Depois da Web Summit, vem sempre o pós-Web Summit. E Inês Neto, coordenadora do Gabinete de Inovação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), conhece bem as duas fases. “É muito importante que, depois do evento, se faça a ativação de contactos estabelecidos durante a Web Summit, porque esses contactos poderão vir de parceiros, investidores ou clientes do futuro!”, diz a responsável pelo Gabinete de Inovação. Para os líderes do projeto de inovação PureTinker e das startups KeepIT e Delox, o futuro já começou a ganhar forma com base no que fizeram durante a Web Summit. Todas estas três iniciativas tiveram como casa de partida a Ciências ULisboa – e todas mantêm agora a esperança de que o telefone ou o correio eletrónico lhes traga novas perspectivas para o futuro.
“Foi uma Web Summit proveitosa, apesar de ser um evento muito grande que se foca muito na tecnologia e na informática e não tanto nestas áreas lúdicas ou envolvem dispositivos mecânicos. E por isso tivemos o desafio de encontrar, na app da Web Summit, mais pessoas que tenham interesses similares ou que queiram conhecer o nosso projeto”, comenta Daniel Valente Matias, aluno de doutoramento que tem vindo a fazer investigação no Centro de Física Teórica e Computacional.
Da passagem pela Web Summit, Daniel Valente Matias retém na memória uma demonstração de curiosidade de um representante de uma marca que admitiu que os protótipos do projeto PureTinker também podem vir a ter utilidade na área do mobiliário. “Não faltaram pessoas a mostrar curiosidade quando passavam pela nossa banca”, exclama o jovem investigador.
O projeto PureTinker tem vindo a ser desenvolvido em Ciências ULisboa com o objetivo de criar uma nova classe de dispositivos lúdicos, que puxam pela cabeça com diferentes tipos de dobragens. O projeto marcou presença na Web Summit ao garantir um espaço dentro do expositor que a Universidade de Lisboa reservou no conhecido certame de tecnologias e empreendedorismo, mas não foi o único projeto com ligações a Ciências ULisboa a marcar presença. A startup KeepIT, que tem por objetivo o armazenamento de energia com um sistema inovador que recorre a ar comprimido, também marcou presença no expositor reservado por ULisboa – e foi aí que deu largas à expectativa de negócio, com os vários contactos estabelecidos.
“A participação de projetos ligados a Ciências ULisboa resultou de um desafio lançado da Reitoria a várias Faculdades da Universidade de Lisboa. Cada um dos projetos selecionados pôde assim dispor de um espaço para contactos e proceder à validação de ideias de negócio com os pares, ou apenas à captação de reações de quem está há mais tempo no mercado”, descreve Inês Neto, sublinhando ainda outro fator: “Os projetos até podem não estar muito avançados e, mesmo assim, serem apresentados na Web Summit. Depende da estratégia de cada um”.

