Num mundo perfeito esta seria a mera descrição da igualdade entre géneros, mas no mundo real, o cenário é diferente. “Apesar da evolução das últimas décadas, ainda vivemos num mundo dominado por homens. Num universo em que as mulheres representam uma percentagem muito próxima dos 50% dos graduados e 41% do staff académico na Europa, só cerca de 24 a 28% estão em cargos de Direção”, sublinhou recentemente Conceição Freitas à revista Forbes Portugal.
Os números revelam que Ciências ULisboa não deverá ter problemas para encontrar futuras lideranças no feminino, como também não teve problema em integrar, em 1936, a primeira professora catedrática das ciências exatas e naturais em Portugal, deixando para a história o nome de Branca Edmée Marques. É possível detetar uma margem de progressão – mas hoje, Ciências ULisboa pode dizer que já fez grande parte desse trabalho, contando atualmente com 32 dirigentes, perante os 16 cargos dirigentes atualmente ocupados por homens.
Por outro lado, nas funções de docência, há 237 homens e 172 mulheres. Entre bolseiros e investigadores, há uma maioria feminina por ligeira margem – e é nos colaboradores técnicos e administrativos que as mulheres predominam largamente, com quase o dobro dos homens.
Ainda que por razões que poderão estar mais relacionadas com tendências culturais do que com os regulamentos internos que garantem a equidade a todos os membros da comunidade de Ciências ULisboa, os números são um pouco diferentes nos estudantes. Segundo o Registo de Alunos Inscritos e Diplomados no Ensino Superior (RAIDES), as mulheres totalizaram 42% das inscrições em licenciaturas, 45,5% dos mestrados, e 47,6% dos doutoramentos no ano letivo de 2024/2025. Apesar de as discrepâncias serem diminutas, estes números não deixam de contrastar com a demografia nacional: hoje, as mulheres representam 52,7% da população portuguesa.
Se dúvidas houvesse, estas estatísticas também servem de justificação acrescida para que o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência passe por várias instituições nacionais e também por Ciências ULisboa. Todos os dias serão sempre bons para ter mulheres numa qualquer ciência – e até para descobrir o que diz sobre o tema a Inteligência Artificial, que tem todos e nenhum género ao mesmo tempo. Eis o mote para a sessão de videoconferência que o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) tem agendada para esta quarta-feira às 14h30.