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Dia do DCTE: o futuro do Planeta também passa por Ciências ULisboa

Hugo Séneca
Ciências da Terra e Energia27 fevereiro, 2026

A partir do Departamento de Ciências da Terra e Energia (DCTE) há quem vislumbre mapas e minérios, rochas e trabalho de campo, energias renováveis e placas tectónicas ou todo um clima em mudança. E o Dia do DCTE, que se celebrou na quinta-feira, juntou todas essas áreas do conhecimento à inspiração de profissionais de referência e antigos alunos que aceitaram visitar a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) para dar a conhecer múltiplas opções de carreira aos vários alunos de licenciatura, mestrado e doutoramento que acompanharam todo o evento. No final, não ficaram dúvidas: “Nunca precisámos tanto de profissionais competentes em Ciências da Terra como agora”, recordou António Mateus, presidente do DCTE.

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Conceição Freitas e António Mateus discursaram durante a abertura do Dia do DCTE

O programa do evento previa debates, visitas a laboratórios e sessões temáticas com empresas e antigos alunos, mas ainda antes do arranque dos trabalhos já havia uma expectativa redobrada quanto ao evento – precisamente por se tratar do primeiro Dia do DCTE, depois da fusão operada em setembro entre o Departamento de Geologia e o Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia.

“A existência de um único departamento nesta área científica, aliado a uma única unidade de investigação (o Instituto Dom Luiz - IDL), é uma vantagem da qual nem sempre nos apercebemos. Estou convicta de que esta ligação e diversidade na ciência e engenharia vai potenciar sinergias de uma forma muito mais natural”, sublinhou Conceição Freitas, diretora de Ciências ULisboa, no discurso de abertura do Dia do DCTE.

A internacionalização e o uso da Inteligência Artificial foram apontados como dois dos principais desafios que já se perfilam no horizonte, mas o diagnóstico feito pela diretora de Ciências ULisboa não deixou de manter uma tónica positiva: “Não tenho dúvidas que continuamos a ser o melhor departamento desta área científica do País e espero que os nossos alunos saibam disso também”.

“As Ciências da Terra serão, efetivamente, as ciências que vão governar muitas das decisões públicas"

O DCTE arrancou durante a manhã com duas sessões temáticas: uma primeira dedicada à gestão de riscos e uma segunda dedicada à gestão de recursos. Ambas sessões asseguraram uma presença alargada de antigos alunos de Ciências ULisboa e esse fator distintivo haveria de marcar os trabalhos que se seguiram. À tarde, o dia contemplou sessões temáticas para os cursos de Engenharia da Energia e Ambiente; Engenharia Geoespacial; Geologia; e Meteorologia, Oceanografia e Geofísica. Estas sessões temáticas contaram com a presença de antigos alunos e também representantes de empresas como a EDP, Siemens, Almina, Fidelidade ou a Phair-Earth, além do Porto de Lisboa e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), entre outras entidades. Para o encerramento, ficou reservada a entrega dos diplomas de reconhecimento académico a 10 alunos de licenciatura e mestrado.

"Há um défice enorme de profissionais nestas áreas e esse défice não é conhecido"

António Mateus mantém a expectativa de que este primeiro Dia do DCTE tenha capacidade de mobilizar os jovens, “porque há um défice enorme de profissionais nestas áreas e esse défice não é conhecido”. O presidente do DCTE reiterou ainda a expectativa de que o evento de quinta-feira represente um momento de “afirmação desta nova refundação departamental”.

“A nossa ambição, que foi inscrita no programa estratégico do Departamento que entregámos em junho passado, procura ir muito mais longe do que a mera reorganização administrativa”, referiu o presidente do DCTE.

No arranque do Dia do DCTE, António Mateus já havia revelado a intenção de manter uma “forte sintonia” com o IDL, além do reforço da internacionalização das diferentes linhas de investigação.

“As Ciências da Terra serão, efetivamente, as ciências que vão governar muitas das decisões públicas. Quando falo de Ciências da Terra, refiro-me à aceção global e moderna das Ciências da Terra que, necessariamente, envolve problemas como o abastecimento seguro de matérias-primas, matérias minerais, o abastecimento de águas, e muitos outros.”, sublinhou o responsável pelo DCTE.

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O Dia do DCTE contou com a participação de vários profissionais e investigadores em sessões de debate

As sessões da manhã confirmaram que muitos dos desafios que a humanidade enfrenta na atualidade dependem do que investigadores e engenheiros de unidades como o DCTE vierem a desenvolver nos próximos tempos. Além de participações sobre a gestão da água e o impacto das alterações climáticas, nos painéis de palestrantes houve quem lembrasse o potencial da exploração mineira em termos económicos, os efeitos que a nova corrida aos minérios está a produzir na geopolítica, e a necessidade de adaptar a rede de distribuição elétrica à potência instalada nas energias renováveis, sem esquecer os impactos na paisagem destas diferentes fileiras, ou os sistemas de localização geográfica que são imprescindíveis para todas as Ciências da Terra.

“Vim cá falar sobre matérias-primas críticas e a importância que têm para a transição energética. As matérias-primas críticas dizem respeito a 34 minerais. São críticas porque não existem com toda a disponibilidade que desejaríamos para a nossa economia”, descreveu Sofia Simões, antiga aluna de Ciências ULisboa e investigadora da Unidade de Economia de Recursos do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

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O dia do DCTE serviu também para dar a conhecer a oferta formativa do Departamento

Num evento com uma veia inspiracional assumida, houve também quem aproveitasse para vestir a camisola ao mesmo que apontava oportunidades de carreira. “Tentei explicar como é que a geografia é o elo comum de todas as questões de que aqui falámos. Num painel de palestras sobre riscos, a geografia liga todos os diferentes fenómenos e liga também várias entidades, da geologia à meteorologia, passando pela engenharia civil e o ambiente. Os sistemas de informação geográfica permitem integrar toda a informação sobre o território nas diferentes vertentes e os fenómenos que nele estão representados para depois podermos tomar decisões”, descreve Nuno Leite, diretor de negócios da empresa ESRI Portugal.

Entre os participantes, também houve quem não escondesse que o encontro com investigadores e alunos assume também contornos de simbiose.

Sofia Simões reitera o interesse de manter a proximidade com o que se faz no DCTE: “Temos linhas de investigação a decorrer no LNEG e temos todo o interesse em encontrar alunos de Ciências ULisboa que queiram vir colaborar connosco”. O futuro da humanidade também depende disso.

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Irene Fonseca distinguida com o Prémio Universidade de Lisboa 2024.