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Pedro Machado explica desfile planetário que pode ser visto este fim de semana

Hugo Séneca
Astrofísica27 fevereiro, 2026

O fim de semana promete animar os fãs da astronomia com um “desfile planetário” que vai permitir visualizar Mercúrio, Vénus, Júpiter e Saturno, sem recurso a instrumentos de observação. Além da localização a olho nu destes quatro planetas do sistema solar, este curioso alinhamento contempla ainda como atrativo a possibilidade de localizar Urano e Neptuno, mediante o uso de binóculos potentes ou telescópio. O curioso fenómeno pode ser observado nas noites de sexta-feira, sábado e domingo, mas será na noite de sábado que deverá ter maior visibilidade, explica Pedro Machado, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e do Instituto de Astrofísica e Ciências dos Espaço (IA).

"Quem quiser ver Vénus, Mercúrio e Saturno deverá tentar olhar o céu durante os 40 minutos que se seguem ao pôr do Sol", explica Pedro Machado. "Júpiter pode ser visto ao longo da noite, nas imediações da Lua", acrescenta o investigador.

Para se conseguir observar Vénus, Mercúrio e Saturno, será necessário olhar o céu em direção a Oeste, após o pôr do Sol.

Pedro Machado

Pedro Machado recorda que este "desfile planetário" só deverá repetir-se em 2040

Enquanto Vénus distingue-se pelo brilho, Mercúrio, que deverá surgir nas imediações, exigir um pouco mais de esforço por ter menos luminosidade. Saturno encontra-se num ponto um pouco mais alto, e também tem menos luminosidade que Vénus. O intervalo de visualização que se segue ao pôr do Sol está relacionado com as trajetórias dos planetas e o facto Vénus e Mercúrio executarem órbitas mais próximas do Sol que a Terra.

Uma vez localizados Vénus e Saturno, será possível procurar Neptuno - mas neste caso já será necessário usar telescópio ou binóculos de grande alcance. Estes equipamentos de observação também serão necessário para quem pretende localizar Urano, que deverá situar-se um pouco abaixo de Júpiter, nas imediações do aglomerado das Plêiades.

Já há aplicações de telemóvel que ajudam no processo de localização dos vários planetas. Quem enveredar por essa alternativa deverá ter o cuidado de reduzir ao máximo a luminosidade do ecrã do telemóvel, para não perturbar a habituação dos olhos à escuridão, lembra Pedro Machado.

Apesar de se ter verificado ao longo do mês, é durante este fim de semana que o “desfile planetário” se torna mais visível.

Na entrevista à TSF, o professor de Ciências ULisboa recorre a uma metáfora que tem pontos em comum entre as posições que os planetas vão assumindo ao longo do tempo face ao Sol e as “azeitonas em cima de uma pizza”.

O investigador recorda ainda que os planetas rodam em torno do Sol a diferentes velocidades. E é este fator que também torna tão especial este alinhamento de planetas. Não é esperado nenhum efeito físico ou perturbações à escala macroscópica, mas o investigador confirma que este alinhamento deverá "produzir perturbações gravitacionais que não são relevantes".

“O que acontece é que eles vão estar em zonas diferentes do céu e, por exemplo, à noite, nós não conseguimos ver, em geral, muitos planetas no céu ao mesmo tempo", explica Pedro Machado.

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