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Sessão Especial do Clima: cinco especialistas explicam o que se passa com o Tempo

Hugo Séneca
Destaque10 fevereiro, 2026

Os eventos meteorológicos extremos podem ter vindo para ficar. E o País vai ter mesmo de tomar medidas para acautelar o novo cenário climático, alertaram, esta segunda-feira, os cinco investigadores que participaram na Sessão Especial do Clima organizada pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa). A videoconferência juntou cerca de 120 pessoas em torno de especialistas que têm vindo a trabalhar com o Instituto Dom Luiz (IDL), mas não demorou a produzir eco nos meios de comunicação social nacionais que, esta terça-feira, dão nota de alguns dos principais alertas e recomendações dos investigadores de Ciências ULisboa. No painel de especialistas, encontravam-se Alexandre Ramos, Carlos da Câmara, Gil Lemos, Pedro Matos Soares e Rita Cardoso.

Pode rever toda a sessão aqui.

“É uma conjunção (de fatores) quase perfeita para termos, pelo menos na minha memória, o comboio de tempestades mais longo, em muitos anos”, referiu Pedro Matos Soares, professor de Ciências ULisboa e investigador do IDL, citado esta terça-feira pelo Público.

A Sessão Especial do Clima foi lançada em regime de acesso livre com o objetivo de esclarecer a população sobre os fatores que levaram à sucessão de tempestades das últimas semanas. Como seria de esperar, os cientistas convidados não deixaram de alertar autoridades para a necessidade de rever processos e avançar com medidas.

Pedro Matos Soares

Pedro Matos Soares sublinhou que este é o comboio de tempestades mais longo dos últimos anos que assistiu

Carlos da Câmara, professor de Ciências ULisboa e investigador do IDL, recordou que, parte da vulnerabilidade perante as intempéries reside em razões culturais que levam a continuar a construir habitações em leitos de cheia, ou à inexistência de mecanismos mais seguros para fixar telhas no telhado.

Carlos da Câmara

Carlos da Câmara alerta para a necessidade de fomentar uma nova cultura que permita enfrentar as intempéries

"Temos muito mais a tendência para culpar a ministra da Administração Interna, o Governo central, as autarquias, e eu digo que a primeira coisa começa por uma questão de cidadania e de responsabilidade face a ventos extremos, e continuamos muito longe do que é desejável", referiu Carlos da Câmara, citado pela RTP Notícias.

“Estamos com tempestades atrás de tempestades e elas estão de certa forma presas no Atlântico Norte"

A Sessão Especial do Clima também ajudou a dissipar algumas ideias pré-concebidas que nem sempre são confirmadas pela realidade. Rita Cardoso, investigadora do IDL, reiterou a confiança nos modelos climáticos, por terem por base as leis da física. Sobre os eventos meteorológicos mais recentes, a explicação remeteu para fenómenos que até nem estão nas imediações do País. “Estamos com tempestades atrás de tempestades e elas estão de certa forma presas no Atlântico Norte devido a duas altas pressões. Uma delas está centrada nos Estados Unidos da América e a outra na Escandinávia e no Centro da Europa”, explicou a investigadora.

Rita Cardoso

Rita Cardoso recorda que os modelos climáticos respeitam a física

No imaginário popular, não faltam teses que apontam para o fim das quatro estações, mas Gil Lemos, professor de Ciências ULisboa e investigador do IDL, revela uma previsão um pouco diferente, que mantêm o ano dividido nos quatro períodos com as devidas diferenças meteorlógicas. «Do ponto de vista das projeções climáticas sabemos que vamos ter um aumento gradual das temperaturas ao longo das próximas décadas, mas também sabemos que esse aumento não será uniforme ao longo do ano», refere Gil Lemos.

Gil Lemos

Gil Lemos prevê que as quatro estações do ano continuem a ser distinguíveis em Portugal

Alexandre Ramos, investigador do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, e colaborador do IDL, trouxe para o debate uma visão que vem literalmente das nuvens. Nos últimos tempos, o investigador português tem vindo a estudar rios atmosféricos a bordo de aviões que recolhem dados sobre os agora famosos rios atmosféricos. Sobre as missões científicas que o levam a voar rumo aos rios atmosféricos diz que “a única coisa que uma pessoa ver, quando passa de avião é uma camada bastante extensa de nuvens”.

Alexandre Ramos tem vindo a estudar rios atmosféricos a bordo de um avião

Alexandre Ramos tem vindo a estudar rios atmosféricos em missões aéreas

“Estes aviões têm instrumentos a bordo que permitem estudar o estado da atmosfera quer com observações in situ quer com observações remotas”, começa por referir Alexandre Ramos, sem deixar de notar que a mais recente campanha científica em que está a participar tem por objetivo suprir a falta de informação sobre as condições iniciais dos rios atmosféricos em certas regiões dos oceanos, que acabam por induzir erros nos modelos climáticos e nas previsões meteorológicas. “Um dos objetivos deste projeto passa por melhorar a previsão, mandando as previsões iniciais mais certas, por exemplo, sobre os rios atmosféricos, para os diferentes centros que correm modelos de previsão”, explicou Alexandre Ramos.

A Sessão Especial do Clima na imprensa:

Portugal viveu um dos comboios de tempestades mais longos de que há memória - Público

País suscetível, vulnerável e sem cultura de risco - RTP Notícias

País susceptível, vulnerável e sem cultura de risco - 24 Notícias Online

Portugal vulnerável a eventos extremos e sem cultura de risco - Barlavento Online

País susceptível, vulnerável e sem cultura de risco - Diário de Notícias da Madeira

Mau tempo: País suscetível, vulnerável e sem cultura de risco, alerta especialista - Executive Digest

Não há, para já, fim à vista para as tempestades. Mas tudo indica que estes fenómenos serão mais frequentes e severos - Green Savers

Há pouca noção disso, mas Portugal é um país suscetível a eventos climáticos extremos - AEIOU.pt Online - ZAP AEIOU Online

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