Conceição Freitas dá a conhecer, numa recente entrevista ao Expresso, alguns dos principais desafios do mandato que iniciou em janeiro à frente da Direção da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa). Sem deixar de descrever a realidade do campus, a diretora de Ciências ULisboa revela, na entrevista publicada durante a semana passada, algumas das expectativas e preocupações que também são comuns a todos os dirigentes de instituições do Ensino Superior do País.

Conceição Freitas em entrevista ao Expresso: do número de alunos à renovação de laboratórios, do alojamento à IA no ensino, sem esquecer a AI2

“Há investigadores estrangeiros que gostavam de ficar em Lisboa, mas é difícil encontrar um alojamento compatível com os salários que temos”, refere Conceição Freitas em alusão aos custos de alojamento na capital.
Apostada em levar a marca de Ciências ULisboa além das fronteiras nacionais, a diretora de Ciências ULisboa classifica “a questão do reequipamento dos laboratórios” como “fundamental” e aponta o dedo à “carga burocrática” e ao “subfinanciamento e subinvestimento” como alguns dos entraves com que se deparam as instituições do Ensino Superior da atualidade.
“Estamos habituados a uma avaliação muito centrada nos exames e nos trabalhos que, agora, com o recurso à IA, os alunos fazem muito rapidamente e muitas vezes sem grande trabalho próprio. Temos de arranjar outras formas de avaliação"
Sobre o decréscimo do número de candidaturas no presente ano letivo, a explicação remete para o facto de haver “menos alunos no ensino secundário”, mas faz alusão à alteração das regras quanto às provas de ingresso. “Espero que, no próximo ano letivo, voltemos ao que eram os padrões habituais”, refere Conceição Freitas.
Por fim, a diretora de Ciências ULisboa expressa também “posição muito cautelosa” quanto à extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a constituição da Agência para a Investigação e Inovação (AI2) e também admite que o ensino vai ter de se adaptar perante a expansão da Inteligência Artificial (IA).
“É impossível afastar a IA”, avisa. “Estamos habituados a uma avaliação muito centrada nos exames e nos trabalhos que, agora, com o recurso à IA, os alunos conseguem fazer muito rapidamente e muitas vezes sem grande trabalho próprio. Por isso, temos de arranjar outras formas de avaliação”, sublinhou a diretora de Ciências ULisboa.