NarcoWake, TranquilBite e Motis começaram a ganhar forma no Mestrado de Engenharia Biomédica e Biofísica, que é coordenado por Brígida Ferreira, professora do Departamento de Física de Ciências ULisboa. Durante o curso, os alunos são desafiados para a conceção de produtos ou serviços, ao mesmo tempo que tiram partido de disciplinas que ensinam planos de negócios, preceitos da instrumentação médica, ou contornos da digitalização na Saúde, entre outros temas. Só os projetos mais avançados ou com protótipos desenvolvidos participam em concursos como o H-Innova – sendo que NarcoWake, TranquilBite e Motis contaram com o apoio da associação FCiências.ID para ir à Madeira. “Os alunos deste mestrado nunca ficam fechados na Faculdade”, sublinha Nuno Matela.
NarcoWake, que garantiu o segundo lugar na competição de "pitches" para alunos de mestrado, também é revelador do esforço de quem faz questão de sair do campus para conhecer a realidade. “Sabemos que há medicamentos para a narcolepsia, mas também verificámos que não existe nada que indique por antecipação uma crise de narcolepsia”, refere Mariana Morais, aluna do Mestrado de Engenharia Biomédica e Biofísica.
A narcolepsia caracteriza-se por uma desregulação do sono que leva os pacientes a adormecerem durante períodos de vigília. Com NarcoWake, Mafalda Afonso, Mariana Morais e Mariana Silva idealizaram um dispositivo que capta ondas cerebrais das zonas temporais do cérebro para, com a ajuda da Inteligência Artificial (IA), prever episódios de sonolência extrema. As três investigadoras sabem que o projeto ainda tem de ser aprimorado, mas mantêm a expectativa de criar uma ferramenta que deteta, com dois minutos de antecedência, uma crise de narcolepsia, e emite alertas vibratórios de cerca de 30 segundos para manter o paciente acordado. NarcoWake aproveitou a mentoria de Nuno Matela e da professora Ana Prata, mas as três mestrandas não vão ficar por aqui: “Queremos criar uma startup. Já pedimos um registo de patente, mas sabemos que temos um caminho longo pela frente”, refere Mariana Morais.
TranquilBite também remete para os períodos de sono, mas tem como objetivo evitar crises de bruxismo com uma venda que tapa os olhos e estimula músculos da cara, para evitar os rangidos de dentes que caracterizam este comportamento noturno. O projeto tem como mentores Pedro Cebola, médico do Hospital CUF Tejo, Ana Margarida Mota, professora do Departamento de Física, e Teresa Vieira, coordenadora da escola de formação avançada comCiências.
“Ficámos contentes com o resultado na competição. Mostra que este projeto tem potencial, mas também significa que tivemos capacidade de apresentar uma ideia de negócios a uma plateia dominada por investidores e profissionais de saúde”, refere Afonso Simões, aluno que tem vindo a desenvolver o projeto TranquilBite com os colegas Inês Correia e Rodrigo Dias durante o mestrado.