de Física da FCUL, funções em que se manteve até à aposentação em 2002.

Ao longo da sua carreira académica leciona várias disciplinas da área da Física, em particular Métodos Matemáticos da Física, Mecânica Analítica, Mecânica dos Meios Contínuos, Termodinâmica, Física Estatística e Sistemas Dinâmicos. Durante o mesmo período, publica dezasseis artigos científicos, quase sempre como único autor. Até 1982, o seu trabalho de investigação relaciona-se sobretudo com a Mecânica Quântica e o possível desenvolvimento das propostas de de Broglie. A partir de 1982, passou a interessar-se pelos fenómenos de phase-locking e sincronização e, mais em geral, pelos efeitos coletivos em ensembles de osciladores em interação.

A partir da aposentação e até à sua morte, em 30 de abril de 2016, dedicou-se principalmente à pintura.

Lições:
Física Estatística (José Vassalo Pereira, FCUL-DF, 1996, 2003)
Física Estatística-Problemas resolvidos (José Vassalo Pereira, FCUL-DF, 1996, 2003)

 

Noémio Macias Marques

Professor Noémio Marques
Fonte: Miguel Teixeira

 

Curta Biografia do Professor Noémio Macias Marques (1930-2018)

Noémio Macias Marques nasce a 20 de maio de 1930, em Loulé. Faz em Faro o curso do liceu, que completa em 1948, e frequenta a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), onde obtém em 1952 o grau de licenciado em Ciências Físico-Químicas.

Em 1953, é contratado como segundo assistente do 1.º grupo (Física) da 2.ª Secção da FCUL, funções que exerceu até Setembro de 1960, apenas com a interrupção entre setembro de 1954 e fevereiro de 1956 para cumprimento do serviço militar. Nesse período, é encarregado das regências práticas de Eletricidade e de Ótica, e do Curso Complementar de Física, coadjuvando o Professor António da Silveira até 1956, e, posteriormente, os Professores J. Sarmento de Vasconcellos e Castro e M. Telles Antunes. Também nesse período, inicia a sua atividade de investigação sob a orientação de António da Silveira no estudo de estruturas moleculares em soluções por meio da espectrografia do efeito de Raman. Este trabalho experimental decorre até 1965 no Centro de Estudos de Física anexo ao Laboratório de Física da Universidade de Lisboa, em colaboração com Maria Helena Nobre Duarte Silva Alves Paias, até 1956, e, posteriormente, com Manuel Alves Marques.  

Nos cinco anos letivos desde 1960/61 até 1964/65 passa a exercer as funções de regente da Cadeira de Física Geral na Escola Naval, primeiro como professor contratado (1960/61) e, após concurso de provas públicas, como Professor do 2.º Grupo de Cadeiras da Escola Naval. Nesse período, projeta e orienta a construção do Laboratório de Física da Escola Naval.

De outubro de 1965 a julho de 1970, estagia no Laboratoire de Spectroscopie Moléculaire de la Faculté des Sciences de Paris, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura (IAC), para trabalhar sob a orientação de Gilbert Amat na área da Física Molecular, em métodos de cálculo de espectros moleculares de vibração-rotação. Obtém o grau de Docteur  ès-Sciences Physiques em 1970 com a tese intitulada “Hamiltoniens pour la vibration-rotation des molécules triatomiques non-linéaires: comparaison critique et formulation genérale”. No ano letivo seguinte prossegue a sua estada em Paris e a sua atividade no mesmo laboratório, passando a colaborar com Jacques Bordé, na altura aluno de doutoramento de Gilbert Amat.  

Em agosto de 1971, reingressa na FCUL como Professor Auxiliar do Grupo de Física, passando a Professor Extraordinário em fevereiro de 1975 após concurso de provas públicas. É nomeado Professor Catedrático em 1 de dezembro de 1979. Ao longo da carreira na FCUL regeu várias disciplinas avançadas da sua área de especialidade, mas o seu nome fica sobretudo ligado ao ensino do Eletromagnetismo ao nível do 2.º ano do curso de Física.

Na vertente de investigação, prossegue o trabalho iniciado na sua tese, integrado até 1976 no Projeto LF1-I do IAC, dirigido por José Gomes Ferreira, e, a partir dessa altura, dirigindo a Linha de Espectroscopia Molecular Teórica do Centro de Física da Matéria Condensada das universidades de Lisboa (LF6 do I.N.I.C.), que então se fundou.  A ligação a Paris através da colaboração com Jacques Bordé e Gilbert Amat mantem-se ativa durante os anos setenta e oitenta, passando a incluir também a partir dos anos oitenta a equipa de Christian Bordé do Laboratoire de Physique des Lasers em Paris-Nord. Em 1974 acolhe como estudante pós-graduada Maria Laura Gonçalves Palma, que virá a doutorar-se também no Laboratoire de Spectroscopie Moléculaire e a participar nessas colaborações.

Jubila-se em 14 de outubro de 2000. Morre, em Lisboa, no dia 14 de dezembro de 2018.

 

Lições:
Campo Eletromagnético (Noémio Macias Marques, FCUL-DF)
Campo Eletromagnético Apêndices (Noémio Macias Marques, FCUL-DF)
Campo Magnético (Noémio Macias Marques, FCUL-DF)
Corrente Eléctrica (Noémio Macias Marques, FCUL-DF)
Electrostática (Noémio Macias Marques, FCUL-DF)
Electromagnetismo (Noémio Macias Marques, FCUL-DF)
Óptica (Noémio Macias Marques, FCUL-DF)