Mário Centeno, Professor Catedrático, é hoje um nome incontornável da política económica portuguesa e europeia, tendo assumido a presidência do Eurogrupo entre 2018 e 2020. E foi devido a essa experiência que o convite para a aula em Ciências ULisboa lhe foi endereçado, dando seguimento à participação de personalidades externas nas aulas de Economia e Gestão. “A política monetária é um dos tópicos abrangidos por esta disciplina. O professor Mário Centeno foi convidado em virtude de toda a experiência que obteve ao longo dos anos nesta área”, acrescenta Raquel João Fonseca.
Durante a palestra, Mário Centeno explicou o papel dos bancos centrais e o raio de ação que podem assumir, quando se trata de garantir o equilíbrio da economia e evitar cenários de crise. O antigo ministro das Finanças também recorreu ao passado recente para ilustrar a capacidade de intervenção dos bancos centrais para manter a estabilidade económica. E foi assim que recordou a inflação superior a 10%, que se registou entre 2022 e 2023, como um dos desafios económicos que foram ultrapassados com sucesso com a supervisão do Banco Central Europeu (BCE). “Tudo correu maravilhosamente. Aconteceu assim pela primeira vez em muitos anos na Europa”, vincou o antigo governador do Banco de Portugal, ressalvando que este tipo de desafios, anteriormente, tinha a fama de “correr muito mal”.
Além de poderem atuar nas taxas de juro, os bancos centrais podem comprar dívida para aumentar o fluxo de dinheiro em circulação na economia – mas também é verdade que estas entidades com funções de supervisão e regulação dão sempre especial importância aos indicadores do mercado de trabalho. Mário Centeno recorda que o aumento geral dos salários pode levar ao aumento dos custos suportados pelas empresas que, por sua vez, têm como consequência o aumento de inflação dos produtos e serviços comercializados junto dos consumidores… que depois poderão potenciar novo aumento de salários e mais custos para as empresas e, consequentemente, novo aumento da inflação de bens e serviços transacionados. É devido a este “ciclo negativo” que os bancos centrais vão acompanhando de perto a evolução do mercado de trabalho, recordou Mário Centeno.