Porque escolheu o curso de Química?
Ana Cachudo (AC) – Sempre tive o fascínio pelas Ciências Forenses, contudo os meus pais não podiam pagar esse curso. Analisei o que podia fazer e apareceu o curso de Química. Eu gostava de Química, Físico-Química, Matemática.
Quais foram os professores que mais a inspiraram e porquê?
AC – O professor Carlos Borges, pela sua dinâmica e à vontade a explicar. Era um professor "fora da caixa". Conseguia tornar uma aula divertida. Uns anos mais tarde, a professora Maria José Calhorda, que deu Química Inorgânica. Ver a sua paixão desbloqueou alguns conceitos. Deu-nos outras realidades. Os professores Pedro Vaz e Carla Nunes - fiz com eles o projeto final – pela motivação, por estarem sempre presentes e por ajudarem.
Como foi estudar na Faculdade entre 2009 e 2013?
AC – Tivemos regalias que os alunos agora se calhar não conseguem ter. Nós criávamos grupos de estudo. Fazíamos noitadas no “aquário” no C1, uma mesa com nove ou dez pessoas, todos unidos, com doces para nos motivar. Havia uma entreajuda gigante. Podermos estar mais horas na Faculdade, até de noite, facilitava-nos imenso.
Nesses anos sentiu adversidades?
AC – Acho que há um impacto muito grande quando passamos do ensino secundário para o ensino universitário. Eu tinha acabado o 12.º ano com uma boa média e já tinha encontrado o meu método de estudo. Chegar à Faculdade e ver que aquele método não dava foi marcante. Lembro-me de estar a chorar, falar com a minha mãe e dizer que não tinha capacidade para estar na faculdade porque só tinha conseguido fazer quatro cadeiras à primeira. Lembro-me da minha mãe dizer: “Estás a chorar para quê? Tu estudaste. Para o ano corre melhor”. Ajudou-me a entreajuda entre os colegas e amadurecer. Comecei a focar-me no que tinha de melhorar. Encontrei o ritmo de trabalho que era necessário. Os professores também foram excecionais.
Quais foram as maiores alegrias que teve durante esse período?
AC – Os resultados e as dinâmicas. Tinha uma boa relação com a D. Maria de Fátima Amaral e o sr. Rui Mateus, os responsáveis pelos laboratórios do nosso departamento, que eram incansáveis. O espírito do DQB também era de outro mundo, uma harmonia.