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“Sem Ciência de Dados, não existe Inteligência Artificial”

Tecnologia•25 junho, 2026

Nova Licenciatura

O ano letivo de 2026-2027 traz uma nova Licenciatura em Ciência de Dados à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa). O curso foi desenhado para dar resposta à crescente procura de profissionais na área da Ciência de Dados e Inteligência Artificial (IA) num contexto em que todos os sectores lidam com fluxos de informação cada vez mais complexos e céleres.

Cátia Pesquita, coordenadora da nova Licenciatura em Ciência de Dados e professora do Departamento de Informática, explica como o curso da Ciências ULisboa pode fazer a diferença ao complementar fundamentos teóricos com aplicações práticas e a escolha entre duas especializações. “Sem Ciência de Dados, não existe a Inteligência Artificial que conhecemos hoje”, afirma. “É uma área que reúne os dados, os métodos estatísticos, os algoritmos e a capacidade computacional necessários para desenvolver soluções de IA, sem esquecer a forma como estas tecnologias interagem com as pessoas.”

Cátia Pesquita

Cátia Pesquita sobre a nova licenciatura: "A Ciência de Dados tornou-se uma área fundamental em múltiplos domínios científicos, tecnológicos e económicos"

Podemos ver a licenciatura em Ciência de Dados como uma resposta às necessidades do mercado?

A Ciência de Dados é hoje incontornável. Há 10 anos, Ciências ULisboa foi pioneira ao criar o primeiro mestrado em Ciência de Dados em Portugal. Nessa altura, a Ciência de Dados era vista como uma área de especialização, que recebia pessoas que vinham de outras formações de base que queriam ganhar alguma capacidade extra em extrair conhecimento de dados. Hoje, a Ciência de Dados tornou-se uma área fundamental em múltiplos domínios científicos, tecnológicos e económicos. Está também na base de grande parte da Inteligência Artificial que atualmente está a transformar a sociedade. Sem dados, estatística, algoritmos e computação, não é possível desenvolver os sistemas de IA que conhecemos.

Quais os requisitos de acesso à licenciatura em Ciências de Dados?

As nossas provas de acesso são a Matemática A por si só ou em conjugação com uma das seguintes provas: Biologia e Geologia, Física e Química ou Economia.

Que saídas profissionais tem o curso?

A licenciatura prepara profissionais para trabalhar nas áreas mais avançadas da Inteligência Artificial e da Ciência de Dados. Entre as principais saídas profissionais encontram-se funções como cientista de dados, engenheiro de machine learning, engenheiro de dados e especialista em Inteligência Artificial, com competências em algoritmos, modelos e infraestruturas computacionais de alto desempenho.

Ao longo do curso, os alunos desenvolvem competências em algoritmos, modelos, estatística, processamento e engenharia de dados, assim como em infraestruturas computacionais de alto desempenho. Ficam, por isso, preparados para intervir ao longo de toda a cadeia de valor dos dados: desde a sua recolha, gestão e processamento até à criação de modelos, ao apoio à tomada de decisão e ao desenvolvimento de soluções inteligentes.

"Os alunos vão poder trabalhar com peritos de IA ou peritos em diferentes domínios de aplicação da Ciência de Dados, durante o desenvolvimento de projetos ou a conclusão de disciplinas associadas a projetos"

É correto concluir que todos os sectores vão precisar de profissionais especializados no tratamento de dados?

Sem dúvida. É uma área em forte crescimento. No LinkedIn já se veem inúmeras ofertas de emprego especializadas em ciência de dados, engenharia de dados, análise de dados, e cada vez mais em posições com designações em inglês como Machine Learning Engineer, AI Specialist. Portanto, todas estas carreiras já estão estabelecidas e em crescimento, quer a nível internacional como nacional. Além disso, estes profissionais podem trabalhar em qualquer sector... Há algum setor onde não haja dados?

Pois… é provável que não haja. E o que se aprende ao certo em Ciência de Dados? Que técnicas, métodos e disciplinas vão ser lecionados?

A nova licenciatura em Ciência de Dados é única no País pela forma como organiza o plano de estudos. Há licenciaturas de dados muito orientadas para a gestão – e é natural que assim seja, pois a Ciência de Dados é muito importante para a gestão. Mas existe uma lacuna e este curso vem, obviamente, suprí-la com duas grandes ideias. A primeira dessas ideias consiste num plano de estudos desenhado para dar aos alunos a capacidade de entenderem princípios fundamentais que regem a Ciência de Dados. Isto é essencial num mundo em constante mudança, em que os avanços da IA se tornam cada vez mais rápidos… As tecnologias mudam. Hoje é uma, amanhã sai outra. Mas os princípios fundamentais não. A segunda ideia que aplicámos a este curso passa pela capacidade de aliar estes princípios fundamentais à capacidade de os pôr em prática num projeto real, logo na licenciatura e em colaboração com áreas de aplicação. É desta sinergia entre os fundamentos e a prática que nasce a capacidade de aprendizagem contínua e permanente adaptação, essencial nos dias de hoje.

Além da vertente prática, também se nota aí uma aposta na especialização!

Este curso contempla uma especialização em IA e outra em Ciência de Dados Aplicada. Ambas incluem o desenvolvimento de um projeto no terreno. Os alunos vão poder trabalhar com peritos de IA ou peritos em diferentes domínios de aplicação da Ciência de Dados, durante o desenvolvimento de projetos ou a conclusão de disciplinas associadas a projetos. Estamos a falar de áreas como as alterações climáticas, a energia, a sustentabilidade, a biodiversidade, a medicina personalizada, a física dos materiais, o desenho de novas moléculas – temas em que Ciências ULisboa faz investigação da mais avançada. Isso é único no panorama nacional; não existe outra escola portuguesa que consiga oferecer isto.

estudantes a trabalhar no Lasige

As tecnologias evoluem rapidamente, mas os ensinamentos da nova licenciatura em Ciência de Dados prometem preparar os futuros profissionais para essa evolução acelerada

Quem são os professores desta licenciatura?

O grande foco do plano de estudos é, obviamente, a área da informática e computação e também a área da matemática e da estatística, que são componentes essenciais da Ciência de Dados. Temos um corpo docente nestas áreas do saber, com pessoas que fazem investigação de topo a nível internacional e que têm também esta capacidade de inovar e de produzir impacto social. Este grupo mais central do corpo docente é, depois, complementado pelas disciplinas opcionais da fase de especialização, que cobrem todas as áreas de Ciências ULisboa… da Biologia à Química e Bioquímica, da Física às Ciências da Terra e da Energia. É algo que ajuda a abrir portas para especializações futuras e para o mercado de trabalho, mas é também uma oportunidade genuína de experimentar algo de forma integrada e personalizada, que se ajusta àquilo que os alunos querem explorar.

Qual a empregabilidade prevista para este curso?

O curso vai arrancar em setembro e, portanto, ainda não temos estatísticas de empregabilidade, mas posso lembrar que a empregabilidade do nosso mestrado em Ciências e Dados tem uma empregabilidade muito, muito próxima de 100%. Temos alunos a trabalhar em algumas das principais empresas tecnológicas, mas também, por exemplo, nos setores financeiro, energético ou da biotecnologia. Alguns seguiram ainda o caminho do empreendedorismo, e estão em startups tecnológicas a desenvolver a próxima geração de soluções baseadas em Ciência de Dados e IA.

A licenciatura constitui também uma base sólida para o prosseguimento de estudos no nosso mestrado, onde os estudantes podem aprofundar competências, especializar-se e desenvolver uma dissertação em contexto empresarial ou de investigação. É essa continuidade — entre fundamentos, especialização e aplicação — que queremos oferecer desde o primeiro dia.

 

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