
Joana Bordalo: alumna de CIÊNCIAS e Empreendedora Social, co-fundou um programa de comunicação e educação de ciência que pretende promover a literacia científica e reduzir desigualdades sociais, e que já chegou ao continente e a todas as ilhas portuguesas. Conta-nos na primeira pessoa a sua jornada até à data.
Muitas pessoas associam Ciência apenas a Investigação e Desenvolvimento, mas a verdade é que a Ciência engloba várias vertentes, como a Comunicação e Divulgação, Educação e Formação, Inovação e Indústria e as Políticas Públicas.
Para mim, um dos momentos mais importantes em CIÊNCIAS foi perceber, ao conversar com a Professora Gabriela Rodrigues, que as minhas opções académicas não se limitavam a investigação científica e que poderia desbravar caminho na área de Comunicação de Ciência, um tópico que ao longo da licenciatura não tinha explorado.
Assim, depois de CIÊNCIAS, e de fazer mobilidade nos Açores e na Eslovénia, ingressei no Mestrado de Comunicação de Ciência, que me permitiu duas experiências inigualáveis: uma nos Estados Unidos, onde incorporei durante 5 meses o Gabinete de Comunicação do Institute for Genomic Biology (University of Illinois), ao abrigo de uma Bolsa Fulbright; e outra a nível Europeu, na Native Scientists, que me apresentou ao mundo do Impacto e Empreendedorismo Sociais. Em conjunto com a Joana Moscoso e a Matilde Gonçalves, lançámos em 2021 o programa Cientista Regressa à Escola, que, além de promover a literacia científica e dar ferramentas de comunicação a cientistas de diversas áreas académicas, visa diminuir desigualdades educativas a nível nacional e inspirar as crianças para a Ciência.
Através do programa Cientista Regressa à Escola levamos cientistas de regresso às escolas onde estudaram para realizarem oficinas de ciência práticas com as atuais crianças do 4.º ano e, até à data, já envolvemos mais de 160 cientistas portugueses que inspiraram mais de 5.000 crianças das suas terras-natal.
O programa alicerça-se em valores como a inclusão e a inovação, com vista a alcançar todas as crianças, em particular as que têm menor acesso à Ciência. Para isso, criamos e aplicamos metodologias educativas inovadoras que nos permitem realizar este objetivo. Além disso, o nosso coração está em tudo o que fazemos, porque queremos criar um impacto duradouro e porque acreditamos que a educação é uma aposta a longo prazo. Ambicionamos tornar Portugal o primeiro país no mundo a assegurar que nenhuma criança transita para o 2.º ciclo sem conhecer um/a cientista.
Vivo e trabalho inspirada na frase de Pedro Arrupe: “Não me resigno a que, quando eu morrer, o mundo continue como se eu não tivesse vivido”.
É essa a mensagem que quero passar a toda a comunidade CIÊNCIAS - que usemos o nosso tempo para deixar o mundo melhor do que o encontramos e para nunca desistirmos de sonhos ou ideias por conceber. Não existe “o caminho” a seguir, existe o caminho que desejarmos trilhar.
Co-fundadora do programa Cientista Regressa à Escola da Native Scientists