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Ciências ULisboa, Grutas de Mira de Aire e ICNF reforçam investigação do património subterrâneo

Lidia Belourico
Protocolos•1 outubro, 2026

As profundezas das Grutas de Mira de Aire e do Algar do Pena vão ganhar um novo impulso científico. Ciências ULisboa, as Grutas de Mira de Aire e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) assinaram um protocolo de cooperação para reforçar a investigação científica e o conhecimento dos ecossistemas subterrâneos do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC).

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Gruta de Mira de Aire

O acordo prevê a criação e o desenvolvimento dos Laboratórios Científicos Internacionais da Gruta de Mira de Aire e do Algar do Pena, bem como o apoio à investigação científica de natureza espeleológica no PNSAC. Investigadores e estudantes poderão desenvolver trabalhos nestas infraestruturas, que poderão também acolher formação, atividades de comunicação de ciência e projetos nacionais e internacionais.

“Os Laboratórios Subterrâneos permitem a realização de estudos dentro das próprias grutas”, explica Ana Sofia Reboleira, professora em Ciências ULisboa e responsável pela coordenação científica destas infraestruturas.

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Ana Sofia Reboleira, professora em Ciências ULisboa e responsável pela coordenação científica dos Laboratórios Científicos Internacionais da Gruta de Mira de Aire e do Algar do Pena.

A investigadora destaca a importância destes espaços para a “investigação biológica e ecológica de longo termo” e para o estudo de espécies estritamente cavernícolas, mas sublinha que o seu potencial vai muito além da biologia: “serve áreas muito diversas, como a medicina, a física, a química, a astrobiologia e naturalmente, as geociências”.

Um dos laboratórios já está em funcionamento no Algar do Pena. O “Troglobiário” está localizado a 45 metros de profundidade e dispõe de acesso facilitado, iluminação artificial, energia, internet, uma estação de monitorização de longo termo e aquários e terrários. “Abre uma janela para o meio subterrâneo profundo”, descreve Ana Sofia Reboleira. O laboratório foi criado em 2013 com a colaboração da investigadora e tem sido utilizado por cientistas nacionais e internacionais ao longo da última década.

A investigadora destaca a importância destes espaços para a “investigação biológica e ecológica de longo termo”

O espaço tem ainda uma vertente de ciência cidadã, envolvendo o Agrupamento de Escolas de Alcanede. Entre as iniciativas desenvolvidas estão duas edições do Congresso “Cientistas de Palmo e Meio”, que, segundo a investigadora, “levou a ciência subterrânea a mais de 1000 alunos de escolas básicas do país”.

Agora, a rede de laboratórios subterrâneos ganha uma nova infraestrutura na Gruta de Mira de Aire. A sua criação resulta de uma estratégia conjunta entre a Ciências ULisboa e a empresa Grutas de Mira de Aire, SA, com o objetivo de apoiar a investigação e promover a literacia científica sobre os ecossistemas subterrâneos. Para Ana Sofia Reboleira, este laboratório abre também uma oportunidade de investigação particularmente relevante: “É uma oportunidade inédita para estudar o impacto da atividade humana em ecossistemas subterrâneos.”

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Gruta de Mira de Aire

A parceria ganha importância num território com elevado interesse científico. O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros alberga um elevado número de grutas e importantes recursos hídricos subterrâneos, além de espécies cavernícolas endémicas. “Esta parceria permite gerar novo conhecimento sobre os ecossistemas subterrâneos e transmiti-lo imediatamente, contribuindo para o aumento da literacia científica subterrânea”, afirma a investigadora.

A iniciativa está também ligada ao trabalho desenvolvido pela Cátedra em Sustentabilidade de Ecossistemas Subterrâneos (EcoSub), centrada na ciência, educação e conservação destes ambientes. “Os Laboratórios Subterrâneos são infraestruturas únicas, promovidas pela Cátedra, que põem Ciências ULisboa na vanguarda da investigação subterrânea a nível internacional”, explica Ana Sofia Reboleira.

“Esta parceria permite gerar novo conhecimento sobre os ecossistemas subterrâneos e transmiti-lo imediatamente, contribuindo para o aumento da literacia científica subterrânea”

As infraestruturas estão dotadas de estações de monitorização contínua que permitem transmitir dados em tempo real, seguindo o modelo desenvolvido no projeto Barrocal-Cave, na Gruta do Vale Telheiro, em Loulé. A participação de estudantes e jovens investigadores é outra das dimensões da parceria. “Os nossos estudantes já estão a desenvolver atividades de investigação nestes laboratórios e outros poderão solicitar acesso à infraestrutura”, refere a professora. Os espaços poderão ainda ser utilizados para “cursos avançados, formação pós-graduada e atividades de comunicação de ciência”, incluindo em colaboração com outras universidades e com o ensino pré-universitário.

O protocolo foi assinado por Maria da Conceição Freitas, diretora de Ciências ULisboa, Carlos Alberto Gomes Jorge, presidente do Conselho de Administração das Grutas de Mira de Aire, e Carlos Alberto Marcelino de Albuquerque, vogal do Conselho Diretivo do ICNF.

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Gruta do Algar do Pena

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