Foi em terra bem firme que 150 alunos da Escola Secundária de Santo André (ESSA), do Barreiro, desembarcaram esta terça-feira na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para iniciar uma visita guiada das profundezas do mar aos raios de Sol mais radiantes. Durante a excursão organizada pelo Instituto Dom Luiz (IDL) os jovens revezaram-se por cinco laboratórios temáticos, com exercícios e experiências de apoio às atividades do Departamento de Ciências da Terra e da Energia (DCTE) e tiveram ainda o primeiro contacto com teorias que prometem alimentar a curiosidade sobre tudo o que ainda não se sabe sobre este planeta.

Alunos de escola do Barreiro redescobrem o planeta em visita ao Instituto Dom Luiz

Alunos da Escola Secundária de Santo André descobriram como se pode conjugar painéis fotovoltaicos com agricultura
“Achei a visita muito interessante e gostaria de voltar cá para ter mais experiências em diferentes áreas científicas”, refere Raquel, aluna do 10º ano da ESSA. “Quero estudar na área das ciências e sempre pensei estudar aqui como uma das opções”, acrescenta a estudante do Secundário.
Mesmo para quem pretende seguir carreira noutras áreas profissionais que não estão diretamente ligadas às ciências que estudam o planeta, houve benefícios identificáveis: “Gostava de ir para um curso da área da matemática, que permita trabalhar na área da economia ou da gestão, mas descobri aqui outras áreas de estudo bem interessantes. Estes conhecimentos são também úteis para a vida no dia-a-dia”, sublinha Diogo, aluno da ESSA.
A visita foi organizada pelo IDL e teve sempre como pano de fundo o DCTE, mas não deixou de dar a conhecer todas as licenciaturas lecionadas em Ciências ULisboa logo ao início dos trabalhos. Depois seguiu-se a incursão por cinco laboratórios que tinham sido selecionados previamente em articulação com os professores da ESSA.
"Há quem goste de biologia, e há quem goste de geologia; uns preferem química e outros querem física. A forma como a visita foi organizada dá argumentos para que possam, um dia mais tarde, decidir a área de estudo”
“Estas visitas ajudam a ter uma ideia mais clara sobre o que se pode fazer em cada ramo das ciências. Alguns destes alunos estão indecisos: há quem goste de biologia, e há quem goste de geologia; uns preferem química e outros querem seguir física. A forma como a visita foi organizada acaba por lhes dar argumentos para que possam, um dia mais tarde, decidir a área de estudo”, responde Fátima Sucena, professora de Física e Química na ESSA.
No programa, constavam visitas aos Laboratórios de Tectónica, Sismologia, Paleo-Geomagnetismo, Geologia Marinha, e ao Campus Solar que contemplou visitas a uma horta bem curiosa e uma explicação sobre o funcionamento dos mais de 1600 painéis fotovoltaicos que se encontram nos telhados da Faculdade. Segundo a organização, a excursão, que abrangeu cinco turmas do 10º ano, terá mesmo despertado o espírito científico em alguns alunos de humanidades que admitiram mudar para a área de ciências.

O Laboratório de Sismologia deu a conhecer boas práticas e revelou o que acontece quando há um tremor de terra
“Mostrámos que daqui saem profissionais para várias empresas e centros de investigação nacionais, e também para trabalhar na NASA, na ESA, ou no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH de Zurique). Mesmo antes de começarem a trabalhar noutras instituições, os alunos e investigadores do IDL têm a possibilidade de fazer trabalho de campo em locais tão díspares como Brasil, Ilhas Maurícias ou Antártida. São trabalhos que muitos dos nossos alunos sonham ter desde crianças. E isto só é possível porque temos aqui cursos com bases sólidas em termos de formação teórica e prática, que têm características únicas no atual panorama de ensino”, descreve Célia Lee, gestora de Ciências e Tecnologia do IDL.

Durante a visita ao IDL, os alunos da Escola Secundária de Santo André puderam conhecer os diferentes espaços de investigação e convívio de Ciências ULisboa
Foi do Laboratório de Sismologia que terá saído o efeito mais aparatoso com uma simulação de um sismo, além de recomendações com vista à proteção pessoal nestes cenários menos desejáveis. No Laboratório de Geologia Marinha, a divulgação científica passou por fontes hidrotermais, rochas recolhidas a mais de 3000 metros por missões científicas de Ciências ULisboa, e a visualização de amostras ao microscópio e lupa.

O Laboratório de Geologia Marinha revelou amostras recolhidas por missões de Ciências ULisboa no fundo do mar
Para o Laboratório de Tectónica ficaram reservadas demonstrações sobre movimentos de compressão e distensão que afetam a superfície da Terra e nem sequer a tectónica de outros planetas foi esquecida. Coube ao Laboratório de Paleo-Geomagnetismo revelar como se consegue determinar a idade de vários estratos que compõem uma rocha, bem como o tipo de materiais ou até a poluição que se encontra em amostras. No Campus Solar, foram os prós e contras da instalação de painéis fotovoltaicos em hortas que mereceram maior relevo.
“Divulgámos programas escolares, mas não nos esquecemos de mostrar como é que é um dia normal na vida de Ciências ULisboa”
Porque a ciência é feita por humanos, a visita prestou-se ainda a revelar outros fatores valorizados por quem está em plena fase de estudos. E foi nessa missão que se destacaram alguns dos alunos do DCTE, como Mário Vilas, presidente da Oficina das Energias: “Tentámos mostrar que Ciências ULisboa é boa opção para quem vai para o ensino superior. Divulgámos programas escolares, mas não nos esquecemos de mostrar como é que é um dia normal na vida de Ciências ULisboa”. O IDL tratará de mostrar o resto do planeta.