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Nova direção já tomou posse: “Não é um projeto individual; é um projeto coletivo!”

Hugo Séneca
20 janeiro, 2026

A nova direção Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) iniciou, esta terça-feira, o primeiro dia do resto do mandato perante um auditório repleto de professores, estudantes e profissionais não-docentes que por mais de uma vez se levantaram em aplausos. Conceição Freitas, a recém-empossada diretora, não desperdiçou a oportunidade de retribuir o entusiasmo e dar o mote no discurso inaugural. “Este não é um projeto individual; é um projeto coletivo!”, lembrou a nova diretora que fez carreira no Departamento de Ciências da Terra e Energia e foi presidente do Conselho Científico de Ciências ULisboa.

Luís Correia, Conceição Freitas, Luís Ferreira e Luís Carriço na hora da entrega da chave do gabinete da direção

Luís Correia, Conceição Freitas, Luís Ferreira e Luís Carriço na hora da entrega da chave do gabinete da direção

Além da nova diretora, também António Casimiro, Carlos Duarte, Cristina Máguas, José Afonso, e Jorge Marques da Silva fizeram a tradicional jura e assinaram como novos subdiretores, cabendo a Nuno Araújo executar formalidade similar na presidência do Conselho Científico. Além destas tomadas de posse, também Guida Carvalheiro renovou funções como administradora de Ciências ULisboa.

Conceição Freitas bem que avisou sobre uma certa tendência pessoal para “quebrar o protocolo”, mas, desta vez, haveria de ser suplantada nesse aspeto por outro rosto conhecido de Ciências ULisboa: Luís Carriço, diretor cessante que não cessou de corrigir interlocutores com um sorriso ao dizer-se “ex-diretor”, interrompeu a cerimónia com um repente de uma última hora: “Peço desculpa; esqueci-me de uma coisa: a chave da casa”, adiantou enquanto entregava a chave do gabinete da direção à sucessora.

A assinatura solene garante valor legal ao novo mandato de quatro anos, mas dificilmente pode competir com o simbolismo da entrega da chave do gabinete de direção à primeira mulher que vai dirigir a centenária Ciências Ulisboa, dando seguimento ao histórico que um dia também levou Branca Edmée Marques a tornar-se a primeira catedrática de ciências em Portugal.

nova direção de Ciências ULisboa

Cristina Máguas, António Casimiro, Jorge Marques da Silva, Conceição Freitas, Guida Carvalheiro, José Afonso e Carlos Duarte compõem a nova direção de Ciências ULisboa

E neste prolongado movimento de emancipação, o discurso de Conceição Freitas também se habilita a ficar na história: “A liderança não tem género!”, proclamou a diretora, sendo seguida de um dos mais fortes aplausos da cerimónia, que possivelmente terão também contribuído para Luís Ferreira, Reitor da Universidade de Lisboa, destacar a recetividade protagonizada de “corpo e alma” pela assistência, relativamente, a quem entra e quem sai da direção. “A forma como aplaudiram foi de agradecimento profundo e também de esperança na nova direção”, referiu o Reitor.

Conceição Freitas recebeu o testemunho em forma de chave de gabinete, mas não se coibiu de lembrar o apoio obtido na preparação da candidatura e de colocar a tónica nas grandes linhas-mestras do Programa de Ação com que foi eleita pelo Conselho de Escola, no dia 10 de dezembro. Sem ignorar “constrangimentos e vulnerabilidades” da instituição, prometeu trabalhar para deixar “Ciências ULisboa melhor do que a encontrámos”.

Luís Carriço

Luís Carriço, antigo diretor de Ciências ULisboa, agradeceu à comunidade académica e não se esqueceu de quem discordou ao longo do tempo

A interdisciplinaridade e o mérito serão provavelmente as palavras-chave a usar em futuras buscas na Internet, mas o discurso da nova diretora não deixou de fora os desígnios relacionados com a comunicação para o exterior, a internacionalização, a requalificação de edifícios e laboratórios, a captação de fundos comunitários, e a ligação à sociedade, que põe o “conhecimento ao serviço dos grandes desafios do nosso tempo”. “Este mandato terá uma atenção particular à valorização das carreiras, ao reconhecimento justo do mérito, ao investimento no bem-estar, à promoção da diversidade e inclusão, procurando a construção de um verdadeiro sentido de comunidade e pertença”, adiantou a nova diretora.  

O dia tinha a nova direção como principal novidade, mas já se sabia que essa tomada de posse implicaria uma mudança no Conselho Científico, que foi presidido por Conceição Freitas até ao momento em que avançou para a direção. Por isso, houve também lugar para Nuno Araújo, professor que lidera atualmente o Departamento de Física, assumir o cargo de novo presidente do Conselho Científico.

Conceição freitas

Conceição Freitas recordou os pilares do Programa de Ação da nova direção

Além da apontar à qualidade científica que deve nortear o ensino, o discurso de Nuno Araújo lembrou que os estatutos atuais mantêm a independência do Conselho Científico face à Direção e destacou um segundo desafio que passa por “uma estratégia científica coerente, capaz de dar identidade à Faculdade e de reforçar o seu posicionamento a nível nacional e internacional”.

A missão é de monta, mas Luís Carriço, já em fase de adaptação à nova fase da carreira, optou por pôr a tónica no agradecimento a todos os membros da comunidade académica, depois de fazer deflagrar o riso geral ao questionar se o auditório estava tão cheio pelo facto de “haver tanta gente que se queria ver livre” do agora antigo diretor.

Nuno Araújo

Nuno Araújo tomou posse como presidente do Conselho Científico

A avaliar pelas palavras com que Luís Correia, presidente do Conselho de Escola, abriu a cerimónia, o agora antigo diretor de Ciências ULisboa certamente errou na análise dos intentos da assistência. “(Luís Carriço) foi bem além do que é exigido a um diretor e não se furtou a alguns espinhos e percursos acidentados”, sublinhou o presidente do Conselho de Escola.

Por sua vez, o antigo diretor repartiu o elogio por todos os membros da direção, e deixou uma honrosa frase que resume bem o papel de quem tem de liderar uma instituição que tem a diversidade no código genético: “Queria muito agradecer às pessoas que discordaram de mim”. Afinal de contas, é assim que costumam surgir as melhores ideias.

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