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NeSy 2026: Ciências ULisboa reúne especialistas para discutir o futuro da Inteligência Artificial

Lidia Belourico
Conferência•7 setembro, 2026

Ciências ULisboa recebeu a 20ª edição da conferência internacional NeSY, que reuniu investigadores de todo o mundo em torno dos avanços mais recentes na Inteligência Artificial. Fiabilidade, raciocínio, sustentabilidade e a relação entre humanos e máquinas estiveram entre os temas em discussão.

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Fiabilidade, raciocínio, sustentabilidade e a relação entre humanos e máquinas estiveram entre os temas em discussão.

Durante quatro dias, Lisboa foi ponto de encontro de uma comunidade científica que, há duas décadas, procura aproximar diferentes abordagens à Inteligência Artificial. Nascida em 2005 como workshop, a série NeSy chega este ano à sua 20.ª edição, afirmando-se como um espaço de discussão sobre uma área em rápida evolução.

Entre os momentos de destaque do programa estiveram as intervenções de Antonio Vergari, da University of Edinburgh, Francesca Toni, do Imperial College London, e Kanna Shimizu, da Amazon Web Services, que partilharam diferentes perspectivas sobre os desafios que hoje se colocam à investigação e utilização da IA.

Entre os momentos de destaque do programa estiveram as intervenções de Antonio Vergari, da University of Edinburgh, Francesca Toni, do Imperial College London, e Kanna Shimizu, da Amazon Web Services.

Para Antonio Vergari, um dos principais desafios passa por garantir que os sistemas de IA são fiáveis: “O maior desafio continua a ser fazer com que as máquinas se comportem da forma que esperamos que se comportem. Torná-las fiáveis.”  Ou seja, à medida que os modelos se tornam maiores e mais capazes e começam a assumir tarefas cada vez mais complexas, torna-se essencial assegurar que se comportam de acordo com aquilo que deles se espera.

O investigador considera também necessária uma mudança na forma como estes sistemas são desenvolvidos. A aposta contínua em mais dados, mais computação e modelos de maior dimensão levanta, além das questões de fiabilidade, preocupações de sustentabilidade. O futuro poderá passar por combinar de forma mais integrada diferentes capacidades, como aprendizagem, raciocínio e agentes inteligentes.

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Antonio Vergari, da University of Edinburgh.

Também Kanna Shimizu destacou a velocidade da evolução tecnológica como um dos grandes desafios atuais: “O grande desafio, atualmente, é que os objetivos estão a mudar muito rapidamente.”  Para a investigadora, a rapidez com que a IA avança pode fazer com que os objetivos definidos para uma investigação deixem rapidamente de ser novidade ou relevância científica. A comunidade de investigação é, assim, confrontada com a necessidade de trabalhar num contexto em que os próprios limites do que é considerado inovador estão constantemente a mudar.

 

Mais do que encarar o desenvolvimento da IA com receio, Shimizu defende uma abordagem cuidadosa e responsável, em que a inovação tecnológica mantenha o ser humano no centro.

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Kanna Shimizu, da Amazon Web Services.

É precisamente a relação entre sistemas de IA e seres humanos que assume particular importância na perspectiva de Francesca Toni. Para a investigadora, um dos grandes desafios da área neurossimbólica é aproximar as comunidades que trabalham com métodos neuronais e as que se dedicam às abordagens simbólicas, evitando que estas áreas evoluam de forma isolada. “O principal perigo é que quem trabalha em IA neurossimbólica conheça apenas a comunidade simbólica ou apenas a comunidade neuronal”, refere.

A combinação das duas abordagens poderá contribuir para sistemas capazes não só de aprender, mas também de raciocinar e explicar aquilo que produzem. Toni considera igualmente importante que os sistemas consigam incorporar conhecimento sobre preferências e valores humanos e tornar compreensíveis as suas decisões. “O ser humano precisa de conseguir introduzir nas máquinas o seu conhecimento, as suas preferências e os seus valores,” acrescenta.

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Francesca Toni, do Imperial College London

A investigadora alertou ainda para os riscos associados à utilização quotidiana de ferramentas de IA. A natureza probabilística dos sistemas generativos pode originar respostas diferentes perante a mesma informação e a dependência dos dados pode favorecer a propagação de informação incorreta. Existe também o risco de uma utilização excessiva destas ferramentas contribuir para a perda de algumas competências humanas.

As diferentes perspectivas apresentadas na NeSy 2026 convergem, assim, num desafio comum: desenvolver uma Inteligência Artificial não apenas mais poderosa, mas mais fiável, explicável e responsável.

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