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Bolsas ERC ganhas por investigadores de CIÊNCIAS

Entre 2017 e 2025, o Conselho Europeu de Investigação (ERC) atribuiu financiamento a oito projetos de investigação propostos por professores e cientistas que trabalham em CIÊNCIAS.

No grupo de projetos apoiados, figuram quatro bolsas de iniciação, duas bolsas de consolidação, uma bolsa avançada e uma bolsa sinergia. O ERC é um dos principais mecanismos de financiamento de ciência da Comissão Europeia.

Células escultoras de vida

Há muito que se sabe que a vida das células vale bem um microfilme, mas só no final de 2025 os mentores do projeto RODIN receberam um bolsa ERC que vai permitir aplicar o conceito de forma literal. Coube a Nuno Araújo liderar a participação de CIÊNCIAS neste projeto que vai de ser desenvolvido, em parceria, com a Universidade de Aveiro e o Imperial College London. No roteiro de trabalho, o destaque recai na introdução de culturas de células sobre microfilmes de biomateriais flexíveis. Além de poderem observar as diferentes interações, os investigadores pretendem apurar quais os mecanismos que as células desenvolvem enquanto moldam os biomateriais em que habitam. Toda a investigação tem por pano de fundo a regeneração de tecidos humanos. Por sua vez, a capacidade de modelação das células levou à escolha do nome do projeto que recorre ao apelido do famosos escultor Auguste Rodin. O projeto fixou, na altura do anúncio, um recorde no financiamento atribuído a projetos que envolvem entidades nacionais.

Professor Catedrático: Nuno Araújo

Bolsa de sinergia (ERC Sinergy Grant): €10 milhões

Título do Projeto: "Cell-mediated Sculptable Living Platforms"

Período: 2025 a 2031

Nuno Araújo

A Antártida prometida

O que se passa na Antártida não fica só na Antártida. E esse é também um dos pontos de partida que levaram Catarina Frazão Santos a candidatar-se a uma bolsa ERC com um objetivo inédito: o desenvolvimento do primeiro processo de ordenamento de espaço marinho de larga escala que poderá vir a ser aplicado numa área internacional, que não depende de jurisdições nacionais. Com a Antártida e as alterações climáticas em pano de fundo, o PLAnT assume como meta o desenvolvimento de processos de exploração marinha mais sustentáveis e equitativos, além do desenvolvimento de novos paradigmas de governação e exploração dos mares, bem como as relações sociais que aí se estabelecem.

Professora Auxiliar Convidada: Catarina Frazão Santos

Bolsa de Iniciação (ERC Starting Grant): €1,5 milhões

Título do Projeto: “Planeamento do Uso Sustentável do Oceano na Antártida num contexto de Alterações Ambientais Globais (PLAnT)”

Período: 2024 a 2029

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A anatomia de um algoritmo

Num mundo perfeito, todos os problemas poderiam ser resolvidos pelo primeiro algoritmo disponível. Acontece que os problemas não são todos iguais e os algoritmos também não. Resultado: mesmo com a ajuda da Inteligência Artificial o mundo não é perfeito. E por isso a equipa de CIÊNCIAS liderada por Bruno Loff meteu mãos à obra para identificar “famílias” algoritmos que exigem menos recursos para produzirem respostas mais rápidas, quando têm de resolver problemas complexos. Além de novas metodologias para o desenvolvimento de algoritmos, o projeto promete utilidade nas áreas de criptografia, resolução de padrões que aparentam aleatoriedade, ou teorias da aprendizagem.

Professor Associado: Bruno Loff

Bolsa de Iniciação (ERC Starting Grant): ~€1,5 milhões

Título do Projeto: “HoFGA – The Hardness of Finding Good Algorithms”

Período: 2023 a 2028

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As refeições de um trio dinâmico

Da família de vegetais Brassica rapa costumam resultar safras de nabos e algumas espécies de couves, mas também alimentação para ácaros herbívoros como os Tetranychus urticae. Os Tetranychus urticae não terão tanto proveito para os humanos como as plantas que os alimentam, mas nada garante que não se tornam refeição de predadores como os Amblyseius swirskii. Com Dynamictrio, a equipa de CIÊNCIAS liderada por Inês Fragata pretende estudar as relações entre estas três espécies com a aplicação de modelos que preveem como é que o meio ambiente influencia códigos genéticos e características dos diferentes organismos. Além da produtividade e do stresse do meio ambiente, o projeto tem em conta as interdependências destas três espécies e a estabilidade do ecossistema.

Professora Auxiliar: Inês Fragata

Bolsa de Iniciação (ERC Starting Grant): ~€2 milhões

Título do Projeto: “Dynamictrio – Feedback between population dynamics and evolution of interactions in a tri-trophic system”

Período: 2022 a 2027

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A fantástica vida dos corais

As espécies têm necessidades e desenvolvem capacidades para suprir essas necessidades – mas, no final, podem mudar o ecossistema enquanto evoluem. Mediante a observação de 100 mil colónias de corais e da produção de mapas tridimensionais, a equipa de CIÊNCIAS liderada por Maria Dornelas propõe-se a quantificar os efeitos da alteração do meio ambiente na distribuição dos corais, e abrir caminho a teorias capazes de prever as funções que uma espécie de coral poderá desenvolver face às mudanças registadas no habitat. Segundo os investigadores, as novas teorias poderão ajudar a prever como é que as alterações do meio ambiente afetam a forma como os corais lidam com as necessidades e evoluem nas diversas funções que executam para sobreviver.

Coordenadora: Maria Dornelas

Bolsa de Consolidação (ERC Advanced Grant): ~€2 milhões

Título do Projeto: “coralINT: Integrated Niche Theory: linking environmental, compositional and functional change on coral reefs”

Período: 2022 a 2027

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E, afinal, o mundo é global

Nos roteiros náuticos usados entre os séculos XV e XVII, há dados sobre rumos, distâncias, correntes, ventos, e diferentes espécies de plantas e animais – e há também toda informação que ajudou a equipa que Henrique Leitão liderou em CIÊNCIAS a descortinar como é que as viagens transoceânicas contribuíram para o conceito de mundo enquanto entidade global. Além do levantamento de dados a partir de roteiros e livros de bordo de navios ibéricos, o projeto apoiado pela bolsa ERC recorre a diferentes disciplinas para identificar os primeiros conceitos sobre este planeta que agrega diferentes culturas, distâncias e continentes, mas é um espaço global que tem nos oceanos uma das vias de globalização.

Investigador Principal: Henrique Leitão

Bolsa Avançada (ERC Advanced Grant): ~€2 milhões

Título do Projeto: “Making the Earth Global: Early Modern Nautical Rutters and the Construction of a Global Concept of the Earth”

Período: 2019 a 2024

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Mapas dos Descobrimentos, sem adamastores

Joaquim Alves Gaspar usou modernas técnicas de análise cartométrica, modelação numérica e análise multiespectral, mas o campo de estudo da bolsa ERC que recebeu em 2017 remete para os mapas que os marinheiros portugueses usavam há mais de 500 anos. Da análise geométrica destes mapas, haveria de resultar outra descoberta: depois de uma carreira feita como oficial da Marinha, Alves Gaspar acabou por revelar, enquanto investigador de CIÊNCIAS, os métodos de produção e também as rotinas de uso de mapas e cartas cartográficas entre a época medieval e os Descobrimentos. E com esse trabalho desvendou novas pistas de estudo sobre a expansão marítima portuguesa.


Professor Auxiliar Convidado: Joaquim Alves Gaspar

Bolsa de Iniciação (ERC Starting Grant): ~€1,2 milhões

Título do Projeto: “The Medieval and Early Modern Nautical Chart: Birth, Evolution and Use”

Período: 2017 a 2023

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Ácaros-aranha e tomateiros mutantes

Tetranychus urticae e Tetranychus ludeni são conhecidos pela voracidade com que encaram os tomateiros, mas não têm propriamente boas relações. Sara Magalhães, investigadora do Departamento de Biologia de CIÊNCIAS, conhece bem os métodos de ataque das duas espécies de ácaros-aranha na hora de saciarem o apetite. A Tetranychus urticae tende a aumentar as defesas dos tomateiros; e a Tetranychus ludeni faz precisamente o contrário. Perante este cenário, Sara Magalhães decidiu recorrer a tomateiros mutantes que não são afetados pelos ácaros para apurar como é que esse novo dado afeta a concorrência e a evolução destas espécies de parasitas.

Professora Catedrática: Sara Magalhães

Bolsa de Consolidação (ERC Consolidator Grant): ~ €2 milhões

Título do Projeto: “COMPCON - Competição sob construção do nicho”

Período: 2017 a 2023

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Comunicados

9 FEV | 17:00 | Sessão Especial do Clima em Ciências ULisboa: 5 investigadores de CIÊNCIAS explicam os mais recentes eventos meteorológicos em videoconferência de acesso livre.