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Melanina, venenos de cobra e microalgas tóxicas: investigação de CIÊNCIAS na final do 3MT

João Carlos Silva
3MT ULisboa19 maio, 2026

Depois da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) garantir três lugares na final do 3MT ULisboa 2026, Rafael Almeida, João Sequeira e Miguel Barbosa preparam-se agora para representar a nossa escola na etapa decisiva da competição.

O concurso desafia estudantes de doutoramento da Universidade de Lisboa a apresentarem a sua investigação em apenas três minutos, de forma clara, acessível e envolvente.

Vindos de áreas distintas — da química à bioinformática e às ciências marinhas — os três finalistas partilham a mesma motivação: aproximar a ciência da sociedade e desenvolver competências de comunicação científica.

João Sequeira, Rafael Almeida e Miguel Barbosa.

João Sequeira, Rafael Almeida e Miguel Barbosa, finalistas de Ciências ULisboa, estão entre os 12 estudantes de doutoramento de toda a Universidade de Lisboa que vão disputar a final desta edição da competição.

Rafael Almeida, estudante do Departamento de Química e Bioquímica e investigador do Centro de Química Estrutural (CQE), chegou ao concurso por incentivo das suas orientadoras, Maria José Lourenço e Andreia Valente, ambas do mesmo centro. A sua investigação explora a utilização de melanina extraída de cabelo humano como alternativa sustentável a compostos tóxicos usados em painéis solares.

Rafael Marçal Almeida

Rafael Almeida é estudante de doutoramento e investigador do Centro de Química Estrutural (CQE).

“É bastante interessante como um resíduo comum pode revelar ser uma mais valia à tecnologia, tornando-a mais eficiente e sustentável”, explica o estudante, que vê a presença na final como “um novo desafio”. Rafael destaca também o impacto formativo do percurso no 3MT: “Os workshops de comunicação oral, visual e escrita foram essenciais para chegar a esta fase do concurso”.

João Sequeira, investigador do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI), conheceu a iniciativa através da divulgação feita pela faculdade. Orientado por Miguel Machuqueiro (BioISI), e Adrian Roitberg, da Universidade da Florida, usa ferramentas computacionais para estudar mecanismos associados à dor.

João Sequeira

João Sequeira é estudante de doutoramento e investigador do BioISI.

A sua investigação procura contribuir para a descoberta de novos analgésicos inspirados em venenos de cobras e que possam substituir o uso de opioides. “O objetivo é encontrar alternativas que possam ajudar pessoas com dores muito fortes”, resume.

Para João, chegar à final representa “uma grande honra” e “o reconhecimento das mais variadas competências” desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Entre os aspetos mais marcantes da experiência, destaca o contacto com investigadores de diferentes áreas científicas e as aprendizagens vindas do teatro aplicadas à comunicação científica: “Aprender a evitar zonas do palco onde as tábuas rangem e podem distrair o público” foi uma das curiosidades que mais o surpreendeu.

Também Miguel Barbosa encara esta participação como um reconhecimento do investimento que tem feito na divulgação científica. O estudante investiga a expansão de microalgas marinhas tóxicas no Atlântico e os riscos que este fenómeno pode representar para a segurança alimentar e a saúde pública europeia num contexto de alterações climáticas.

Orientado por Ana Amorim (MARE), Pedro Reis Costa (IPMA) e Alexandre Campos (CIIMAR), Miguel considera que um dos principais desafios do concurso tem sido transformar temas altamente especializados em mensagens acessíveis ao público. “Comunicar algo que me é tão familiar e próximo, porém com muitas especificidades, é difícil”, admite.

Miguel Barbosa

Miguel Barbosa é estudante de doutoramento e investigador do MARE.

Apesar do caráter competitivo do concurso, os três estudantes sublinham sobretudo o valor da experiência enquanto oportunidade de crescimento pessoal e científico.

“Participem, sem hesitar”, aconselha Rafael Almeida. “É uma oportunidade incrível de conhecer um mundo novo, sem ‘sair de casa’”, acrescenta João Sequeira. Já Miguel Barbosa deixa uma mensagem semelhante aos futuros participantes: “Mais do que uma simples competição, é um exercício extremamente útil e uma oportunidade de enriquecimento pessoal”.

final do 3MT ULisboa 2026 realiza-se no próximo dia 21 de maio às 17h00, no Centro de Congressos do Pavilhão de Portugal, integrando o programa da iniciativa “Experimenta o Futuro”, promovida pela Universidade de Lisboa.

Venha apoiar o Rafael, o João e o Miguel e celebrar a investigação que se faz na ULisboa.

Comunicados

O contributo de José Manuel Rebordão no ensino, investigação e gestão académica de CIÊNCIAS.