Nas semifinais das Olimpíadas de Química Júnior, estava tudo pronto à espera do engenho dos alunos do 3° ciclo do Ensino Básico – e tudo ficou concluído com o anúncio dos vencedores destas eliminatórias que levaram à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) mais de 80 alunos acompanhados por professores de 28 escolas da região de Lisboa, Oeste e Ribatejo. No final, foi o trio de alunos do Colégio Pedro Arrupe, de Lisboa, que saiu com o sorriso mais radiante de todos e com a qualificação direta para a final da competição da Sociedade Portuguesa de Química (SPQ), que se realiza a 16 de maio, em Coimbra.

Semifinais de Química Júnior apuram equipa que vai disputar final em Coimbra

As alunas Charlize Fonseca, Madalena Lobão, Mariana Amendoeira e o professor Bernardo Anágua garantiram um lugar na Final das Olimpíadas da Química
“Vínhamos cá para tentar ganhar. Já tínhamos participado uma vez e empatámos no segundo lugar. E como não ficámos contentes queríamos voltar a tentar”, responde Madalena Lobão, estudante do Colégio Pedro Arrupe.
Charlize Fonseca, colega de escola e de equipa também não escondeu a expectativa para a final agendada para Coimbra: “Quero dar o meu melhor e divertir-me, mas também quero passar à competição internacional, claro!”.

Foto de grupo com todos os estudantes, professores e membros da organização das Olimpíadas de Química Júnior
Por seu turno, Mariana Amendoeira, que completa o trio que garantiu um lugar na final e vai disputar a passagem à competição internacional, não esconde que é o estudo que faz a diferença: “Tudo o que estava na prova eu tinha estudado na escola”.
Bernardo Anágua, professor da equipa vencedora desta semifinal regional, deu voz ao ditado que diz que o esforço compensa. “Fizemos alguma preparação e continuaremos com essa preparação (para a Final), mas de forma muito equilibrada”, reiterou o professor de Física e Química.
Além do primeiro lugar alcançado pelo Colégio Pedro Arrupe, as semifinais da Química Júnior que se realizaram em Ciências ULisboa completaram o pódio com a atribuição do segundo lugar à Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico de Coruche; e o terceiro lugar à Escola Básica Parque das Nações. Há ainda a possibilidade de a equipa que ficou em segundo lugar poder ser repescada para a Final de 16 de maio, dependendo da comparação das pontuações obtidas nas várias regiões do País.

Maria Luísa Moita, Olinda C. Monteiro e Ana Sofia Mestre coordenaram a organização das semifinais das Olimpíadas de Química Júnior em Ciências ULisboa
“É nesta fase que podemos dar o clique para que estes jovens comecem a interessar-se pelas ciências. Ainda são muito, muito novos, mas estas olimpíadas servem também para sensibilizar estes alunos… para que um dia tenhamos fortes candidatos a alunos para as áreas das ciências!”, sublinha Olinda C. Monteiro, professora de Ciências ULisboa.
O evento em Ciências ULisboa foi organizado, pelo Departamento de Química e Bioquímica. Enquanto as professoras Ana Sofia Mestre, Maria Luísa Moita e Olinda C. Monteiro asseguraram a coordenação dos trabalhos, vários estudantes dos cursos lecionados pelo Departamento compareceram à chamada e vestiram literalmente a camisola de Ciências ULisboa enquanto recebiam os participantes das várias escolas e colaboravam nas diversas tarefas logísticas do evento.

As Olimpíadas de Química Júnior juntaram alunos de 28 escolas em Ciências ULisboa
José Manuel F. Nogueira, presidente do Departamento de Química e Bioquímica de Ciências ULisboa, assumiu o papel de anfitrião no arranque dos trabalhos, enquanto Cristina Moiteiro, investigadora e professora do mesmo departamento, abordou a temática da valorização de resíduos de origem natural, numa palestra destinada aos professores que acompanharam as equipas das diferentes escolas, que decorreu enquanto os estudantes realizavam as provas.
Veio de Ana Sofia Mestre a recomendação para professores e concorrentes que acabou por resumir todo o evento: “Queremos que tenham uma manhã muito bem passada!”.
Pelas palavras de Egor Gaevschii, não terá sido especialmente difícil pôr em prática a recomendação. O aluno do Agrupamento de Escolas de Forte da Casa, do Município de Vila Franca de Xira, confessa que gosta da disciplina de Química – e que é essa área que pretende seguir nos próximos tempos. “Gosto dos elementos (da Tabela Periódica). Por exemplo, posso olhar para o magnésio e querer saber como é que funciona na Natureza ou no corpo humano”, descreve o jovem estudante.
“Nestes eventos, o mais importante é mesmo abrir os horizontes e levar os alunos a conhecerem pessoas e atividades diferentes daquelas que encontram nas escolas"
Sendo uma competição, as Olimpíadas de Química Júnior dificilmente se livram das expectativas de alunos e professores. E nesse caso, há valores mais altos que também se levantam. “Nestes eventos, o mais importante é mesmo abrir os horizontes e levar os alunos a conhecerem pessoas e atividades diferentes daquelas que encontram nas escolas”, descreve José Figueira, professor da Escola Básica e Secundária Rosa Matilde Araújo, de Cascais.
Membros da comunidade de Ciências ULisboa que ajudaram a organizar as Olimpíadas
Independentemente do lugar alcançado, há uma vitória que estará sempre garantida nestas competições, sublinha Elisabete Assunção, professora de Física e Química do Agrupamento de Escolas Alfredo da Silva, do Barreiro: “Trouxemos três alunas do 9° ano. Participámos pela experiência e também para que as nossas alunas pudessem ter um contacto mais próximo com o ensino superior. Além disso queremos gerar curiosidade e o bichinho pelo espírito científico”. A avaliar pelas reações, a missão foi cumprida.