Ainda que nem sempre estejam à vista dos humanos, os ecossistemas subterrâneos já começaram a dar os primeiros sinais de alerta. É do subsolo que provém mais de 95% da água potável, e é com esta mesma água que 37% da vegetação sobrevive. Sem este e muitos outros serviços prestados por estes ecossistemas, a vida da humanidade seguramente que será bem mais difícil. E é esse o aviso que acaba de ser lançado pelo artigo científico publicado na revista "Biological Reviews", que conta com a participação de Pedro Cardoso, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C).
“Obviamente que já é possível observar à superfície alguns dos efeitos daquilo que acontece nos ecossistemas subterrâneos. Estes processos são lentos e as pessoas nem sempre os relacionam com os efeitos que produzem”, explica Pedro Cardoso.
Com o título “Subterranean environments contribute to three-quarters of classified ecosystem services”, o artigo científico publicado na “Biological Reviews” já contém em si um diagnóstico. Na gíria da biologia, é comum classificar como serviços os recursos, as atividades, ou os benefícios que qualquer ecossistema disponibiliza à espécie humana. “As abelhas polinizam as flores e prestam um serviço ao fazê-lo, ainda que ninguém tenha de lhes pagar", sublinha Pedro Cardoso.
