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ICMWIA: Ciências ULisboa recebe especialistas em imagens médicas por micro-ondas

Hugo Séneca
Conferência3 fevereiro, 2026

Há sempre uma primeira vez para quase tudo e a primeira International Conference on Medical Microwave Imaging Applications (ICMWIA) cumpriu, esta terça-feira de manhã, a conhecida regra ao juntar na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) investigadores da área dos diagnósticos médicos por micro-ondas. No programa de três dias, constam preleções de nomes com currículo no sector, tutoriais para investigadores no início de carreira, e várias apresentações que tanto dão a conhecer protótipos que estão em desenvolvimento em laboratórios universitários, como simplesmente põem cientistas a pensar em alguns dos principais desafios da engenharia Biomédica.

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A primeira conferência internacional sobre dispositivos de diagnóstico médico por micro-ondas teve lugar em Ciências ULisboa

“Durante este evento vamos assistir a uma partilha de ideias que poderá ajudar a melhorar a tecnologia que tem vindo a ser desenvolvida. Eventualmente, essa troca de ideias poderá dar origem ao desenvolvimento de novos dispositivos de diagnóstico médico”, refere Raquel Cruz Conceição, coordenadora do Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica (IBEB) e uma das principais organizadoras desta conferência, que acaba de chegar a Ciências ULisboa. “Vamos repetir (a conferência) no próximo ano! E temos a expectativa de fazer crescer esta conferência para além do projeto inicial que lhe deu origem”, acrescenta a investigadora, que também é professora em Ciências ULisboa.

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Daniela Godinho e Raquel Cruz Conceição presidem à primeira ICMWIA

A primeira ICMWIA foi organizada em parceria por Ciências ULisboa, a associação FCiências.ID, a Universidade de Galway, da Irlanda, e o Politécnico de Turim, de Itália. Além de Raquel Cruz Conceição, a organização da conferência é presidida por Daniela Godinho, investigadora do IBEB.

O evento surgiu no âmbito do projeto 3BAtwin, que tem sido coordenado por Ciências ULisboa e FCiências.ID com o objetivo de fomentar a transmissão de conhecimento e a análise das últimas tendências tecnológicas junto da comunidade de investigação. Com a realização da conferência, essa partilha de conhecimentos não só ganhou em termos de internacionalização, através da apresentação de 22 artigos científicos de 11 países, como eventualmente, pode ter dado um primeiro passo para começar a atrair mais profissionais e investigadores que trabalham com sistemas de diagnóstico médico.

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A ICMWIA conta com 22 preleções de investigadores oriundos de 11 países

Durante o ICMWIA, as preleções deverão incidir sobre o desenvolvimento de sistemas que operam com frequências entre os 500 MHz e os 8 GHz. Com esta banda de frequências de rádio, os investigadores ficam em condições de desenvolver dispositivos que permitem reconstruir imagens do interior do corpo humano - entre muitas outras soluções que poderão ser proveitosas para o sector da saúde. Além de se perfilar um filão por desbravar, esta gama de frequências distingue-se por envolver menos riscos que outras tecnologias de diagnóstico conhecidas.

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A conferência ICMWIA pretende juntar investigadores nacionais e estrangeiros em torno da investigação de dispositivos médicos que comunicam com frequências não ionizantes

"Os dispositivos por micro-ondas são seguros porque usam ondas electromagnéticas com frequências não ionizantes e um nível de potência muito baixo. Portanto, não alteram a estrutura molecular das células nem causam aquecimento nos tecidos. E por isso, são mais seguros", descreve Raquel Cruz Conceição.

A coordenadora do IBEB recorda que a nova conferência já começou a cumprir os propósitos de partilha de conhecimento ao contar com uma participação de alunos de doutoramento que perfaz um quarto da assistência prevista. O 3BAtwin tem término previsto para 2027, mas Raquel Cruz Conceição não fecha a porta ao que poderá acontecer depois: “esperemos que esta conferência seja uma herança do projeto”. O prognóstico está feito.

Comunicados

Irene Fonseca distinguida com o Prémio Universidade de Lisboa 2024.