Portugal à beira mar plantado é bem mais que uma descrição turística. No caso da humidade, pode ser mesmo o ponto de partida para apurar a ocorrência de uma seca. E isto porque a humidade que chega ao País tem como fonte o Atlântico Norte e, tão ou mais importante, é transportada a partir do oceano até chegar a terra-firme. Esta mesma lógica é aplicável a vários locais do Globo e Luis Gimeno-Sotelo, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e do Centro de Estatística e Aplicações (CEAUL), acaba de a revelar à comunidade científica num estudo que estima as probabilidades de ocorrência de uma seca com base nos défices de transporte de humidade. O estudo de escala global e contornos inéditos garantiu, em janeiro, a principal distinção do Prémio Fátima Espírito Santo, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
“O défice de transporte de humidade é um dos fatores que mais influenciam a ocorrência de secas em várias regiões do Globo. Neste estudo, identificámos locais em que há grande dependência em concreto desse transporte de humidade. No Centro-Leste da América do Norte, a humidade é transportada a partir das Caraíbas; no Leste da Europa, a humidade vem do Mediterrâneo; e no Sudeste da Argentina a humidade é transportada a partir da Amazónia, sendo que a Amazónia também recicla a humidade que produz. Em Portugal, a humidade tem origem no Atlântico Norte”, descreve Luis Gimeno-Sotelo. “Que eu tenha conhecimento é a primeira vez que se faz a análise da probabilidade de ocorrências de seca com base nos défices de transporte para as várias regiões continentais do Planeta”, acrescenta.
