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Mário Centeno dá aula sobre política monetária a alunos de Ciências ULisboa

Hugo Séneca
Economia13 maio, 2026

Mário Centeno, antigo ministro das Finanças e antigo governador do Banco de Portugal, veio à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) dar uma aula sobre o papel dos bancos centrais e das políticas monetárias na economia. A aula, que juntou estudantes de vários cursos durante esta terça-feira no Grande Auditório, foi organizada pelo Departamento de Ciências Matemáticas, no âmbito da disciplina de Economia e Gestão.

“Esta aula deu acesso a uma perspetiva diferente sobre conceitos que os alunos já começaram a estudar e permitiu descobrir como é que a aplicação desses conceitos foi feita por alguém que foi um protagonista do denominado mundo real”, destaca Raquel João Fonseca, professora do Departamento de Ciências Matemáticas (DCM) e responsável pela disciplina de Economia e Gestão, que é lecionada na maioria dos cursos de licenciatura de Ciências ULisboa.

Mário Centeno, antigo ministro das Finanças, antigo governador do Banco de Portugal e  Professor Catedrático do ISEG, dá palestra no grande auditório de Ciências ULisboa.

Mário Centeno, antigo ministro das Finanças e antigo governador do Banco de Portugal, no Grande Auditório de Ciências ULisboa.

Mário Centeno, Professor Catedrático, é hoje um nome incontornável da política económica portuguesa e europeia, tendo assumido a presidência do Eurogrupo entre 2018 e 2020. E foi devido a essa experiência que o convite para a aula em Ciências ULisboa lhe foi endereçado, dando seguimento à participação de personalidades externas nas aulas de Economia e Gestão. “A política monetária é um dos tópicos abrangidos por esta disciplina. O professor Mário Centeno foi convidado em virtude de toda a experiência que obteve ao longo dos anos nesta área”, acrescenta Raquel João Fonseca.

Durante a palestra, Mário Centeno explicou o papel dos bancos centrais e o raio de ação que podem assumir, quando se trata de garantir o equilíbrio da economia e evitar cenários de crise. O antigo ministro das Finanças também recorreu ao passado recente para ilustrar a capacidade de intervenção dos bancos centrais para manter a estabilidade económica. E foi assim que recordou a inflação superior a 10%, que se registou entre 2022 e 2023, como um dos desafios económicos que foram ultrapassados com sucesso com a supervisão do Banco Central Europeu (BCE). “Tudo correu maravilhosamente. Aconteceu assim pela primeira vez em muitos anos na Europa”, vincou o antigo governador do Banco de Portugal, ressalvando que este tipo de desafios, anteriormente, tinha a fama de “correr muito mal”.

Além de poderem atuar nas taxas de juro, os bancos centrais podem comprar dívida para aumentar o fluxo de dinheiro em circulação na economia – mas também é verdade que estas entidades com funções de supervisão e regulação dão sempre especial importância aos indicadores do mercado de trabalho. Mário Centeno recorda que o aumento geral dos salários pode levar ao aumento dos custos suportados pelas empresas que, por sua vez, têm como consequência o aumento de inflação dos produtos e serviços comercializados junto dos consumidores… que depois poderão potenciar novo aumento de salários e mais custos para as empresas e, consequentemente, novo aumento da inflação de bens e serviços transacionados. É devido a este “ciclo negativo” que os bancos centrais vão acompanhando de perto a evolução do mercado de trabalho, recordou Mário Centeno.

Jorge Marques da Silva, Raquel Fonseca, Mário Centeno, Conceição Freitas, Cristina Máguas e António Casimiro.

Jorge Marques da Silva (Subdiretor de Ciências ULisboa), Raquel João Fonseca (Professora de Ciências ULisboa), Mário Centeno, Conceição Freitas (Diretora de Ciências ULisboa), Cristina Máguas e António Casimiro (Subdiretores de Ciências ULisboa).

Já em resposta a uma questão vinda dos estudantes, o antigo governador do Banco de Portugal indicou como “o maior pesadelo” dos responsáveis dos bancos centrais a indexação automática dos preços dos bens à inflação, porque nesses casos já será difícil travar a tendência inflacionária a partir do momento em que começa a ganhar forma. Em contrapartida, a deflação de longo prazo também será um cenário nada desejável porque pode resultar no facto de os produtores não conseguirem comercializar bens e serviços que produzem.

É perante estes e outros cenários que os bancos centrais têm um papel importante na credibilidade do sistema financeiro. Apenas uma parte do dinheiro depositado nos bancos comerciais é encaminhada para as reservas de cada instituição, sendo a parcela maior usada para suportar empréstimos e outros serviços prestados pela Banca à população. Se todos os clientes de um banco levantarem, de súbito, todo o dinheiro que têm depositado, possivelmente essa instituição terá de fechar portas, mas Mário Centeno também recorda que é a possibilidade de aplicar apenas uma parte desses depósitos em fundos de reserva que gera um “efeito multiplicador que é potentíssimo”, porque liberta dinheiro que pode ser aplicado na economia. É devido a estes dois fatores que o antigo ministro das Finanças considera que “a credibilidade, a estabilidade e a previsibilidade são tão importantes” para o sector bancário.

Comunicados

Prémios Científicos ULisboa/CGD distinguem oito investigadores de Ciências ULisboa.