A 15ª Conferência de Química Inorgânica e Bioinorgânica começou esta quarta-feira com a expectativa redobrada de dar a conhecer os mais recentes desenvolvimentos científicos de duas das áreas que mais têm contribuído para a transformação da vida como a conhecemos. O evento da Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) junta, até sexta-feira, mais de 70 especialistas e contempla ainda prémios para o melhor póster e comunicação oral, que deverão totalizar mais de 70 resumos de trabalhos científicos (abstracts). Além de representantes das universidades nacionais, a conferência conta com a participação de investigadores internacionais. No encerramento dos trabalhos, será atribuído um prémio de reconhecimento de mérito de carreira científica pela SPQ.

Ciências ULisboa recebe investigadores de química inorgânica e bioinorgânica durante três dias

Sessão de abertura da 15ª Conferência de Química Inorgânica e Bioinorgânica
“É um evento que serve de ponto de encontro e que ajuda a estabelecer contactos que podem ser úteis para dar início a novas colaborações entre vários investigadores. Além disso, é uma conferência que mostra a ciência que se faz nos vários laboratórios deste País”, explica Carla Nunes, professora do Departamento de Química e Bioquímica de Ciências ULisboa e presidente da Divisão de Química Inorgânica e Bioinorgânica da SPQ, que assume a coordenação da Conferência.
À química inorgânica devem-se vários trabalhos de investigação centrados nos denominados metais da tabela periódica. E no cartão de visita da química bioinorgânica costumam figurar projetos de investigação em torno dos metais que existem dentro dos seres vivos – e que até podem deparar-se com alguns mecanismos ainda misteriosos que envolvem as metaloenzimas. “O programa da conferência garante a representatividade dos principais temas destas duas áreas de estudo. Na lista de palestrantes, encontram-se pessoas que têm acrescentado inovação a estas áreas de estudo”, sublinha Carla Nunes.
Além de Carla Nunes, a sessão de abertura contou com intervenções de Conceição Freitas, diretora de Ciências ULisboa; José Manuel F. Nogueira, presidente do Departamento de Química e Bioquímica de Ciências ULisboa; e Jorge Parola, secretário-geral da SPQ. Conceição Freitas enalteceu a importância de Ciências ULisboa acolher este evento, pelo facto de “ser uma oportunidade de participação para os estudantes” que ajuda a enriquecer a experiência académica.
“Acima de tudo, esta conferência é um espaço de partilha de conhecimento, troca de ideias e de promoção da cooperação. Junta investigadores consagrados, cientistas em início de carreira e estudantes"
Depois de destacar a importância destas áreas de estudo para o desenvolvimento de novas terapias, sistemas de armazenamento de energia entre outros desafios que apresentam a capacidade de mudar a vida da humanidade, José Manuel F. Nogueira destacou o espírito de descoberta e partilha que domina o evento. “Acima de tudo, esta conferência é um espaço de partilha de conhecimento, troca de ideias e de promoção da cooperação. Junta investigadores consagrados, cientistas em início de carreira e estudantes, criando uma dinâmica e inspirando um espaço para o debate e o aparecimento de novas perspetivas", referiu o presidente do Departamento de Química e Bioquímica.
Pedro Teixeira Gomes cumpre os requisitos para figurar entre o grupo de cientistas inovadores, e com a sua palestra, deverá protagonizar um dos momentos altos do evento quando receber o Prémio Alberto Romão Dias, que pretende distinguir a carreira na área da química. O professor do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa vai receber o prémio depois de ter sido indicado por professores catedráticos de várias universidades do País.

Conceição Freitas, José Manuel F. Nogueira e Carla Nunes na sessão de abertura da Conferência
O evento contempla as conferências plenárias de Karl Kirchner, da Universidade Técnica de Viena, e Peter-Leon Hagedoorn, da Universidade de Tecnologia de Delft. O primeiro é uma referência internacional na química inorgânica, enquanto o segundo tem vindo a trabalhar com metaloenzimas no contexto da saúde dos humanos. Além destes dois investigadores, o programa da conferência prevê a participação de Célia Romão, Nuno Bandeira e Paulo Costa, que têm vindo a fazer investigação em Ciências ULisboa.
A quem duvida da importância destas duas disciplinas, Carla Nunes deixa um esclarecimento: “a química inorgânica e a química bioinorgânica estão relacionadas diretamente com a vida. Possivelmente, metade dos objetos que usamos no dia-a-dia não existiria sem estas duas áreas do saber”, conclui.