3.as Jornadas da Energia

O que está a mexer na mobilidade?

Carrinho autónomo de pequena dimensão apresentado na Semana da Mobilidade de Lisboa

IDL

No passado dia 8 de março, realizaram-se as 3.as Jornadas da Energia, inseridas na Semana da Mobilidade de Lisboa. Carla Silva, professora do mestrado integrado em Engenharia da Energia e do Ambiente (MIEEA) e investigadora do Instituto Dom Luiz, lançou o convite a dez empresas para uma discussão sobre os últimos avanços no sector da mobilidade sustentável.

Participantes no workshop
Workshop de transformação da bicicleta para elétrica, dinamizado pela Cicloficina da FCUL, na Semana da Mobilidade de Lisboa

Um dos temas em destaque foi a mobilidade sustentável multimodal muito procurada pelas novas gerações, que deixam de centrar a sua mobilidade num só meio de transporte e passam a utilizar uma variedade de soluções, tais como as bicicletas e os carros elétricos partilhados. A relação entre mobilidade e saúde foi também discutida, após a apresentação de novas formas sensorizadas de contagem de tráfego e monitorização de poluentes, que mapeiam e identificam as zonas com maiores problemas dentro de cada localidade.

Os especialistas realçaram ainda as apostas que estão a ser lançadas em meios de combustível alternativos, como o hidrogénio verde produzido por energias renováveis, sublinhando o que muitos parecem desconhecer: os carros movidos a hidrogénio são também carros elétricos.

Orador e plateia
Um dos oradores das 3as Jornadas da Energia a apresentar ao público soluções de mapeamento de qualidade do ar, tráfego e ruído

Além disso, o biodiesel produzido a partir de óleo alimentar 100% português reciclado e misturado com o gasóleo convencional, foi apontado como um impulsionador da economia circular e alívio das ETAR.

O transporte marítimo - embora responsável pela emissão de enormes quantidades de NOx e PM2.5 ao longo da costa Portuguesa -, é frequentemente deixado de fora neste tipo de conferências. Desta vez, não foi o caso, e foi-nos relembrado que Portugal está especialmente afeto a este problema, dada a grande concentração de rotas de transportes de mercadorias e navios de turismo na costa portuguesa. Uma solução que ainda não foi aplicada no país é a delimitação de zonas de emissões controladas, em que os navios que ultrapassam os valores estipulados para as emissões pagam coimas. Outra das soluções apresentadas, estende-se a todas as problemáticas associadas à mobilidade e consiste na redução do consumismo excessivo e da velocidade de transporte.

Marta Aido, IDL com ACI CIências
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