O que faço aqui? | Silvana Munzi

Silvana Munzi, 45 anos

Project Manager, Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT)
Colaboradora, cE3c - Center for Ecology, Evolution and Environmental Changes
Doutorada em Ciências do Ambiente
 

Silvana Munzi durante um passeio com a Puka e a Roti, as minhas cadelas, ambas adotadas no abrigo onde sou é voluntária
Silvana Munzi durante um passeio com as cadelas Puka e a Roti, ambas adotadas no abrigo onde é voluntária

Nasceu na cidade de Roma e vive no campo, em Portugal. Silvana Munzi (CIUHCT / cE3c) divide seu tempo entre a gestão do projeto de História da Ciência - “Rutter – Making the Earth Global” e a investigação na área dos sistemas simbióticos. Procura soluções que possam servir as áreas da gestão ambiental, agricultura, restauração ambiental e combate às alterações climáticas. A estas preocupações soma a nutrição de biliões de pessoas de forma sustentável, encontrar fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis e eliminar todo o tipo de desperdícios como os grandes desafios da ciência. No seu tempo livre, para além do Tango, dedica-se ao Aikido (uma arte marcial japonesa) e ao voluntariado no Cantinho da Milu, um abrigo para cães abandonados.

Que trabalho de investigação desenvolve?

Silvana Munzi (SM) - Atualmente sou Project Manager do ERC project “Rutter – Making the Earth Global”, no Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) e sou colaboradora do Plant-Soil Ecology (PSE) group, no Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes (cE3c). A minha investigação está relacionada com sistemas simbióticos. Desde sempre trabalhei com líquens, mas juntei-me a um grupo, o PSE, que trabalha com micorrizas e endofitas. Assim, surgiu a ideia de estudar a simbiose a um nível mais geral, procurando aspectos em comuns entre vários sistemas, focando-se nas similaridades e não nas peculiaridades. Neste momento sou também supervisora duma Marie Curie fellow que estuda como a disponibilidade de azoto influencia os processos no solo em ambiente Mediterrânico, em particular as crustas biológicas.

Que respostas pretende encontrar com a sua investigação?

SM - A simbiose é uma estratégia que permite aos organismos de tolerar e responder a uma série de stresses bióticos e abióticos. Os líquens, por exemplo, aguentam condições extremas como a aridez e as temperaturas do deserto. Procuro esclarecer os mecanismos que estão na base desta estratégia para aplicação em gestão ambiental, agricultura, restauração ambiental e combate às mudanças climaticas.

Uma sugestão para quem nos lê (leitura / audição / visualização)...

Dois livros: “The Silver Way” (Peter Gordon e Juan José Morales), mais relacionado com história e “One plus one equals one – symbiosis and the evolution of complex life” (John Archibald).
 

Quando não estou a fazer ciência estou a...

Sou terceiro DAN de Aikido (uma arte marcial japonesa), voluntária no Cantinho da Milu, um abrigo para cães abandonados, e, muito raramente por falta de tempo, danço tango. Agora que vivo no campo, gosto de dedicar-me à minha horta e de organizar churrascadas com os meus amigos.

Quais são para si os grandes desafios da ciência para as próximas décadas?

SM - Nutrir biliões de pessoas de forma sustentável, encontrar fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, eliminar todo o tipo de desperdícios e poluição através de processos como a simbiose industrial.

O que a trouxe para a Ciência?

SM - Muito banalmente, o amor pela natureza e pelas disciplinas científicas na escola.

Que conselhos dá aos mais novos que pensam seguir a carreira de investigação?

SM - É um caminho tão gratificante quanto complicado, façam isso só se tiverem paixão e determinação.

 

* Na rubrica "O que faço aqui?" compilamos entrevistas a investigadores do universo Ciências ULisboa, que nos falam sobre a investigação que fazem, os grandes desafios da ciência mas também de outras paixões que alimentam. Ler todas as entrevistas.