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Professora de Ciências, Margarida Amaral, integra grupo fundador da FEBS Research Academy

Lídia Belourico
Química e Bioquímica30 julho, 2026

Margarida Amaral, professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e investigadora do BioISI, foi nomeada Founding Member da FEBS Research Academy, uma distinção que a coloca entre um grupo restrito de cientistas de referência internacional. Nesta entrevista, partilha o significado deste reconhecimento, reflete sobre o seu impacto para a investigação desenvolvida na Ciências ULisboa e deixa uma mensagem às novas gerações de investigadores.

O que representa, para si, ter sido escolhida como Founding Member da FEBS Research Academy?

Ser escolhida como membro fundador representa o reconhecimento formal de conquistas científicas excecionais, liderança e contributos duradouros para as ciências moleculares da vida. Como a Academia está atualmente a definir a sua identidade, tradições e padrões de excelência, esta nomeação carrega um significado particular, pois permite ajudar a desenhar o desenvolvimento futuro, as iniciativas e os valores da instituição.


Considerando que esta academia reúne algumas das mais prestigiadas figuras internacionais das ciências da vida, incluindo laureados com o Prémio Nobel, o que significa integrar este grupo fundador?

Integrar este grupo, que já conta com a aceitação de vários laureados com o Prémio Nobel como membros honorários fundadores, significa fazer parte de uma comunidade de elite dedicada à excelência científica na área das ciências moleculares da vida. Representa a inclusão num fórum internacional de intercâmbio e liderança, onde cientistas cujas descobertas moldam o futuro da ciência colaboram para fortalecer o papel das ciências da vida na sociedade.

"Integrar este grupo, que já conta com a aceitação de vários laureados com o Prémio Nobel como membros honorários fundadores, significa fazer parte de uma comunidade de elite dedicada à excelência científica na área das ciências moleculares da vida."

Na sua perspectiva, qual poderá ser o impacto da FEBS Research Academy na promoção da excelência científica e da colaboração internacional?

A Academia ambiciona tornar-se um centro de excelência internacional prestigiado, funcionando como um catalisador para a investigação, inovação e colaboração entre cientistas de todo o mundo. O seu impacto residirá no fortalecimento da voz da ciência a nível internacional e no apoio a atividades que promovam o conhecimento para o benefício da sociedade.


De que forma acredita que esta nomeação poderá reforçar a visibilidade da investigação desenvolvida na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e no BioISI?

 O prestígio desta nomeação reflete-se diretamente na instituição de origem, sendo os membros incentivados a utilizar a designação FRAM (FEBS Research Academy Member) nas suas afiliações para espalhar o reconhecimento e prestígio da FEBS. A presença de um membro da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa num grupo tão restrito de investigadores de topo, que inclui laureados com o Prémio Nobel, eleva a visibilidade internacional da investigação aí desenvolvida. Neste contexto, este reconhecimento constitui uma oportunidade estratégica que, faço votos, a minha Instituição saiba capitalizar para reforçar o seu posicionamento global e o prestígio da ciência de excelência que aqui produzimos.

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"A presença de um membro da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa num grupo tão restrito de investigadores de topo, que inclui laureados com o Prémio Nobel, eleva a visibilidade internacional da investigação aí desenvolvida."

Ao longo da sua carreira, quais considera terem sido os momentos ou contributos mais determinantes para este reconhecimento?

Este reconhecimento refletirá certamente contributos ao longo do meu percurso científico, considerados pela FEBS como excecionais para o conhecimento, e que se materializaram em quase 200 publicações em revistas de topo como a Cell, PNAS, Nature Genetics ou Lancet Respiratory Medicine. Como evidência do impacto global desta investigação, sou reconhecida entre os 2% de Highly Cited Researchers desde 2020 (Mendeley/Stanford University) e ocupo atualmente a 2.ª posição em Portugal na área de Biologia Molecular (Research.com).

Julgo terem contribuído também outros fatores determinantes, entre os quais, o impacto na mentoria e formação, através da direção de programas de doutoramento a nível nacional e internacional, da orientação de mais de 25 alunos de doutoramento e de inúmeros investigadores de pós-doutoramento; a liderança e colaboração internacional, com participação em 44 projetos de investigação e coordenação científica de grandes consórcios europeus multicêntricos; o reconhecimento institucional e pelos pares, como a eleição para membro da EMBO ou da Academia das Ciências de Lisboa; e as distinções de mérito, entre as quais o Prémio Pfizer de Investigação Biomédica Básica e o Prémio Anual da European Cystic Fibrosis Society, que validam a qualidade e a relevância da ciência que desenvolvemos.

Enquanto membro fundador, que contributo espera dar ao desenvolvimento e às atividades da FEBS Research Academy?

Espero contribuir ativamente para o estabelecimento das diretrizes e missões da FEBS Research Academy, participando em reuniões e iniciativas que ajudem a definir o seu rumo e a dinamizar as suas atividades. O meu contributo passará por fornecer aconselhamento e orientação científica, propor e apoiar iniciativas da FEBS na promoção da excelência tanto na investigação como na formação de novos cientistas.

Pretendo ainda utilizar a minha experiência em liderança para apoiar as futuras gerações de investigadores, fortalecendo a voz da ciência a nível internacional. Neste âmbito, considero muito importante poder contribuir para influenciar as políticas nacionais dos países membros da FEBS, no sentido de reforçarem as respetivas carreiras científicas, para que os jovens não desistam da Ciência.


Que mensagem gostaria de deixar aos jovens investigadores que ambicionam construir uma carreira científica com impacto internacional?

A mensagem que gostaria de deixar é que a excelência e o impacto profundo e duradouro na ciência são as chaves para o reconhecimento internacional, mesmo que, por vezes, a nível nacional ou institucional, esse reconhecimento demore a chegar. A FEBS Research Academy tem como um dos seus objetivos centrais apoiar as futuras gerações de investigadores, e o facto de este convite surgir de um comité de elite mundial demonstra que o mérito científico e o contributo para o avanço do conhecimento são os valores que acabam por prevalecer. O meu conselho é que mantenham o foco na qualidade da investigação e na integridade profissional, pois a validação pelos pares internacionais acaba por reconhecer a resiliência e a visão de quem trabalha para o benefício da sociedade.

Gostaria de acrescentar alguma reflexão sobre o significado desta distinção para a ciência portuguesa?

Esta distinção sublinha a qualidade da ciência produzida em Portugal, colocando uma investigadora portuguesa ao lado das figuras mais proeminentes da área a nível mundial. Como Portugal é um dos países constituintes da FEBS, esta eleição demonstra que a investigação nacional cumpre os mais elevados padrões de excelência internacional e tem um papel ativo na moldagem do futuro das ciências moleculares da vida na Europa e fora dela.

Comunicados

Ciências ULisboa apresenta relatório com recomendações para a futura Agência para a Investigação e Inovação.