Crónicas em Ciências

Sebastião Formosinho

Sebastião Formosinho

UC | Paulo Amaral

Sebastião Formosinho licenciou-se em Ciências Físico-Químicas em 1964 pela Universidade de Coimbra. Iniciou aí, como assistente, a sua carreira académica, interrompida por um período como assistente em Moçambique e pelos anos em que realizou o trabalho de doutoramento, entre 1968 e 1971, na Royal Institution of Great Britain/University College, em Londres. Foi professor catedrático desde 1979. A sua atividade científica foi desenvolvida essencialmente na área da Fotoquímica, tendo publicado cerca de 140 artigos científicos e dois artigos de revisão e sendo coeditor de dois livros. Recebeu entre outros, os prémios Ferreira da Silva (Sociedade Portuguesa de Química), Ciência (Fundação Calouste Gulbenkian), Artur Malheiros (Academia das Ciências) e Excelência (FCT), foi sócio de diversas sociedades científicas e pertenceu ao corpo editorial da revista “Journal of Photochemistry and Photobiology”.

Interessou-se pelo ensino, especialmente o ensino da Química, por outras áreas (Sociologia das ciências físicas, ciência e religião) e preocupou-se com a ligação à sociedade. Escreveu dezenas de artigos e livros nestas áreas, tendo recebido prémios (Aboim Sande Lemos da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, INVENTA do Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e inventado patentes. Foi conhecida a sua participação no debate nacional em defesa da coincineração, que incluiu um seminário no Departamento de Química e Bioquímica da FCUL.

O seu recente falecimento abre mais uma lacuna na geração dos cientistas e professores que muito contribuíram para o desenvolvimento da Química em Portugal.

Maria José Calhorda, professora do Departamento de Química e Bioquímica de Ciências
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