Quando entrou, pela primeira vez, na Gruta de Vale Telheiro, Ana Sofia Reboleira ainda não conhecia ali qualquer espécie cavernícola endémica, mas algo lhe dizia que a “cavidade” do Concelho de Loulé tinha muito por revelar. “Estava a fazer o doutoramento, e das várias grutas que estudei, esta revelou-se muito interessante porque reunia condições para a existência de muitas espécies cavernícolas”, recorda a professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa).
A primeira análise, feita em 2008, poderia bem ser comparada a um prémio de lotaria da biodiversidade. Em 18 anos de estudo, a investigadora que tem vindo a trabalhar no Centro de Ecologia Evolução e Alterações Ambientais (CE3C) liderou vários trabalhos que permitiram o registo de mais 25 espécies de animais adaptados à vida nas cavernas, e Ciências ULisboa criou uma cátedra com o tema. Em janeiro, o Diário da República trouxe mais uma boa nova: a Câmara Municipal de Loulé concluiu o processo de Classificação de Monumento Natural Local da Gruta de Vale Telheiro.




