Opinião

Riscar o Mundo

Um projeto inovador do Muhnac para a valorização do património científico da Universidade de Lisboa

Marta C. Lourenço
Muhnac

O Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Muhnac) dispõe de um conjunto de cerca de 1800 desenhos de zoologia, botânica e antropologia. Nele se contam os desenhos das expedições científicas setecentistas e oitocentistas de Alexandre Rodrigues Ferreira (Brasil), Manuel Galvão da Silva (Moçambique), Joaquim José da Silva (Angola) e Friedrich Welwitsch (Angola), entre outras. Muitos são inéditos. O seu estado de conservação é excelente, evidenciando uma riqueza e complexidade cromática notáveis. O interesse para a história da ciência, bem como para outras áreas científicas, é inegável. A procura por parte de investigadores de todo o mundo é contínua, sobretudo no caso dos desenhos já publicados (Rodrigues Ferreira e Plantas do Piauí).


Fonte: Desenho de Arquivo Histórico dos Museus da Universidade de Lisboa/Muhnac
Legenda: 18th century botanic illustration, Minas Gerais, Brasil | Manoel Tavares

No entanto, e apesar dos desenhos estarem acessíveis fisicamente no arquivo do Muhnac, estão integralmente por catalogar e disponibilizar online. A explicação é simples. A maioria dos desenhos foi encadernada ainda no Real Museu da Ajuda, no início do século XIX, tendo sido sucessivamente tratados e catalogados como códices (isto é, como livros de uma biblioteca).

O projeto Riscar o Mundo, que conta com uma equipa interdisciplinar portuguesa e brasileira, incluindo investigadores da Faculdade de Ciências da ULisboa, tem como objetivo descrever estes desenhos individualmente, com ênfase na identificação taxonómica das espécies representadas, conservá-los e disponibilizá-los online para acesso livre da comunidade científica e do público. A identificação taxonómica já está a ser feita através do contributo de cidadãos de todo o mundo (Instagram @muhnac_illustrations, em antecipação de uma plataforma online própria de citizen science que será desenvolvida nos próximos meses). O projeto tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Marta C. Lourenço, coordenadora do projeto Riscar o Mundo e subdiretora do Muhnac