Com o estatuto de ilustre desconhecido remetido ao passado e devidamente embalado pelo sucesso nas redes sociais, Gabriel Guimarães visitou, na semana passada, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) para mais uma ação de divulgação. Na sessão organizada pelo projeto Ciências em Harmonia, predominavam estudantes já conhecedores do jovem nortenho que, em tenra idade, foi confrontado por um professor que lhe disse que não percebia nada de matemática e o levou a estudar “obsessivamente” até tirar licenciatura e mestrado na disciplina – e passar, já em adulto, a fazer carreira como comunicador de matemática com livros publicados e mais de 250 mil seguidores nas redes sociais.
Na sessão "Comunicação em Ciência na Era da Desinformação", Gabriel Guimarães enfrentou de frente um certo descrédito que parece acossar a ciência e demonstrou como algumas técnicas que jogam com tensão, resposta a questões práticas e adaptação ao destinatário fazem a diferença na hora de passar a mensagem.
Para que não restassem dúvidas, fez ver que em cada matemático há também um coração. E ilustrou o poder do sentimento ao lembrar Ignaz Semmelweis (1818-1865), médico húngaro que acabou no opróbrio e morreu espancado num manicómio, depois de afrontar a classe médica por não lavar as mãos e contribuir para um significativo número de mortes de mulheres durante trabalhos de parto.
Apesar de ter revelado resultados auspiciosos com as mais elementares práticas de higiene, Semmelweis não logrou uma explicação científica – mas essa não foi a única falha, recorda Gabriel Guimarães: “Ignaz Semmelweis não soube comunicar da forma mais empática, além de não ter uma explicação científica”. E foi com a lição da empatia devidamente consolidada que o jovem comunicador deu a conhecer técnicas que facilitam a vida a quem trabalha no dia-a-dia com a complexidade - e deu a entrevista que se segue.


