Tão depressa Rita Eusébio não esquece o dia em que inseriu o nome na história da zoologia nacional. Tudo se passou nos laboratórios do Museu de La Specola, em Florença, enquanto a aluna de doutoramento da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (CIÊNCIAS) analisava bicho-de-conta de acordo as características fornecidas por Stefano Taiti, investigador que trabalha no Conselho de Investigação Italiano. A meio do estudo, Rita deparou com um espécime que não batia bem com nenhuma das características fornecidas pelo especialista em isópodes terrestres. “Se calhar, é alguma espécie que o professor não explicou”, chegou a pensar, sem deixar de estar certa: o cientista Stefano Taiti não se tinha pronunciado sobre aquela espécie, porque simplesmente ninguém a conhecia até àquele momento. E assim ficou registada a primeira aparição oficial da espécie Eluma cristata.
“É uma descoberta importante para o cientista, mas é uma descoberta ainda mais importante para o estudo dos habitats que encontramos nos coluviões. Quando encontramos uma espécie, o habitat passa a ter um valor acrescido porque permite estudar como é que essa espécie se desenvolveu e, eventualmente, pode contribuir para descobrir outras espécies que permanecem desconhecidas”, descreve Rita Eusébio.



