Qualquer semelhança entre o trabalho de detetive e os objetivos que Paula Marques Figueiredo definiu para o projeto Seismo-React vai além da mera coincidência. “Bem vistas as coisas, podemos dizer que este projeto pretende descobrir uns determinados vilões da sismicidade. Uso esta metáfora, porque se sabe que há falhas tectónicas antigas com tamanho suficiente para gerar grandes sismos, mas faltam-lhes os indicadores, normalmente, usados para saber se estão ativas e se ainda podem gerar esse tipo de sismos”, explica a investigadora do Instituto Dom Luiz (IDL).
Porque há sempre uma probabilidade de o mistério se transformar em ameaça, Paula Marques Figueiredo garantiu, em 2025, financiamento junto do programa Marie Skłodowska-Curie, Comissão Europeia, num valor de €207 mil, para desenvolver uma nova abordagem na investigação da sismicidade gerada em regiões que se encontram afastadas dos limites das placas tectónicas.
O projeto, que conta com a participação do Instituto de Geofísica Aplicada de Hanover, tem evoluído através da análise de LIDAR e recolha de amostras no sudoeste de Portugal. O término está fixado em Julho de 2027 – e se concretizar os objetivos propostos, é possível que a investigadora do IDL e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) venha mesmo a inscrever o nome nas metodologias de análise geológica da sismicidade.

