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Dia de Ciências premiou o mérito e apontou caminhos para o futuro da inovação

Hugo Séneca
Eventos22 abril, 2026

As contas variam consoante se comece a partir da fundação da Academia Real da Marinha ou da antiga Escola Politécnica, mas para quem tem por ponto de partida o lançamento da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), esta quarta-feira fica marcada pelas celebrações dos 115 anos de existência. E foi sem esquecer as instituições antecessoras que Conceição Freitas se estreou a abrir os trabalhos de um Dia de Ciências enquanto diretora de Ciências ULisboa. À sua frente tinha o Grande Auditório preenchido com 470 pessoas em plena expectativa para um debate sobre inovação e a atribuição de distinções de mérito para funcionários, professores e mais de 150 estudantes. Passado e futuro uniram-se por um momento – e nem a palavra de reconhecimento para os professores Carlos da Camara e Luís Carriço faltou à festa.

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Conceição Freitas defendeu a interdisciplinaridade como virtude em Ciências ULisboa

“É um acontecimento que carrega muito peso e responsabilidade”, referiu a diretora de Ciências ULisboa. “E é uma responsabilidade acrescida continuarmos a zelar pela credibilidade da instituição, de mantermos o compromisso com a excelência, com o rigor, com a capacidade crítica, para continuar a lutar para alavancar os nossos pilares e prosseguir a nossa missão de formar cidadãos responsáveis e profissionais competentes”, adiantou a diretora de Ciências ULisboa.  

Sendo um momento de festa, Conceição Freitas não deixou de lembrar iniciativas que já estão em curso e que poderão ter impacto no “ecossistema do Campo Grande”, como carinhosamente apelidou o campus de Ciências ULisboa.

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O debate dedicado à inovação contou com a participação de Alysson Bessani, Fernando Antunes, Rita Piriquito Santos, Ricardo Conde e Nuno Araújo

A Estratégia Científica, o Relatório de Sustentabilidade, a revisão dos Estatutos da Ciências ULisboa, o Regulamento orgânico de Ciências ULisboa, a revisão de regulamentos de profissionais docentes e não docentes foram mencionados como alguns dos exemplos da dinâmica em curso que nalguns casos teve origem na direção anterior.

“O ecossistema CIÊNCIAS é privilegiado. Ter no campus as ciências naturais, exatas e tecnociências, e poder tirar partido da verdadeira interdisciplinaridade torna-nos únicos e com a possibilidade de respondermos mais facilmente a questões complexas”, enalteceu Conceição Freitas.

"As universidades são hoje dos maiores exportadores do País"

Num Dia de Ciências que tinha a inovação por tema coube a Nuno Araújo, presidente do Conselho Científico de Ciências ULisboa, moderar o grande debate da tarde e terminar com uma frase inspiradora para todas as academias de norte a sul de Portugal. “As universidades são hoje dos maiores exportadores do País”, referiu em alusão ao talento formado em solo nacional. “E é também devido a estas universidades que há grandes empresas a instalarem-se aqui”, acrescentou.

Jorge Relvas, vice-reitor da Universidade de Lisboa (ULisboa), também haveria de imprimir o mesmo tom auspicioso ao recordar os cerca de 500 projetos de investigação em curso e o impacto que torna Ciências ULisboa uma "referência europeia", que tem vindo a trabalhar de perto com empresas e instituições públicas.

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Momento em que se inicia o corte do bolo de aniversário de Ciências ULisboa

O vice-reitor identificou como desígnio da maior universidade do País o desenvolvimento de "um espaço de interdisciplinaridade" que pretende servir de "palco de experimentação" e destacou ainda uma característica diferenciadora: "Em ULisboa o futuro começa mais cedo".

Por altura em que estas frases foram proferidas, já a conferência com o título “Inovar, Proteger, Impactar: O Futuro das Ideias Científicas” tinha feito o balanço às políticas de inovação nacionais e europeias. Do painel constavam Ricardo Conde, Presidente da Agência Espacial Portuguesa; Joana Piriquito Santos, especialista em proteção intelectual e sócia cofundadora da NLP; Fernando Antunes, professor do Departamento de Química e Bioquímica de Ciências ULisboa e cofundador da startup Delox; e Alysson Bessani, presidente do Departamento de Informática de Ciências ULisboa e cofundador da startup Vawlt.

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Momento de entrega dos Prémios de Reconhecimento de Mérito de alunos do segundo ano de licenciatura

Ricardo Conde começou por comparar a agência espacial norte-americana NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) para lembrar que a Europa, demorando mais tempo a tomar decisões, garante maior estabilidade porque não basta um só estado membro para desfazer uma decisão.

Sendo uma virtude, esta estabilidade tem de ser articulada com os “momentos muito complexos” da atualidade que levaram que, em quatro anos, o topo da agenda política passasse da sustentabilidade para os temas da segurança e da defesa.

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Momento de homenagem a Carlos da Camara, ladeado por Jorge Relvas e Conceição Freitas (à esquerda), e Filipe Rosas (à direita)

Além de alguns alertas para as políticas de financiamento, Ricardo Conde aproveitou para deixar um incentivo a quem desbrava o desconhecido. ”Quando olhamos para o sector espacial tendemos a olhar mais para a tecnologia”, referiu para depois complementar: “Mas é a ciência que edifica as superpotências (espaciais)”.

O elogio da ciência também esteve patente nas palavras de Joana Piriquito Santos, mas com um aviso para quem faz da inovação uma forma de estar na vida. “É preciso que haja uma estratégia e que haja quem saiba ler a ciência que está em causa e que saiba também porque é que quer determinada proteção intelectual”, referiu a especialista da NLP.

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Jorge Relvas recordou que Ciências ULisboa é uma referência europeia

Tendo começado como farmacêutica e depois enveredado pela advocacia porque tinha o firme propósito de ajudar a mudar o mundo, a própria Joana Piriquito Santos serviu de exemplo para quem procura uma carreira – mas não foi o único caso inspirador a passar pelo debate: Alysson Bessani contou como surgiu a ideia de avançar com a startup Vawlt para entrar no segmento da computação em nuvem (ou cloud computing) que é dominado por grandes marcas tecnológicas. “Começou com um paper (artigo científico), e depois outro paper, e depois projetos europeus que permitiram manter tudo a funcionar”, recordou Alysson Bessani.

Porque não há um só caminho possível para o sucesso, Fernando Antunes surpreendeu ao explicar que a Delox, que poderá revelar-se hoje como uma empresa crucial no caso de surgir uma nova pandemia ou de ser necessário contrariar uma qualquer ameaça biológica, até começou por tentar, sem sucesso, avançar com um projeto na área da saúde, que estava relacionado com recetores de insulina.

“No fundo estávamos a trabalhar num Ozempic antes de o Ozempic existir”, recordou o co-fundador da Delox.

Na história por detrás da Delox, são os primeiros contactos com o mercado que revelam que a ideia inicial era incipiente. E perante esta reação seguiu-se o reposicionamento que levou até às atuais soluções de descontaminação da startup.

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Momento de homenagem a Luís Carriço, ladeado por Conceição Freitas (à esquerda) e Jorge Relvas e Margarida Santos-Reis (à direita)

“Contactámos as maiores empresas do mundo”, recorda Fernando Antunes sobre a primeira vez que tentou auscultar o mercado com o receio de ser ignorado. A volta do correio eletrónico haveria de ser surpreendente com várias as demonstrações de interesse e o consequente agendamento de reuniões com duas grandes marcas.

“Foi nesse contacto que confirmámos que havia ali valor (na ideia de negócio)”, acrescentou o cofundador da Delox.

Num dia que se queria inspirador, não faltaram bons exemplos – dos atletas que têm singrado em competições nacionais e internacionais, às distinções de reconhecimento de mérito académico para os melhores alunos de doutoramento, mestrado e três anos de licenciatura. No total foram mais de 150 os alunos distinguidos.

Mario Mateus da Costa, presidente da Associação dos Estudantes da Faculdade de Ciências de Lisboa (AEFCL) aproveitou a intervenção no Dia de Ciências para deixar uma palavra de apreço por quem estuda e trabalha, e por quem estuda e se dedica ao associativismo. "A vossa disciplina inspira-nos e é motivo de orgulho", referiu o presidente da AEFCL numa saudação para todos os estudantes premiados.

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A VicenTuna animou o encerramento do Dia de Ciências

Jorge Correia, Marta Silva e Nuno Matela foram distinguidos pelo Reconhecimento da Docência de Excelência, enquanto as distinções relativas aos 25 anos ao Serviço de Ciências couberam a Júlia Alves, que é responsável pela Direção Técnica, e aos professores Filipe Rosas, Tiago André Marques, Susana Duarte Santos, Carlos Duarte e Helena Trindade.

Para o momento alto de desenlace do evento ficaram as intervenções de Carlos da Camara, professor do Departamento de Ciências da Terra e Energia que recebeu a distinção pelo Reconhecimento pelo Impacto de Ciências na Sociedade, e Luís Carriço, professor do Departamento de Informática e diretor de Ciências ULisboa até ao início de 2026, que recebeu a distinção relativa ao Reconhecimento pelo Impacto na Comunidade de Ciências.

“Muitos dos papers mais interessantes que fiz resultaram de perguntas da indústria”,

“Não fazia a mínima ideia disto”, disse Carlos da Camara sobre a surpresa com que foi apanhado pela distinção atribuída aos membros de Ciências ULisboa pelo impacto que conseguem gerar fora do campus.

“Muitos dos papers mais interessantes que fiz resultaram de perguntas da indústria”, referiu ainda o professor do DCTE que é também um dos rostos mais conhecidos do Instituto Dom Luiz. Além do fator monetário, a ciência aplicada acrescenta valor para a sociedade porque "mexe com questões que parecem simples, mas revelam-se complicadas", reiterou ainda Carlos da Camara.

Luís Carriço sublinhou que o trabalho feito nas direções antecessoras teve "muito gosto e paixão” e só se tornou possível devido à equipa que o acompanhou na liderança. Admitiu que ainda se terá de fazer o balanço, mas não deixou de reiterar um desejo: “espero que a escola tenha ficado diferente”. Evoluir faz parte de Ciências ULisboa.

Notícias nos meios de comunicação social:

"Há investigadores estrangeiros que gostavam de ficar em Lisboa, mas é difícil encontrar um alojamento compatível com os salários que temos" (Expresso)

Revista de Imprensa Comentada (TSF)

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa celebra 115 anos de futuro e inovação! (Mais Superior)

O que faz a ciência pela sociedade? Faculdade de Ciências ULisboa celebra 115 anos em dia único e de entrada livre (Versa.iol)

Dia de CIÊNCIAS 2026 (programa)

Comunicados

Prémios Científicos ULisboa/CGD distinguem oito investigadores de Ciências ULisboa.