A Estatística sempre fez tratamento de dados, mas no curso de Estatística e Ciência de Dados em Medicina ninguém esconde que os principais destinatários são mesmo profissionais que tratam pessoas. O novo curso, que tem candidaturas abertas, resulta de uma parceria entre Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa. O arranque das sessões de formação está agendado para março.

Curso de Estatística e Ciência de Dados em Medicina arranca em março

Tiago Dias Domingues: "Por trás dos algoritmos, está sempre presente Estatística"
“Com este curso, pretende-se que os profissionais de saúde ganhem autonomia para analisar dados e interpretar estudos clínicos de forma rigorosa, reconhecendo as metodologias estatísticas utilizadas. É a Estatística que produz evidência científica que permite tomar decisões e chegar a um diagnóstico ou a um prognóstico, e até escolher um tratamento mais eficaz para cada caso”, explica Tiago Dias Domingues, professor do Departamento de Ciências Matemáticas da Ciências ULisboa e um dos coordenadores do novo curso de Estatística e Ciência de Dados em Medicina.
O novo curso tem a primeira sessão de formação agendada para 10 de março e termina a 7 de maio. Entre estas datas deverão decorrer 30 horas de formação, que se repartem por sessões de duas horas às terças e quintas-feiras, das 18h00 às 20h00.
As candidaturas terminam a 28 de fevereiro – e pressupõem o pagamento de €50 para a inscrição, mais €300 de propina. Do roteiro de formação constam módulos que abrangem Fundamentos de Investigação Clínica; Estatística Descritiva e Análise Exploratória de Dados; Inferência Estatística e o Uso da Inteligência Artificial.
O novo curso tem a primeira sessão de formação agendada para 10 de março e termina a 7 de maio. As inscrições terminam a 28 de fevereiro
O curso tem sido promovido através da escola de formação avançada comCiências, que tira partido do conhecimento de investigadores e professores de Ciências ULisboa para promover a renovação de competências junto de profissionais de diferentes sectores. Todas as sessões do novo curso são presenciais e decorrem no campus de Ciências ULisboa.
“Os módulos relacionados com os fundamentos da estatística são assegurados pelos investigadores de Ciências ULisboa, enquanto os módulos do âmbito da investigação clínica e do uso de inteligência artificial na medicina ficam a cargo da Universidade Católica”, responde Tiago Dias Domingues.
O curso não tem pretensões de conferir grau académico, mas assume o compromisso de preparar os profissionais de saúde para as novas tendências. As diferentes sessões de formação têm como “matéria-prima” repositórios de dados recolhidos junto de entidades de saúde que foram devidamente anonimizados para permitirem explorar diferentes metodologias estatísticas e objetivos clínicos.
Tiago Dias Domingues refere que, neste curso, serão analisados dados que permitem, por exemplo, perceber como obter e interpretar estimativas de sobrevivência para doentes com cancro que são tratados com diferentes fármacos, ou identificar os fatores de risco para a ocorrência de determinadas doenças, tendo em conta o historial clínico ou estilo de vida.
“É um curso com uma vertente prática muito forte, que se foca na análise de dados com recurso a software, bem como na interpretação de artigos científicos e nas metodologias estatísticas utilizadas”
“É um curso com uma vertente prática muito forte, que se foca na análise de dados com recurso a software, bem como na interpretação de artigos científicos e nas metodologias estatísticas utilizadas”, acrescenta Tiago Dias Domingues.
Através do contacto com profissionais de saúde que procuram formação na área Estatística, foi possível identificar dois dos perfis de destinatários que poderão beneficiar diretamente desta formação: médicos que se encontram em cumprir o período de internato e que, por isso, têm de redigir artigos que exigem métodos e conceitos estatísticos; e investigadores da área da saúde.
““Todos os anos há novos médicos a fazer internato que necessitam de realizar os seus projetos de investigação. E todos estes profissionais precisam de Estatística para desenvolver esses trabalhos de investigação. É um indicador que revela que há muita gente que precisa destas ferramentas estatísticas”, sublinha Tiago Domingues.
Como em muitos outros sectores, a Inteligência Artificial (IA) também tem vindo a produzir um efeito transformador na Saúde. Tiago Dias Domingues admite que essa mesma IA pode ser usada em benefício da melhoria da qualidade de vida dos doentes, mas mais uma vez, recorda o papel providencial dos dados clínicos: “O curso mostra como a vertente da IA encaixa no tratamento de dados. Por trás dos algoritmos está sempre presente a Estatística”, conclui o investigador.