Pela primeira vez na história, um consórcio de cientistas conseguiu registar os primeiros dados relativos a interações entre neutrinos gerados pelo sol e núcleos atómicos de carbono-13. O feito inédito, que foi levado a cabo pelo consórcio SNO+ e conta com a participação de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), teve lugar a dois quilómetros da superfície, numa mina em Sudbury, no Canadá. Com o detetor instalado no local, foi possível verificar que a interação entre neutrinos solares e núcleos de carbono-13 produz um eletrão e um átomo de azoto-13. A investigação acaba de ser relatada num artigo publicado na revista científica Physical Review Letters.
“Até à data, só havia modelos teóricos que previam este tipo de interações entre neutrinos solares e núcleos de carbono-13, e não havia uma confirmação experimental que permitisse saber o que realmente acontece”, responde Valentina Lozza, investigadora do Laboratório de Instrumentação de Física Experimental de Partículas (LIP) que assumiu a coordenação da Análise de Dados do SNO+. “Com estes resultados, podemos entrar em diálogo com os cientistas que estudam esses modelos para saber se é possível refinar as previsões teóricas”, acrescenta a investigadora.
Ainda que misteriosos e impercetíveis a olho nu, os neutrinos são especialmente abundantes. Até porque podem ter várias fontes ou origens: há neutrinos que possivelmente remontam ao Big Bang, e outros que são produzidos por reatores nucleares. Por seu turno, a investigação do consórcio SNO+ incidiu esforços sobre neutrinos produzidos no interior das estrelas – mais precisamente naqueles que são provenientes do Sol.


