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Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência 2026

DCI Ciências
Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência11 fevereiro, 2026

Mulheres Extraordinárias
em Ciência(s)

Sem mulheres, o estudo da radioatividade teria sido diferente; o Kevlar possivelmente teria de esperar por melhores dias; os compiladores de software seriam uma incógnita; as comunicações sem fios talvez tivessem dificuldade em comunicar; as placas tectónicas fariam estremecer os menos estudados; e os carros haveriam de parar com as primeiras bátegas por inexistência de limpa-para-brisas. A vida não seria a mesma. E não teria o mesmo engenho ou sequer piada. E é por estes e muitos outros exemplos que haverão de surgir nos próximos tempos que esta quarta-feira se assinala o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência.

Ciências ULisboa também não deixou passar em claro a efeméride de 11 de fevereiro dando voz a várias mulheres inspiradoras da nossa comunidade, entre as quais uma protagonista que marca a diferença face aos últimos 115 anos: Conceição Freitas, professora com carreira feita no Departamento de Ciências da Terra e Energia, tornou-se a primeira mulher a assumir a direção da Faculdade no dia 20 de janeiro. E logo proclamou: “Liderança não tem género”.

Num mundo perfeito esta seria a mera descrição da igualdade entre géneros, mas no mundo real, o cenário é diferente. “Apesar da evolução das últimas décadas, ainda vivemos num mundo dominado por homens. Num universo em que as mulheres representam uma percentagem muito próxima dos 50% dos graduados e 41% do staff académico na Europa, só cerca de 24 a 28% estão em cargos de Direção”, sublinhou recentemente Conceição Freitas à revista Forbes Portugal.

Os números revelam que Ciências ULisboa não deverá ter problemas para encontrar futuras lideranças no feminino, como também não teve problema em integrar, em 1936, a primeira professora catedrática das ciências exatas e naturais em Portugal, deixando para a história o nome de Branca Edmée Marques. É possível detetar uma margem de progressão – mas hoje, Ciências ULisboa pode dizer que já fez grande parte desse trabalho, contando atualmente com 32 dirigentes, perante os 16 cargos dirigentes atualmente ocupados por homens.

Por outro lado, nas funções de docência, há 237 homens e 172 mulheres. Entre bolseiros e investigadores, há uma maioria feminina por ligeira margem – e é nos colaboradores técnicos e administrativos que as mulheres predominam largamente, com quase o dobro dos homens.

Ainda que por razões que poderão estar mais relacionadas com tendências culturais do que com os regulamentos internos que garantem a equidade a todos os membros da comunidade de Ciências ULisboa, os números são um pouco diferentes nos estudantes. Segundo o Registo de Alunos Inscritos e Diplomados no Ensino Superior (RAIDES), as mulheres totalizaram 42% das inscrições em licenciaturas, 45,5% dos mestrados, e 47,6% dos doutoramentos no ano letivo de 2024/2025. Apesar de as discrepâncias serem diminutas, estes números não deixam de contrastar com a demografia nacional: hoje, as mulheres representam 52,7% da população portuguesa.

Se dúvidas houvesse, estas estatísticas também servem de justificação acrescida para que o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência passe por várias instituições nacionais e também por Ciências ULisboa. Todos os dias serão sempre bons para ter mulheres numa qualquer ciência – e até para descobrir o que diz sobre o tema a Inteligência Artificial, que tem todos e nenhum género ao mesmo tempo. Eis o mote para a sessão de videoconferência que o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) tem agendada para esta quarta-feira às 14h30.

É a esta vaga anual de celebrações a que o Portal de Ciências ULisboa se associa também com a publicação de frases inspiradoras de alguns dos mais conhecidos rostos femininos da nossa Faculdade. Porque mesmo quando feita por homens, a Ciência escreve-se sempre no feminino.

Ana Duarte Rodrigues

Professora de Ciências ULisboa

Coordenadora do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT)


“A história da ciência é um jardim de presenças e ausências; investigar é cultivar o olhar para ver ambas. Tornar visíveis as mulheres da ciência que permaneceram nas raízes do passado é também criar condições para que cada nova geração floresça em CIÊNCIAS.”

Ana Duarte Rodrigues

Ana Rita Lopes

Investigadora do MARE ULisboa

Medalha de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência em 2025


“Ser mulher na ciência é um caminho exigente, mas profundamente transformador. É fundamental que as raparigas saibam que pertencem a este espaço, que as suas perguntas importam e que a sua voz faz a diferença. Tenho a sorte de caminhar ao lado de mulheres cientistas que me inspiram diariamente. A ciência constrói-se com perseverança, curiosidade e colaboração — e as mulheres são parte essencial desse futuro.”

Ana Rita Lopes

Beatriz Subtil

Alumna de Ciências ULisboa

Doutorada em Ciências Biomédicas e Comunicadora de Ciência


“Para as Mulheres e Meninas na Ciência que querem ter a liberdade de perguntar e a estrutura para responder. Que todas possamos ter acesso à educação e às ferramentas que nos permitem expandir os limites do conhecimento, inovar e encontrar soluções para os desafios globais que enfrentamos. Hoje celebramos que o sonho das meninas que querem ser cientistas possa ser a realidade de muitas, e de cada vez mais, mulheres.”

Beatriz Subtil

Conceição Freitas

Diretora de Ciências ULisboa


“Apesar da evolução das últimas décadas, ainda vivemos num mundo dominado por homens. Num universo em que as mulheres representam uma percentagem muito próxima dos 50% dos graduados e 41% do staff académico na Europa, só cerca de 24 a 28% estão em cargos de Direção. Por isso é fundamental continuar a trabalhar e lutar para uma maior paridade no que diz respeito ao género.”

Conceição Freitas

Leonor Pires

Aluna de doutoramento no Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica (IBEB)

Co-criadora do projeto IMAGI Health, premiado no evento UniVerse – Academia Empreendedora


“É um privilégio estar num lugar onde tenho a liberdade de fazer ciência. Neste dia, penso em todas as cientistas que me inspiram, e nas raparigas e mulheres a quem foi impedida esta liberdade. Que a luz chegue a todas que ainda se sintam na sombra. Façamos por isso!”

Leonor Pires

Leonor Solano

Aluna da Licenciatura em Matemática

Bolsa Gulbenkian Novos Talentos 2025


“Na nossa Faculdade, sou inspirada todos os dias pelas mulheres que me rodeiam: aprendo e cresço com elas, partilho ideias e levo comigo a sua força e determinação. A Matemática é feita de sonhos, tentativas e descobertas, e aqui todas as meninas têm um lugar para errar, aprender e descobrir a maravilha de pensar.”

Leonor Solano

Maria Luísa Homem

Estudante do Colégio Maristas de Carcavelos

Participante da 10.ª edição do programa Ser Cientista


“Participar no Ser Cientista foi um marco importante na minha decisão de que curso seguir na universidade. Permitiu-me conhecer desafios práticos e espreitar por caminhos que nunca tinha ponderado. Foi como um microscópio que dá uma nova dimensão ao que julgávamos ver.”

Maria Luísa Mestre Homem

Raquel Fonseca

Professora do Departamento de Ciências Matemáticas de Ciências ULisboa


“A ciência precisa de talento, curiosidade e pensamento crítico, qualidades que não têm género. As mulheres sempre tiveram um papel relevante, mesmo enfrentando obstáculos e quando a história não lhes deu nome. Cada cientista que hoje investiga, ensina e descobre, abre caminho para que mais mulheres e raparigas se imaginem neste lugar. Na Faculdade de Ciências, queremos continuar a ser um espaço onde todas possam questionar, criar e transformar o mundo através do conhecimento e da ciência.”

Raquel Fonseca

Rita Borges

Aluna da Licenciatura em Engenharia Informática

Embaixadora de Ciências ULisboa


“Num mundo em que, durante muito tempo, a ciência foi dominada por homens, houve sempre mulheres cujo trabalho ficou na sombra. É inspirador que esse contributo seja reconhecido e ver cada vez mais mulheres e meninas a escolher a ciência. Mostra que todas nós temos lugar no conhecimento e podemos criar e descobrir.”

Rita Borges

Rita Cardoso

Investigadora no Instituto Dom Luiz de Ciências ULisboa

Prémio Científico ULisboa/CGD 2024


“Ser cientista é, acima de tudo, alimentar a curiosidade e a criatividade para decifrar os mistérios do mundo, transformando perguntas complexas em soluções inovadoras. Mais do que um trabalho, é um compromisso com a aprendizagem constante com colaboração global, que rompe fronteiras e une equipas multidisciplinares com um objetivo comum: melhorar a qualidade de vida da sociedade e construir um futuro mais esclarecido.”

Rita Cardoso

Teresa Vieira

Coordenadora da comCiências, a escola de formação da Ciências ULisboa


“Ser mulher é partilha — da vida, da experiência e do saber. Ser mulher em Ciências é ter a capacidade de partilhar saber, rigor científico e inovação em prol da sociedade.”

Teresa Vieira
Comunicados

Irene Fonseca distinguida com o Prémio Universidade de Lisboa 2024.